Evolução clínica, antropométrica e nutricional de crianças com síndrome congênita do vírus Zika durante quatro anos após a epidemia

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Data
2021
Autores
Arrais, Nivia Maria Rodrigues [UNIFESP]
Orientadores
Pinto, Maria Isabel De Moraes [UNIFESP]
Tipo
Tese de doutorado
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Resumo
Objectives: To evaluate the growth and development of children with congenital Zika virus syndrome during their first years of life and to verify predictive variables for low weight, death and behavioral changes. To establish the frequency and severity of congenital heart disease in these children and to describe two cases of type 1 diabetes mellitus. Methods: Cohort of 71 children diagnosed with probable or confirmed congenital Zika virus syndrome according to the Brazilian Ministry of Health classification and who were followed up in Natal, Rio Grande do Norte. Maternal-infant epidemiological, clinical and laboratory data and anthropometric parameters were obtained during out patient visits. The tendency of the mean z-score of head circumference and low weight and short stature free time in children with and without microcephaly at birth were evaluated. Predictive variables for death were evaluated. The Survey of Wellbeing of Young Children questionnaire assessed development, risk for altered behavior, andf amily background. Results: Children born without microcephaly presented a decrease in the head circumference growth velocity (p=0.019) and a tendency towards a decrease in the mean z-score (p<0.001). They showed greater free time to low weight (p=0.036) and to short stature (p=0.034) compared to those born with microcephaly. The comparison of the height classification using the stadiometer and the measurements of the tibia and knee-calcaneal segments in the curves ofthe W.H.O. (2006) showed a slight agreement (ƙappa=0.316, p<0.001). Assessing the nutritional diagnoses obtained from the W.H.O. curves and Brooks curves (2011), low weight and short stature were observed only in the W.H.O. curves. For nutritional classification by body mass index, agreement was slight or moderate, regardless of height used. All 52 children whose families responded to the Survey of Wellbeing of Young Children questionnaire had microcephaly and developmental delayat the time of the interview. Normocephalic babies at birth were 36 times more likely to have behavioral changes when compared to microcephalic babies (95%CI 3.82-337.92, p=0.002). Those with hearing impairment and strabismus had less risk of behavioral changes; 35% of the families reported food insecurity in the year prior to the interview and 21% of the mothers were at risk for depression. Children with arthrogryposis were seven times more likely to die than those without this condition. Seven of 51 (13.7%) children with echocardiographic assessment had mild congenital heart disease without hemodynamic repercussions. Two children (2.8%) were diagnosed with type 1 diabetes mellitus. Conclusions: Children with SCZ born normocephalic can progress to microcephaly during the first year of life, but they have longer free time from low weight and short stature when compared to those born microcephalic. The use of height estimated by segment measurements seems to be na option for daily practice after 24 months of age. Children born normocephalic had a higher risk of behavioral changes, suggesting greater social interaction and better conditions for externalizing reactions. Food insecurity and maternal depression may reflect the psychosocial vulnerability of these families. Only children with mild congenital heart disease and without hemodynamic repercussions were observed, suggesting that the cardiologic investigation should be reserved for children with clinical or neonatal screening suggestive of impairment. Two cases of type 1 diabetes mellitus were described, suggestive of a possible role of the Zika virus as na environmental factor triggering autoimmunity.
Objetivo: Avaliar o crescimento e desenvolvimento de crianças com síndrome congênita do vírus Zika durante os primeiros anos de vida e verificar fatores preditivos para o baixo peso, o óbito e para alterações do comportamento. Estabelecer a frequência e a gravidade das cardiopatias congênitas nestas crianças e descrever dois casos de diabete melito tipo 1. Métodos: Coorte com 71 crianças com diagnóstico de síndrome congênita do vírus Zika provável ou confirmada de acordo com a classificação do Ministério da Saúde e que foram acompanhadas em Natal, Rio Grande do Norte. Dados epidemiológicos, clínicos e laboratoriais materno-infantis e parâmetros antropométricos foram obtidos nas consultas ambulatoriais. Avaliou-se a tendência de queda da média do escore-z do perímetro cefálico e o tempo livre ao baixo peso e à baixa estatura nas crianças com e sem microcefalia ao nascimento. Variáveis preditivas para o óbito foram avaliadas. O questionário Survey of Wellbeing of Young Children avaliou o desenvolvimento, o risco para comportamento alterado e o contexto familiar. Resultados: Crianças nascidas sem microcefalia apresentaram queda na velocidade de crescimento do perímetro cefálico (p=0,019) e tendência de queda da média do escore-z (p<0,001). Apresentaram maior tempo livre de baixo peso (p=0,036) e de baixa estatura (p=0,034) comparadas àquelas nascidas com microcefalia. A comparação da classificação da estatura utilizando o estadiômetro e as medidas do segmento da tíbia e do joelho-calcâneo nas curvas da OMS (2006) mostrou uma concordância leve (ƙappa=0,316, p<0,001). Avaliando os diagnósticos nutricionais obtidos pelas curvas da OMS e pelas curvas de Brooks (2011), observaram-se baixo peso e baixa estatura apenas nas curvas da OMS. Para a classificação nutricional pelo índice de massa corpórea, a concordância foi leve ou moderada, independente estatura utilizada. Todas as 52 crianças, cujas famílias responderam ao questionário Survey of Wellbeing of Young Children, apresentavam microcefalia e atraso do desenvolvimento no momento da entrevista. As nascidas normocefálicas tiveram 36 vezes mais chance de alterações comportamentais quando comparadas às nascidas microcefálicas (IC95% 3,82-337,92, p=0,002). Aquelas com alterações auditivas e estrabismo apresentaram menos riscos de alterações comportamentais; 35% das famílias relataram insegurança alimentar no ano anterior à entrevista e 21% das mães apresentaram risco para depressão. Crianças com artrogripose tiveram sete vezes mais chance de óbito do que aquelas sem essa condição. Sete de 51 (13,7%) crianças com ecocardiografia apresentaram cardiopatia congênita leve sem repercussão hemodinâmica. Duas crianças (2,8%) apresentaram diagnóstico de diabete melito tipo 1. Conclusões: Crianças com SCZ nascidas normocefálicas podem evoluir para microcefalia ao longo do primeiro ano de vida mas apresentam maior tempo livre de baixo peso e baixa estatura quando comparadas àquelas nascidas microcefálicas. A utilização da estatura estimada pelas medidas de segmentos parece ser uma opção para a prática diária após 24 meses de idade. Crianças nascidas normocefálicas tiveram maior risco de alterações comportamentais, sugerindo maior interação social e melhores condições de externalizar reações. A insegurança alimentar e a depressão materna podem refletir a vulnerabilidade psico-social dessas famílias. Observaram-se somente crianças com cardiopatias congênitas leves e sem repercussão hemodinâmica, sugerindo-se reservar a investigação cardiológica para as crianças com clínica ou triagem neonatal sugestiva de comprometimento. Descreveram-se dois casos de diabete melito tipo 1, com possível envolvimento do vírus Zika como fator ambiental desencadeando autoimunidade.
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