Itinerários terapêuticos de usuário de um CAPS infantojuvenil e práticas de saúde de seu território: um estudo de caso

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Data
2020-10-09
Autores
Silva, Alexandre Morais Da [UNIFESP]
Orientadores
Jurdi, Andrea Perosa Saigh [UNIFESP]
Tipo
Dissertação de mestrado profissional
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Resumo
Child and adolescent mental health care in the Brazilian Unified Health System (SUS) is faced with the challenge of the split between scientific and popular knowledge, in addition to frequently being impacted by the medicalization process of society. This work started from the premise that the community adopts a varied range of health practices and the knowledge of the path in search of solutions from different sources, from the point of view of the users, offers conditions to understand the gaps between their needs and the possibilities in a given socio-cultural context, in this case a peripheral neighborhood in the host city of one of the metropolitan regions of the state of São Paulo. This qualitative research is a socio-anthropological study whose main objective is to investigate, through Therapeutic Itineraries, the health practices sought or adopted by the family of an eleven- year-old child, user of a child mental health service in Santos, Brazil. The ethnographic practice related to the production of the data took place from July/2019 to March/2020; had as main instrument of the research the participant observation with the fourteen local community agents, and later with the mother, the maternal grandmother and Pedro, the participant boy. In a complementary way, semi-structured interviews were conducted with the child's mother and the coordinator of the primary healthcare unit. Pedro's journey revealed connections between his needs (met by different knowledge practices) and those of other children in his environment; there were several popular health practices, such as daily care, provided by people in the support network, involving resources such as popular herbal medicine, the massive use of electronic devices and self-medication. Healing practices related to spirituality, among others of traditional knowledge, have shown greater dominance among older people and have suffered impacts due to greater access to biomedical resources recently. In terms of professional mental health practices for children, the trend towards specialized care by looking for doctors and psychologists was verified, with a tendency towards medicalizing practices; the community's interest in alternative health practices and lack of information regarding the forecast of the provision of integrative and complementary practices by SUS were found. This research identified desired and not accessible practices and proposes that they start to be categorized, in the studies of Therapeutic Itinerary, as latent possibilities of care.
O cuidado em saúde mental infantojuvenil no Sistema Único de Saúde (SUS) se depara com o desafio da cisão entre os saberes científico e popular, além de frequentemente sofrer impactos do processo de medicalização da sociedade. Este trabalho partiu da premissa que a comunidade adota uma variada gama de práticas de saúde e o conhecimento do percurso em busca de soluções em variadas fontes, do ponto de vista dos usuários, oferece condições para compreender as lacunas entre suas necessidades e as possibilidades em um dado contexto sociocultural, no caso um bairro periférico da cidade sede de uma das regiões metropolitanas do estado de São Paulo. Esta pesquisa qualitativa é um estudo socioantropológico cujo objetivo principal visa investigar, por meio dos Itinerários Terapêuticos, as práticas de saúde buscadas ou adotadas pela família de uma criança de onze anos de idade, usuária de um Centro de Atenção Psicossocial infantojuvenil (CAPSij) em Santos/SP. A prática etnográfica relativa à produção dos dados ocorreu no período de julho/2019 a março/2020; teve como principal instrumento da pesquisa a observação participante com os quatorze agentes comunitários locais e, posteriormente, com a mãe, a avó materna e Pedro, o menino participante. De modo complementar, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com a mãe da criança e a coordenadora da unidade de saúde da família (USF). O percurso de Pedro revelou conexões entre suas necessidades (atendidas por práticas de conhecimentos distintos) e as de outras crianças de seu meio; constataram-se variadas práticas populares de saúde, como cuidados cotidianos, proporcionados por pessoas da rede de apoio, envolvendo recursos como a fitoterapia popular, o uso massivo de aparelhos eletrônicos e automedicação. As práticas de cura relacionadas à espiritualidade, entre outras de conhecimentos tradicionais, mostraram-se de maior domínio entre as pessoas mais velhas e têm sofrido impactos decorrentes do maior acesso aos recursos biomédicos recentemente. Em termos das práticas profissionais de saúde mental para crianças, a tendência ao cuidado especializado pela procura de médicos e psicólogos foi verificada, com tendência a práticas medicalizantes; foi constatado o interesse da comunidade sobre práticas alternativas de saúde e falta de informação a respeito da previsão de oferta de práticas integrativas e complementares (PIC's) pelo SUS. Esta pesquisa identificou práticas desejadas e não acessíveis e propõe que passem a ser categorizadas, nos estudos de Itinerários Terapêuticos, como possibilidades latentes de cuidado.
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