O Coletivo Feminismo Comunitário faz alusão à ideia de interseccionalidade? Feminismo pra quem?

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Data
2023-07-17
Autores
Lima, Barbara Souza [UNIFESP]
Orientadores
Mello, Marina Pereira de Almeida [UNIFESP]
Tipo
Trabalho de conclusão de curso de graduação
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Resumo
Este Trabalho de Conclusão do curso de Pedagogia, tem como objetivo trazer reflexões a propósito da categoria “interseccionalidade”, pautando-se nas experiências analisadas junto ao Coletivo Cultural Feminismo Comunitário. Sendo este um coletivo cultural localizado na periferia sudoeste da capital paulistana, realizou-se anteriormente uma pesquisa de Iniciação Científica participativa ao coletivo, de 2020 a 2022, com a orientação da Professora Drª Silvia Lopes Raimundo, docente do Departamento de Geografia, no campus Instituto Das Cidades, Zona Leste da Universidade Federal de São Paulo. A pesquisa inicial deu-se a priori, a partir da existência de espaços criados pela atuação de coletivos culturais, nos quais mulheres negras podem expressar-se e serem ouvidas. E mais do que isso, onde conseguem criar autonomia para organizarem espaços seguros onde acolham suas próprias trajetórias ancestrais. A pesquisa foi construída com o intuito de entender o cotidiano de mulheres negras e periféricas, de forma plural e diversa com todas as suas singularidades. A pesquisa contemplou, de maneira direta e indireta, mulheres que estão na linha de frente da resistência do racismo e machismo, vividos cotidianamente na favela do Real Parque, zona sudoeste da capital paulistana. A pesquisa se deu por meio entrevistas com as lideranças do coletivo e com uma participante das ações organizadas pelo coletivo e com o acompanhamento participativo das ações e tomadas de decisão do grupo. Os resultados da pesquisa estão relacionados ao debate sobre o feminismo e na compreensão de como este se manifesta em movimentos de mulheres que não têm como objetivo fazer estudos teóricos sobre o tema. A partir das leituras e análise das entrevistas, percebeu-se que as integrantes do coletivo e as participantes das ações não fazem estudos sobre o feminismo, a partir da literatura reconhecida nesse campo de lutas e pesquisa. Por outro lado, as entrevistas e análise dos materiais sobre a atuação das mulheres do coletivo indicam que apesar da inexistência de atividades específicas para a discussão sobre o feminismo, há a partir das ações cotidianas, como aulas e encontros entre mulheres, ações capazes de conformar um feminismo na sua prática. Na criação desses espaços por moradoras da favela do Real Parque, a necessidade de construir condições de encontros seguros para esse público, entende-se nas entrelinhas, o exercício de um “feminismo na prática”, aquele que acontece de acordo com a necessidade do território, das mulheres e da comunidade de uma maneira geral. O trabalho visa ressaltar que tal organização se opera atentando-se para as “interseccionalidades”, traço e categoria que distinguem as teorias/práticas de pensadoras negras destacadas e contempladas nessa análise.
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LIMA, Barbara Souza. O Coletivo Feminismo Comunitário faz alusão à ideia de interseccionalidade? Feminismo pra quem? 2023. Trabalho de conclusão de curso (Graduado em Pedagogia) – Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade Federal de São Paulo, Guarulhos, 2023.
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