Dispneia e seus descritores qualitativos em pacientes com pneumonia por covid-19

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Data
2024-06-10
Autores
Silva, Tatiana Garcia [UNIFESP]
Orientadores
Ramos, Roberta Pulcheri [UNIFESP]
Tipo
Dissertação de mestrado
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Resumo
Introdução: Pacientes hospitalizados com pneumonia por covid-19 frequentemente desenvolvem a forma grave da doença com comprometimento significativo do parênquima pulmonar e hipoxemia, mas muitos não apresentam dispneia ao serem admitidos. Esta disparidade sugere uma complexidade na percepção da dispneia, envolvendo interações entre diversos sistemas. Embora alguns pacientes possam realmente apresentar uma redução na sensação de dispneia, acreditamos que o sintoma pode estar subestimado na literatura devido a diferentes expressões dos pacientes, destacando a utilidade da análise qualitativa da dispneia, inclusive na avaliação de resposta a intervenções. Objetivos: Avaliar a frequência de dispneia em pacientes com pneumonia por covid-19 internados em ambiente de enfermaria e unidade de terapia intensiva, assim como a frequência relativa de descritores qualitativos que indiquem avidez por ar ou aumento do esforço respiratório; avaliar a associação entre dispneia e alterações de trocas gasosas; avaliar as modificações de descritores qualitativos de dispneia após posição prona em pacientes não entubados com covid-19. Métodos: Trata-se de estudo de coorte prospectivo, com intervenção, realizado no Hospital São Paulo, no período de Novembro de 2020 a Fevereiro de 2021. Foram coletados dados sociodemográficos, análises da gasometria arterial e questionário de dispneia. Resultados: 79 pacientes foram incluídos no estudo (58% sexo masculino; 55 ± 14 anos), sendo que 77 (97%) necessitaram de suplementação de oxigênio ao chegarem ao pronto-socorro. Adicionalmente, 14 (17,7%) pacientes não apresentaram relato de "falta de ar" no momento da admissão hospitalar, porém 1/3 destes referiram outros descritores relacionados à dispneia. Os descritores qualitativos mais frequentes na amostra total foram aqueles relacionados à avidez por ar, enquanto o aumento do trabalho ventilatório foi mais frequentemente relatado pelos pacientes com “falta de ar” na admissão. Observou-se redução significativa na frequência do relato de dispneia na posição prona em comparação com a posição supina (34% versus 87%, p < 0,001). Regressão logística identificou que persistência de dispneia do tipo trabalho ventilatório após posição prona foi um fator independente na predição da necessidade de UTI. Conclusão: Dispneia é um sintoma comum em pacientes internados por covid-19 e a adoção da posição prona pode melhorar os parâmetros clínicos e funcionais relacionados a este sintoma. A persistência de descritores ligados ao aumento do esforço respiratório pode indicar fadiga respiratória com implicações prognósticas importantes.
Introduction: Hospitalized patients with covid-19 pneumonia often develop severe disease with significant compromise of lung parenchyma and hypoxemia, yet many do not present with dyspnea upon admission. This disparity suggests a complexity in dyspnea perception, involving interactions among various systems. While some patients may experience a reduction in dyspnea sensation, we believe the symptom may be underestimated in the literature due to different patient expressions, highlighting the utility of qualitative dyspnea analysis, including in assessing response to interventions. Objectives: To evaluate the frequency of dyspnea in patients with covid-19 pneumonia admitted to ward and intensive care unit settings, as well as the relative frequency of qualitative descriptors indicating air hunger or increased work of breathing; to assess emotional aspects associated with dyspnea in covid-19 patients; to evaluate the association between dyspnea and gas exchange abnormalities; to assess changes in qualitative dyspnea descriptors after prone positioning in non-intubated covid-19 patients. Methods: This is an interventional prospective cohort study conducted at Hospital São Paulo from November 2020 to February 2021. Sociodemographic data, arterial blood gas analyses, and dyspnea questionnaire were collected. Results: 79 patients were included in the study (58% male; mean age 55 ± 14 years), with 77 (97%) requiring oxygen supplementation upon emergency department arrival. Additionally, 14 (17.7%) patients did not report "shortness of breath" upon hospital admission, but one-third of these reported other dyspnea-related descriptors. The most frequente qualitative descriptors in the total sample were those related to air hunger, while increased work of breathing was more frequently reported by patients with "shortness of breath" at admission. There was a significant reduction in the frequency of dyspnea reporting in prone position compared to supine position (34% vs. 87%, p < 0.001). There was also a significant reduction in negative emotions (sadness, anxiety, frustration, anger, and fear) after 2 hours in the prone position. Logistic regression identified increased work of breathing after prone positioning as an independent predictor of ICU need. Conclusion: Dyspnea is a common symptom in hospitalized covid-19 patients, and prone positioning may improve clinical and functional parameters related to this symptom. Persistence of descriptors related to increased work of breathing may indicate respiratory fatigue with important prognostic implications.
Descrição
Citação
SILVA, Tatiana Garcia. Dispneia e seus descritores qualitativos em pacientes com pneumonia por covid-19. 2024. 58 f. Dissertação (Mestrado em Pneumologia) - Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). São Paulo, 2024.