Parâmetros pélvicos, postural global, equilíbrio sagital e a neoformação óssea em coluna vertebral de pacientes com espondilite anquilosante

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Data
2022-12-13
Autores
Oliveira, Thauana Luiza de [UNIFESP]
Orientadores
Pinheiro, Marcelo de Medeiros [UNIFESP]
Tipo
Tese de doutorado
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Resumo
Objetivos: Comparar os parâmetros pélvicos (Incidência pélvica – IP, versão pélvica – VP e inclinação sacral – IS) de pacientes com espondilite anquilosante (EA) com diferentes intensidades de neoformação óssea na coluna vertebral (CV) e correlacioná-la com parâmetros de equilíbrio sagital e postura global. Além disso, desenvolver um escore global ASPeCTS (Axial SPondyloarthritis Computerized Tomography Score) para avaliar a neoformação óssea da CV total. Métodos: Um total de 117 pacientes com EA foram incluídos nesse estudo transversal. Realizaram a tomografia computadorizada de baixa dose de radiação (TC-bd) para quantificação da neoformação óssea da CV, bem como o EOS para obtenção do eixo vertical sagital – EVS, ângulo espinossacral – AES, dos parâmetros pélvicos e das medidas das curvaturas cervical, torácica e lombar. A categorização da intensidade da neoformação óssea foi usada para classificar os pacientes em três grupos principais: 1- Até 24,9%, 2- 25 a 50,9% e 3- 51% ou mais, independente da topografia de cada compartimento e segmento da CV total. Resultados: As médias de idade e tempo de doença foram 50,9±11,1 e 21,1±9,68 anos, respectivamente. A maior parte dos pacientes estavam nos grupos 1 (n=55, 47%) e 3 (n=46, 39,3%). Não houve correlação significativa entre os valores de IP e a intensidade da neoformação óssea. Em contrapartida, houve correlação entre a magnitude da neoformação óssea total, independentemente da topografia anterior ou posterior, com a VP (r=0,507 a 0,541; p<0,001) e com o incremento da cifose torácica (r=0,607 a 0,625; p<0,001), perda de lordose lombar (r=-0,536 a -0,577; p<0,001) e aumento do EVS (r=0,547 a 0,570, p<0,001), bem como redução do AES (r=-0,421 a -0,687; p<0,001). Observou-se, ainda, diferença significativa entre as médias de ganho de cifose torácica entre os grupos 1, 2 e 3 (11,0±12,76°; 22,13±14,15° e 35,12±15,15°, respectivamente) enquanto a diferença entre as médias de perda de lordose lombar foi significativa apenas entre os grupos 1 e 2 quando comparados ao grupo 3 (-1,09±9,83°, -4,94±17,12°, -18,48±15,31°, respectivamente). Em análise multivariada, verificou-se que o aumento de um grau na IS acarreta o aumento médio de 2,39mm no EVS, enquanto o aumento de um grau na VP acarreta uma redução média de 0,86 mm no EVS. Já o aumento de um grau de cifose T1-T12 e de lordose L1-S1, além do que seria a esperada pela IP, acarreta um aumento médio de 0,92 mm e a uma redução média de 2,79mm de EVS, respectivamente. Conclusões: Esse é o primeiro estudo a detalhar os parâmetros pélvicos, de postural global e equilíbrio sagital em pacientes com EA por meio do EOS, evidenciando correlação entre o incremento da neoformação óssea e o desequilíbrio sagital. Foi observado ganho de cifose torácica em grupo de intensidade intermediária de neoformação, mesmo antes de perda significativa de lordose lombar, quando comparado ao grupo com maior intensidade de neoformação óssea. O escore ASPeCTS é o primeiro a avaliar globalmente a neoformação óssea da CV total de pacientes EA, com excelente reprodutibilidade entre os leitores e em todos os segmentos e compartimentos da CV.
Objectives: To compare the pelvic parameters (Pelvic Incidence – PI, Pelvic Tilt – PT and Sacral Slope – SS) of patients with ankylosing spondylitis (AS) classified according to the intensity of structural damage in spine and to correlate it with the sagittal balance and global posture parameters. To develop the ASPeCTS score (Axial SPondyloarthritis Computerized Tomography Score), which assesses total spine structural damage, including the anterior and posterior compartments. Methods: A total of 117 AS patients were included in this cross-sectional study. All of them underwent low-radiation-dose computed tomography (ld-CT) to assess structural damage of the anterior and posterior segments of the total spine, as well as EOS imaging to obtain measurements of sagittal vertical axis (SVA), spino-sacral angle, pelvic parameters and spinal curvatures. Patients were categorized into three main groups according to the intensity of structural damage quantified using ASPeCTS methodology: 1- up to 24.9%, 2- 25 to 50.9% and 3- 51% or more. Results: Mean age and disease duration were 50.9±11.1 years-old and 21.1±9.68 years, respectively. Most patients were in groups 1 (n=55, 47%) and 3 (n=46, 39.3%). There was no significant correlation between PI values and the intensity of structural damage. On the other hand, there was a correlation between the magnitude of total structural damage, regardless of anterior or posterior topography, with PT (r=0.507 to 0.541; p<0.001) and with the increase in thoracic kyphosis (r=0.607 to 0.625; p< 0.001), loss of lumbar lordosis (r=-0.536 to -0.577; p<0.001) and increase in SVA (r=0.547 to 0.570, p<0.001), as well as reduction of spino-sacral angle (r=-0.421 to -0.687; p<0.001). There was also a significant difference between the means of increment in thoracic kyphosis between groups 1, 2 and 3 (11.0±12.76°; 22.13±14.15° and 35.12±15.15°, respectively) while the difference between the means of loss of lumbar lordosis was significant only between groups 1 and 2 when compared to group 3 (-1.09±9.83°, -4.94±17.12°, -18.48±15.31°, respectively). In a multivariate analysis, it was found that the increase of one degree in the SS leads to an average increase of 2.39mm in SVA, while the increase of one degree in the PT causes an average reduction of 0.86mm in SVA. On the other hand, increasing one degree of T1-T12 kyphosis and L1-S1 lordosis, in relation to the values expected for the patient from his PI, leads to an average increase of 0.92mm and an average reduction of 2.79mm of SVA, respectively. Conclusions: This is the first study to detail the pelvic, global posture and sagittal balance parameters in patients with AS using EOS, showing a correlation between the intensity of structural damage and sagittal imbalance. An increment in thoracic kyphosis without a significant loss of lumbar lordosis was observed in the group with an intermediate intensity when compared to the group with the highest intensity of structural damage. The ASPeCTS score is the first one to globally assess total spine structural damage in AS patients, with excellent reproducibility among readers and in all spinal segments and compartments.
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