PPG - Saúde Coletiva

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    Acesso aberto (Open Access)
    A política nacional e a rede de cuidados à pessoa com deficiência no SUS: contextos de influência e de produção de textos
    (Universidade Federal de São Paulo, 2024-06-21) Kielmann, Samara [UNIFESP]; Reis, Ademar Arthur Chioro [UNIFESP]; Tofani, Luis; http://lattes.cnpq.br/3164317524680020; http://lattes.cnpq.br/9454572596499303; http://lattes.cnpq.br/8262399466196346
    Objetivo: Analisar os contextos de influência e de produção de texto da Política Nacional e da Rede de Cuidados às Pessoas com Deficiência no SUS. Método: A pesquisa tem caráter qualitativo. Foi desenvolvida por meio de revisão de literatura, análise de documentos e entrevistas com atores-chave que participaram da formulação da Política Nacional e da Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência (PCD). A análise teve como principal referência a Abordagem do Ciclo de Políticas desenvolvida por Ball e Bowe, uma abordagem crítica ao modelo estruturalista, flexível e não linear. Resultados e discussão: Os principais resultados apontam para uma Política Nacional de Saúde da Pessoa com Deficiência (PNSPCD) prescritiva e com pouca participação do movimento social em sua produção. Tem como influência o modelo biomédico da deficiência, a reabilitação como única forma de cuidado e evidencia as instituições filantrópicas enquanto principais responsáveis pela agenda e assistência às Pessoas com Deficiência. Já a Rede de Cuidados à Pessoa com Deficiência (RCPCD) apresenta maior influência do modelo social da deficiência e forte influência da Convenção Internacional dos Direitos da PCD, especialmente em relação ao conceito definidor de PCD. A rede de cuidados induz uma discussão mais ampla sobre cuidado e destaca a reabilitação enquanto parte de um processo maior e mais complexo que privilegia a participação do usuário no seu cuidado. Estabelece os Centros Especializados em Reabilitação (CER) como principal local de cuidado deste público, mas o coloca como matriciador da rede de atenção à saúde. Considerações finais: A abordagem do ciclo de políticas de Ball e Bowe contribui para a análise de políticas públicas de saúde na medida em que é um método de campo aberto e que provoca a reflexão sobre desconstrução de conceitos e certezas e induz engajamento crítico. A PNSPCD foi importante porque deu visibilidade ao tema à época de sua formulação. No entanto, possui muitas questões a serem superadas. A RCPCD se apresenta com a intencionalidade de ampliar acesso e fortalecer a integralidade do cuidado.
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    Acesso aberto (Open Access)
    O conceito da segmentação epidemiológica na promoção da saúde para idosos
    (Universidade Federal de São Paulo, 2023-11-23) Cohrs, Frederico Molina [UNIFESP]; Ramos, Luiz Roberto [UNIFESP]; Pisa, Ivan Torres [UNIFESP]; http://lattes.cnpq.br/2841925497526792; http://lattes.cnpq.br/3798829566782422; http://lattes.cnpq.br/6635518894771293
    Introdução: O aumento da população idosa global, com curva acentuada no Brasil, exige políticas focadas na promoção da autonomia e qualidade de vida dos idosos. Enfrenta-se o desafio de doenças crônicas, necessitando estratégias de promoção usando segmentação de dados para aprimorar a saúde da pessoa idosa. Objetivo: desenvolver um modelo de promoção da saúde para idosos, focando em segmentação de dados e capacidade intrínseca para melhorar a qualidade de vida e prevenção de doenças, por meio de estratégias personalizadas de promoção da saúde. Método: estudo exploratório, retrospectivo, com uso de dados secundários advindos de avaliações multidimensionais realizadas com idosos, com mapeamento de variáveis do projeto Epidoso, um projeto longitudinal que avaliou idosos moradores de um bairro de classe média alta em São Paulo-SP de 1991 a 2020, usando instrumentos multidimensionais para identificar fatores associados ao envelhecimento saudável e fatores de risco para a mortalidade. As variáveis foram mapeadas considerando os domínios da capacidade intrínseca, posterior aplicação de técnica de segmentação de dados, classificação de segmentos emergidos e vinculá-los a modelos de promoção da saúde. Resultados: foi desenvolvido um modelo de segmentação de dados denominado segmentação epidemiológica. Os dados foram mapeados pelos domínios da capacidade intrínseca e anexados três conjuntos de dados: descrição, patrimônio afetivo e fator ambiental. Os dados passaram pela segmentação epidemiológica onde emergiram 4 segmentos. Os segmentos foram classificados e nominados como “senhoras vulneráveis”, “senhores comunitários”, “sociais satisfeitos” e “ágeis ativos”. E foram sugeridos 2 modelos de promoção da saúde para cada segmento identificado. Conclusão: a segmentação epidemiológica é uma técnica que se mostrou valiosa para identificação de grupos semelhantes para uma promoção da saúde com direcionamento objetivando melhores resultados. Foi possível identificar a necessidade de inclusão de novos domínios para a capacidade intrínseca. Neste trabalho, o conjunto de dados, considerando os domínios clássicos e os sugeridos emergidos, formam o ICARE (Intrinsic Capacity Augmented with Realm Expansion - Capacidade Intrínseca Aumentada com Expansão de Áreas).
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    Acesso aberto (Open Access)
    (im)Possibilidades discursivas das AIDS: uma abordagem psicanalítica da articulação entre sujeito, saber e verdade no processo saúde-adoecimento de homens gays que vivem com HIV
    (Universidade Federal de São Paulo, 2023-12-08) Rocha, Francisco José de Araujo [UNIFESP]; Pereira, Pedro Paulo Gomes [UNIFESP]; http://lattes.cnpq.br/1474930426841995; https://lattes.cnpq.br/6735760022658290
    A síndrome da imunodeficiência adquirida (HIV/AIDS) é uma epidemia globalizada contando já com mais de 75,7 milhões de pessoas infectadas e 32,7 milhões de óbitos devido a doenças relacionadas à aids desde a identificação dos primeiros casos em 1981. Há também uma epidemia paralela de significações, sendo construída por múltiplos significados, narrativas e discursos que se cruzam ou mesmo se sobrepõem. Os discursos biomédicos, religiosos e do ativismo social exerceram um papel crucial na construção dessas duas epidemias e parecem também interferir nos processos saúde-adoecimento das pessoas que vivem com HIV/AIDS. Através das narrativas de homens gays que vivem com HIV há três ou mais décadas, essa pesquisa buscou compreender as articulações entre sujeito, saber e verdade na relação daqueles homens com seus corpos e processo saúde-adoecimento. Para tanto foram realizado um mapeamento de significantes e uma análise discursiva tendo como referencial a teoria dos quatro discursos de Jacques Lacan. Através deste mapeamento discursivo, sob a perspectiva da psicanálise em interface com os campos da saúde coletiva e da antropologia, procurou-se verificar como esses discursos se relacionam com os processos saúde-adoecimento dos pacientes bem como quais os laços sociais e efeitos eles produzem. Como achado da pesquisa, ao se tomar o estigma como discurso do mestre, foi demonstrando como este produz posições de assujeitamento, identificações com o próprio vírus do HIV e como há uma montagem de uma realidade a partir de fantasias que interfere na própria construção do que seria ser uma pessoa que vive com HIV para cada um dos sujeitos. Um outro achado importante da pesquisa foi que que o corpo produzido por pelo saber biomédico é um corpo adoecido que deve ser submetido a regimes terapêuticos estritos e vigilância constante. Contudo esse corpo docilizado e colonizado pelo saber biomédico não coincidiu com o corpo constituído por pulsões e apreendido a partir das narrativas dos sujeitos em suas relações complexas com os processos saúde-adoecimento. Por fim, conclui-se que se faz urgente uma aposta na sustentação de uma escuta orientada pela psicanálise dentro dos aparelhos de saúde para que as pessoas que vivem com HIV possam narrar e testemunhar suas histórias e, então, produzirem posições discursivas que possibilitem subverter a lógica de assujeitamento do estigma.
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    Acesso aberto (Open Access)
    Efeito da tributação de alimentos ultraprocessados na prevenção de doenças crônicas não transmissíveis no Brasil
    (Universidade Federal de São Paulo, 2023-11-23) Camargo, Joyce Moreira [UNIFESP]; Rezende, Leandro Fórnias Machado de [UNIFESP]; Nilson, Eduardo Augusto Fernandes [UNIFESP]; http://lattes.cnpq.br/6831630987055645; http://lattes.cnpq.br/9091512207659059; http://lattes.cnpq.br/4836257647129181
    Introdução: As Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) são importantes causas de morbimortalidade. Entre os fatores de risco para DCNT passíveis de modificação, a alimentação desempenha um papel imperativo. O aumento do consumo de alimentos ultraprocessados parece estar relacionado a perfil de risco cardiometabólico, à síndrome de fragilidade, desordens gastrointestinais, câncer, sobrepeso, obesidade, além de um alto risco para doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e mortalidade por todas as causas. A tributação dos ultraprocessados associada às medidas de incentivo ao consumo de opções mais saudáveis constitui uma janela de oportunidade para o enfrentamento da situação exposta. Objetivo: Estimar o potencial impacto de diferentes cenários de tributação do grupo de alimentos ultraprocessados na redução da prevalência de excesso de peso, bem como na prevenção de casos e mortes por DCNT atribuíveis ao excesso de peso, na população adulta brasileira no período de 2024 a 2044. Métodos: O estudo de modelagem epidemiológica teve como premissa o excesso de peso como mediador do efeito da tributação de alimentos ultraprocessados na prevenção das DCNT. Modelamos, em comparação com o cenário atual (business-as-usual - BAU), o potencial efeito da política pública nos próximos 20 anos (2024 a 2044) considerando cinco cenários contrafactuais (alternativos) baseados em diferentes alíquotas de tributação: (I) aumento de 8%; (II) 10%; (III) 18%; (IV) 20% e (V) 50% sobre o preço de todos os alimentos do grupo de ultraprocessados. O modelo incorporou dados atuais e projeções demográficas, mortes e casos incidentes de onze DCNT, a distribuição do Índice de Massa Corporal (IMC), a estimativa do efeito do aumento do preço de alimentos ultraprocessados na redução da prevalência de excesso de peso e o risco relativo da associação entre IMC e DCNT. Resultados: A tributação dos alimentos ultraprocessados seria capaz não só de reduzir a prevalência de excesso de peso, como também casos e mortes por DCNT atribuíveis ao excesso de peso. Enquanto na manutenção da tendência de aumento do IMC, observada no cenário usual, seriam esperados mais de 10 milhões de casos e mais de 1 milhão mortes por DCNT, de 2024 a 2044, a aplicação de uma alíquota de 8% ou de 50% de tributação sobre todos os alimentos e bebidas ultraprocessados preveniria 467 mil casos e 62 mil mortes ou 1 milhão de casos e 236 mil mortes, respectivamente. Particularmente, novos casos de diabetes e óbitos por doenças cardiovasculares seriam evitados. Conclusão: A tributação de todos os alimentos e bebidas ultraprocessadas em conjunto com medidas como regulamentação da publicidade de alimentos, rotulagem nutricional adequada, subsídios para produção e comercialização de alimentos in natura e minimamente processados, além de fomento a ações de educação alimentar e nutricional constituem ferramentas essenciais para o enfrentamento do crescente consumo de ultraprocessados.
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    Acesso aberto (Open Access)
    Territórios periféricos na margem da formação de profissionais no e para o SUS?
    (Universidade Federal de São Paulo, 2023-10-30) Paes, Mariana Fonseca [UNIFESP]; Andreazza, Rosemarie [UNIFESP]; http://lattes.cnpq.br/1447772258702244; http://lattes.cnpq.br/4617083753966153
    Introdução: A formação de profissionais de saúde no contexto da atenção básica tem como padrão-ouro as residências médica e multiprofissional em saúde da família e comunidade, já que em tais perspectivas temos a possibilidade de estabelecimento de práticas crítico-reflexivas pela educação no trabalho considerando as implicações das diversidades e características territoriais no cuidado em saúde. Objetivo: Buscou-se na tese, aprofundar análises sobre as vivências e as percepções dos estudantes de pós-graduação (modalidade residências em saúde) em relação às estratégias educacionais vivenciadas em territórios periféricos da cidade de São Paulo. Já que em tais territórios, temos a composição de situações de vida repletas de diversidades sociais, com situações de vulnerabilidades e potenciais que constituem elementos fundamentais a serem considerados no contexto da formação NO e PARA o Sistema Único de Saúde, ao visar a garantia da universalidade, integralidade e equidade no cuidado em saúde. Método: Utilizou-se o método qualitativo para produção e análise dos dados, a partir da realização de entrevistas cartográficas com residentes do primeiro e segundo ano de dois programas de residência em saúde da família e comunidade na zona leste de São Paulo. As entrevistas foram realizadas de forma aberta, sem estruturação de um roteiro prévio de perguntas, durante o ano de 2021. Após a transcrição e análise das respostas, estruturou-se os núcleos de sentido e principais achados relativos à compreensão da relação dos(as) residentes com os territórios periféricos. Resultados e Discussão: Como principais achados, identificou-se que houve lacunas formativas importantes com relação a vivências mais próximas aos contextos territoriais das periferias, com ausência de aprofundamento sobre os conceitos de território e comunidade, bem como de vivências de territorialização. A pandemia de Covid19, foi um dos fatores determinantes para o distanciamento das vivências dos(as) residentes com os territórios, influenciando atividades de cuidado em saúde, individuais e coletivas intra e extra “muros” das unidades básicas de saúde. Essas lacunas refletiram em poucas possibilidades de ações dos residentes frente às vulnerabilidades identificadas nesses territórios, bem como, para vinculação dos(as) residentes com as realidades e culturas locais, e para lidarem com suas percepções das desigualdades sociais. A ausência de espaços de diálogo e aprofundamento sobre as questões étnico-raciais, representaram mais uma camada das lacunas evidenciadas na investigação, confirmando o distanciamento entre o processo formativo e as realidades periféricas. Por fim, propõem-se reflexões acerca da qualificação do componente comunidade no currículo formativo, tendo como prisma a necessidade de ampliar a abordagem da equidade nos processos educacionais, e utilização do conceito de interseccionalidade como ferramenta teórico-metodológica para abordagem das questões étnico-raciais, sociais e de gênero para práticas formativas implicadas na qualificação da formação e do cuidado em saúde.