Doença de Bowen: estudo comparativo entre receptores de transplante renal e indivíduos imunocompetentes

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Data
2023-05-25
Autores
Hayashida, Marina Zoéga [UNIFESP]
Orientadores
Tomimori, Jane [UNIFESP]
Tipo
Tese de doutorado
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Resumo
A Doença de Bowen é um carcinoma espinocelular (CEC) in situ, isto é, uma lesão exclusivamente intraepidérmica, mas que pode evoluir para CEC invasivo, com 20% de chances de disseminação metastática. A patogênese do câncer de pele nos receptores de transplante renal (RTRs) é multifatorial, envolvendo o grau de imunossupressão ao qual esses pacientes são submetidos, efeitos carcinogênicos diretos de medicamentos imunossupressores, infecção por papilomavírus humano (HPV), exposição à luz ultravioleta, fototipos baixos, idade avançada e predisposição genética. O câncer de pele não melanoma (CPNM) nos RTRs mostra-se biologicamente mais agressivo e com maior potencial de metástases, quando comparado ao câncer de pele em pacientes imunocompetentes. Há poucos estudos que comparam os achados histopatológicos de CPNM entre pacientes imunocompetentes e RTRs. As alterações histológicas são importantes, pois podem auxiliar a promover avanços nas diretrizes de terapêutica, oferecer informações em relação ao padrão de evolução dos CECs nos imunocomprometidos e, mais do que isso, sugerir possíveis alterações nas terapias de antirrejeição e quimioprevenção. O objetivo deste trabalho foi caracterizar a doença de Bowen nos receptores de transplante renal (RTRs) e indivíduos imunocompetentes (IC), do ponto de vista epidemiológico, clínico e histopatológico; comparar o quadro clínico e histopatológico da doença de Bowen; analisar o comportamento dos marcadores imuno-histoquímicos Bcl-2, Ki-67, p53, CK-17 e p16 nas populações estudadas. Este estudo foi uma análise retrospectiva com consulta dos prontuários dos dois grupos de pacientes (IC e RTR), análise de material histopatológico corado por hematoxilina-eosina (HE), resultante de biópsia por ocasião do diagnóstico, e também contou com uma análise imuno-histoquímica prospectiva das mesmas lâminas de HE de doença de Bowen. Foram incluídos 103 RTR e 250 IC, e a média de idade ao primeiro diagnóstico de doença de Bowen foi de 58,1 anos nos RTRs versus 71,0 anos no grupo de ICs. Houve, predominância do sexo masculino nos RTRs. Ambos os grupos predominavam fotipos de pele baixos, mas os altos foram mais frequentes nos RTRs. O número de lesões de doença de Bowen foi maior nos RTRs e o tempo de aparecimento entre o primeiro e o segundo tumor foi menor nos RTRs. As lesões de doença de Bowen foram predominantes nas áreas de pele expostas ao sol em ambas as populações, mas ainda maior nos RTRs. Na análise histopatológica, em todos os casos, observou se que o tumor se encontrava restrito à epiderme; os ICs apresentaram maior densidade do infiltrado inflamatório dérmico; os RTRs apresentaram maior quantidade de atipias celulares, tanto disqueratose como núcleos aberrantes; e maior quantidade de lesões com infiltrado inflamatório dérmico escasso no grupo RTRs. Na análise imuno-histoquímica, o Bcl-2 teve marcação nuclear e citoplasmática do tumor, em ambas as populações, sendo maior nos RTRs e o p16 apresentou maior marcação nos pacientes com antecedente de verrugas virais em ambos os grupos. Não houve diferenças de imunomarcação para p53, Ki-67 e CK-17.
Bowen's disease is a squamous cell carcinoma (SCC) in situ since it is an exclusively intraepidermal lesion, but it can progress to invasive SCC, with a 20% chance of metastatic dissemination. The pathogenesis of skin cancer in renal transplant recipients (RTRs) is multifactorial, involving the degree of immunosuppression to which these patients are subjected, direct carcinogenic effects of immunosuppressive drugs, human papillomavirus (HPV) infection, exposure to ultraviolet light, skin phototypes low, advanced age and genetic predisposition. Non-melanoma skin cancer (NMSC) in RTRs is biologically more aggressive and has a greater potential for metastases, when compared to skin cancer in immunocompetent patients. Few studies are comparing the histopathological findings of NMSC between immunocompetent patients and RTRs. Histological changes are important, as they can help to promote advances in therapeutic guidelines, provide information regarding the pattern of evolution of SCCs in immunocompromised patients and, more than that, suggest possible changes in anti-rejection and chemoprevention therapies. The objective of this study was to characterize Bowen's disease in renal transplant recipients (RTRs) and immunocompetent individuals (IC), from an epidemiological, clinical, and histopathological point of view; to compare the clinical and histopathological features of Bowen's disease; to analyze the behavior of immunohistochemical markers Bcl-2, Ki-67, p53, CK-17 and p16 in the populations studied. This study was a retrospective analysis with the consultation of the medical records of the two groups of patients (IC and RTR), analysis of histopathological material stained with hematoxylin-eosin (HE), resulting from biopsy at the time of diagnosis, and also had an immunological analysis. prospective histochemistry of the same Bowen disease HE slides. 103 RTRs and 250 CIs were included, and the mean age at first diagnosis of Bowen's disease was 58.1 years in the RTRs versus 71.0 years in the CI group. The frequency of males in RTR group was higher. Both groups predominated low skin phototypes, but higher were more frequent in RTRs. The number of Bowen disease lesions was higher in the RTRs and the time to onset between the first and second tumors was shorter in the RTRs. Bowen's disease lesions were predominant in sun-exposed skin areas in both populations but even higher in RTRs. In the histopathological analysis, in all cases it was observed that the tumor was restricted to the epidermis; ICs showed a higher density of dermal inflammatory infiltrate; the RTRs showed a greater amount of cellular atypia, both dyskeratosis and aberrant nuclei; and a greater number of lesions with scarce dermal inflammatory infiltrate in the RTRs group. In the immunohistochemical analysis, Bcl-2 had nuclear and cytoplasmic staining of the tumor in both populations, being higher in RTRs and p16 showed greater staining in patients with a history of viral warts in both groups. There were no immunostaining differences for p53, Ki-67, and CK-17.
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