Corpo e imagem na filosofia de Jean-Luc Nancy
Data
2023-04-17
Tipo
Tese de doutorado
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Resumo
Com esta tese busca-se interpretar as relações entre o conceito de corpo e imagem e demonstrar
como a superação do pensamento representativo da filosofia ocidental abre passagem de uma
“ontologia dos corpos” a uma “ontoestética” em Jean-Luc Nancy. Para tanto, dividimos nosso
percurso em quatro momentos: a desconstrução em Derrida e sua herança nanciana, a
desconstrução do sentido e do sujeito, a desconstrução da comunidade, e a desconstrução do
corpo e da imagem. No primeiro, lançamos as bases para a compreensão do termo
“desconstrução”, mostrando que ela não é um movimento de destruição desestabilizador, mas
uma “prática” impraticável que visa o desmantelamento das oposições filosóficas e das
hierarquias através das quais elas foram estabelecidas. Interrogamo-nos sobre o futuro da
desconstrução, e, usando uma abordagem desconstrucionista na leitura de alguns tropos
filosóficos como “a” fronteira e “a” mulher, introduzimos Jean-Luc Nancy como interlocutor
privilegiado de Derrida e “sujeito” desta tese. No segundo momento, observamos que não
existe, em Nancy, um sentido por vir, teleológico ou escatológico que reenvia a alguma coisa
fora do mundo que nos redime, mas o sentido está no mundo, em nosso ser afetado pelo outro
e vice-versa. O sentido é a presença que se expõe entre e com as outras em cada golpe fortuito
que a faz existir na sua transimanência. Nós existimos somente enquanto comparecemos uns
ante os outros no limite que nos separa. Limite que não é nada de próprio nem possui qualquer
teor ontológico, mas permite o diferenciar-se das bordas das singularidades. É a partir dessas
bordas liminares que se tornará possível pensar outro conceito de identidade que não mais se
feche em suas jaulas existenciais. Isso nos levou ao terceiro momento, onde mostramos como
o movimento da desconstrução toma “corpo” em Nancy através do alvo da comunidade. A
desconstrução desse termo com suas derivas totalitárias indicará a exigência, a paixão e a pulsão
sempre viva que ele esconde, ou seja, nosso “ser com”. Veremos que é a partir da ultrapassagem
da “imanência saturada” e fechada em si que se pode pensar nosso ser estático como “com”.
No quarto momento, analisamos o conceito de Corpus como excrição que rompe com o corpo
da fenomenologia tornando-se matéria espaçada e extensa que apela, convoca com suas bordas
excêntricas e comparece como imagem que não representa, mas expõe. Dito isso, chegamos ao
núcleo da tese onde se pretende demonstrar como o corpo e a imagem enquanto expostos, peles
e superfícies podem desvelar novos cenários de partilha de sentido sem o reenvio a nenhuma
interioridade ou transcendência, mostrando nosso ser-com e abrindo para uma “comunidade
das peles”.