Práticas pedagógicas antirracistas: vida e obra de Carolina Maria de Jesus como conteúdo curricular na aplicação da lei 10.639/03

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Data
2023-06-23
Autores
Jesus, Michael Dias de [UNIFESP]
Orientadores
Pinto, Umberto de Andrade [UNIFESP]
Tipo
Dissertação de mestrado
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Resumo
Este trabalho tem o objetivo de analisar como a vida e obra da escritora Carolina Maria de Jesus fornecem subsídios para práticas pedagógicas a partir da Lei 10.639/03 nas escolas públicas. Dito isso, é notório que a legislação foi responsável por mudanças profícuas acerca das relações étnico-raciais. Conseguinte, a educação antirracista foi ganhando espaço e novos métodos, possibilitando a valorização das construções negras em nosso país, bem como, orientando para o combate sistêmico do racismo e o fortalecimento da identidade negra dos(as) estudantes. A hipótese da pesquisa é que Carolina Maria de Jesus e o conjunto das suas obras estão contribuindo para uma educação antirracista nas escolas públicas, porém, não havia pesquisas que constatassem esse feito. A pesquisa tem caráter qualitativo, e, para a comprovação da hipótese os procedimentos metodológicos foram: revisão de bibliografia, estudo teórico e pesquisa empírica com análises espelhadas em Bardin (2016). A pesquisa ouviu seis professores(as) da Educação Básica pública que atuam na perspectiva antirracista e, consequentemente, utilizam a vida e obra da intelectual. Assim, diagnosticamos que: 1) A Lei 10.639/03 tem sido relevante para práticas pedagógicas nas escolas públicas; 2) Carolina Maria de Jesus tem uma forte identidade com os(as) professores(as) e os(as) estudantes das escolas públicas; 3) A vida e obra da autora dialogam diretamente com os propósitos da Lei 10.639/03; 4) Carolina Maria de Jesus e seus manuscritos fornecem um vasto campo para estratégias de combate ao racismo nas escolas públicas; 5) A intelectual oferece ferramentas para trabalhar as questões corpóreas negras no campo da identidade; 6) A vida e oba de Carolina Maria de Jesus contribuem para práticas pedagógicas antirracistas. Também foi possível diagnosticar que a vida e as obras da autora ainda não são exploradas de maneira plena, fazendo com que muitas práticas se voltem apenas para seu livro Quarto de Despejo, o que não condiz com a herança literária e cultural deixada por ela, visto que, há outras obras publicadas em diversos gêneros, um disco musical e trechos de um documentário disponíveis na internet. Destarte, a pesquisa aponta que a vida e obra de Carolina Maria de Jesus continuem sendo utilizadas em acordo com a Lei 10.639/03, pois possibilita o seguimento de práticas pedagógicas antirracistas nas escolas públicas, visando uma sociedade plural, combatente das desigualdades, que valore a identidade negra dos(as) estudantes e reconheça a produção intelectual de uma mulher negra.
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