Eficácia e segurança dos tratamentos utilizando exercícios para síndrome das pernas inquietas: revisão sistemática

Nenhuma Miniatura disponível
Data
2013-12-20
Autores
Callegari, Marilia Rezende [UNIFESP]
Orientadores
Prado, Gilmar Fernandes do [UNIFESP]
Tipo
Dissertação de mestrado
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Resumo
Introdução. A atividade física no tratamento da SPI chega a ser intuitiva, pois os pacientes naturalmente buscam a realização de movimentos, principalmente com as pernas, no intuito de reduzir os sintomas. Apesar de não existirem muitos experimentos clínicos que avaliem a eficiência do exercício no tratamento da SPI, os estudos em geral afirmam que uma quantidade moderada de exercícios é indicada para alívio dos sintomas. A associação entre a atividade física e os sintomas, bem como critérios de indicação e a forma de se administrar exercícios no tratamento da SPI, ainda não estão estabelecidos, isoladamente ou combinados ao tratamento farmacológico. A finalidade deste estudo foi verificar, através de uma revisão sistemárica, se há evidências científicas que permitam a recomendação da atividade física como tratamento não farmacológico para a SPI, e secundariamente sua segurança e efeitos adversos. MÉTODO. Realizou-se uma revisão sistemática da literatura de ensaios clínicos randomizados ou quasi-randomizados sobre a utilização de exercícios físicos no tratamento da SPI. Consideraram-se estudos com pacientes portadores de SPI independente de causa primária ou secundária do distúrbio, diagnosticados através dos Critérios Clínicos Diagnósticos do Grupo de Estudo Internacional da Síndrome das Pernas Inquietas. Foi utilizada a metanálise como método estatístico para integrar os resultados dos estudos selecionados. Resultados. Apenas três estudos preencheram corretamente os critérios de inclusão e foram analisados. Em dois artigos, Aukerman et al. e Sakkas et al., o desfecho principal avaliado foi a melhora na gravidade dos sintomas da SPI através da escala do IRLSSG, permitindo a realização de metanálise. A síntese dos dados demonstrou haver uma redução significante no índice de gravidade da SPI. No entanto, mesmo reunindo pacientes de dois estudos, ainda não se obteve número suficiente de participantes para podermos afirmar com segurança que o efeito da atividade física é benéfico no tratamento da SPI. Conclusão. Com base nos resultados obtidos nesta revisão sistemática, não é possível se indicar os exercícios físicos de maneira segura, para o tratamento da SPI. Os estudos primários encontrados apresentam moderado a alto risco de viés, principalmente pelo pequeno número de participantes, problemas com a randomização e cegamento dos pacientes. A decisão de se recomendar a prática de exercício físico a um paciente com SPI deverá ficar a cargo do médico responsável pelo cuidado e também do paciente e suas variáveis clínicas e psicológicas.
INTRODUCTION. Physical activity is an intuitive treatment for RLS, as patients will naturally seek movement—particularly lower limb movement—in an attempt to relieve their symptoms. Although few clinical experiments have assessed the efficiency of exercise in RLS management, studies have shown that moderate physical activity is indicated for symptom relief. The association between physical activity and symptoms, the criteria for indication of exercise, and the manner in which exercise should be prescribed for management of RLS—whether alone or in combination with pharmacotherapy—have yet to be established. This systematic review sought to ascertain whether the current evidence base supports a recommendation of physical activity as a nonpharmacological measure for management of RLS. As a secondary objective, the safety and adverse effect profile of physical exercise in RLS patients is reviewed. METHODS. This was a systematic review of randomized or quasirandomized clinical trials of physical exercise in the management of RLS. Studies of patients meeting the International Restless Legs Syndrome Study Group (IRLSSG) Diagnostic Criteria, regardless of whether RLS was primary or secondary, were considered. The meta-analysis method was used to integrate the results of the selected studies. RESULTS. Only three trials met all of the inclusion criteria and were thus selected for analysis. In two articles, Aukerman et al. and Sakkas et al., the main outcome measure was improvement in the severity of RLS symptoms as assessed by the IRLSSG scale, thus enabling meta-analysis. A synthesis of data showed a significant reduction in RLS severity scores. Nevertheless, despite pooling patients from two trials, the sample size was not sufficient to safely state that physical activity has a beneficial effect in RLS. CONCLUSION. On the basis of the results of this systematic review, physical exercise cannot be safely recommended for the management of RLS. The primary studies assessed exhibited a moderate to high risk of bias, particularly due to small sample sizes and issues involving randomization and blinding of participants. Therefore, the decision to recommend physical exercise in the setting of RLS should be made at the discretion of the treating physician and of the patient, and should take into account the patient’s clinical and psychological variables.
Descrição
Citação
CALLEGARI, Marilia Rezende. Eficácia e segurança dos tratamentos utilizando exercícios para síndrome das pernas inquietas: revisão sistemática. 2013. Dissertação (Mestrado) - Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo, 2013.