Avaliação das atividades sinérgicas de diferentes combinações antimicrobianas contra Acinetobacter Baumannii resistente aos carbapenêmicos

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Data
2023-09-26
Autores
Chikahni, Yohanna Carvalho dos Santos Aoun [UNIFESP]
Orientadores
Gales, Ana Cristina [UNIFESP]
Tipo
Dissertação de mestrado
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Resumo
Acinetobacter baumannii resistente aos carbapenêmicos (CRAB) é um patógeno reconhecido por causar infecções graves relacionadas a altos índices de morbidade e mortalidade. As opções terapêuticas para tratamento de infecções causadas por CRAB são escassas, tornando por diversas vezes a polimixina B a principal terapia antimicrobiana. Durante a pandemia por COVID-19, presenciou-se um desabastecimento mundial de polimixina B, evidenciando a necessidade por alternativas terapêuticas para o tratamento de infecções causadas por CRAB. Nesse contexto, o objetivo deste estudo foi avaliar a atividade de diferentes combinações de antimicrobianos contra isolados CRAB recuperados durante a pandemia por COVID19. Foram selecionados 28 isolados (aspirado traqueal, n= 20; hemocultura, n= 8) recuperados de 24 pacientes que apresentaram co-infecção por SARS-CoV-2 e CRAB, hospitalizados nasUnidades de Terapia Intensiva do Hospital São Paulo,entre maio e julho de 2021. Os micro-organismos foram identificados por MALDI-TOF MS, o teste de sensibilidade aos antimicrobianos foi realizado seguindo as recomendações do BrCAST/EUCAST, e a detecção de genes codificadores de carbapenemases foi realizada por PCR convencional. Para avaliação da relação genética entre os isolados de CRAB foi realizada a técnica de eletroforese em campo pulsado (PFGE). O sequenciamento completo do genoma (WGS) foi realizado por Illumina MiSeq para um representante de cada padrão clonal encontrado. A atividade das combinações entre i. meropenem com tigeciclina; ii. meropenem com ampicilina-sulbactam; iii. tigeciclina com ampicilina-sulbactam; e iv. meropenem com tigeciclina e ampicilinasulbactam, foi avaliada inicialmente pela técnica de checkerboard. As combinações que apresentaram sinergismo parcial ou sinergismo, foram submetidas ao ensaio curva de morte bacteriana. Os isolados apresentaram um fenótipo de multirresistência e todos apresentaram o gene blaOXA-51, 67,8% carreavam blaOXA-23 e 46,4% carreavam blaOXA-72. Aproximadamente, 17,85% dos isolados carreavam blaOXA-23 e blaOXA-72. Quanto à similaridade genética, foram observados cinco padrões, com a maioria dos isolados distribuída em dois padrões predominantes (padrão A, n= 14; padrão D, n= 7). A partir do WGS, foi possível inferir os STs correspondentes e correlacionar com as variantes do gene blaOXA-51, sendo que cada padrão (A, B, C, D e E) correspondeu aos STs 79 (OXA-65), 162 (OXA-51), 730* (OXA-65), 730 (OXA-65) e 1 (OXA-69), respectivamente. Pela técnica de checkerboard foi possível observar que a associação de tigeciclina com meropenem apresentou sinergismo parcial frente a cinco isolados testados. Em contrapartida, as combinações de meropenem com ampicilina/sulbactam, e tigeciclina com ampicilina/sulbactam foram indiferentes para todos os isolados testados. A combinação de meropenem com tigeciclina e com ampicilina-sulbactam apresentou efeito sinérgico para todos os isolados testados. No ensaio de curva de morte bacteriana, a combinação de meropenem com tigeciclicina apresentou sinergismo apenas em um isolado e antagonismo para três isolados. Já a combinação de meropenem com tigeciclina e ampicilina-sulbactam apresentou sinergismo contra três isolados. Com base nos resultados obtidos, observou-se uma maior frequência de isolados do ST 79 e a melhor atividade da combinação meropenem com tigeciclina e ampicilina-sulbactam contra isolados de CRAB.
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