Avaliação dos efeitos da ovariectomia sobre parâmetros metabólicos e comportamentais em ratas

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Data
2020-02-19
Autores
Boldarine, Valter Tadeu [UNIFESP]
Orientadores
Ribeiro, Eliane Beraldi [UNIFESP]
Tipo
Tese de doutorado
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Resumo
A menopausa é frequentemente acompanhada de obesidade visceral, bem como de alterações metabólicas e comportamentais ainda não totalmente esclarecidas. Além disso, a ingestão de alto teor de gordura pode influenciar os efeitos da menopausa. Utilizamos um modelo de ratas ovariectomizdas a fim de explorar esses aspectos. Inicialmente, estudamos os efeitos da ovariectomia, aliada ou não a uma dieta rica em gordura e à reposição de estradiol, nos parâmetros hormonais, metabólicos e comportamentais, para explorar a conexão entre obesidade e depressão após a menopausa. Ratas Wistar foram submetidas à ovariectomia ou falsa cirurgia e alimentadas com dieta controle ou rica em banha de porco por doze semanas. Subgrupos de ratas ovariectomizadas receberam reposição de estradiol. Os comportamentos de tipo depressivo foram avaliados pelo teste de natação forçada e a atividade locomotora foi avaliada pelo teste de labirinto em cruz elevado. A ovariectomia aumentou o ganho de peso corporal e a eficiência alimentar e induziu hiperleptinemia e intolerância à glicose, enquanto aumentou a ingestão calórica e a adiposidade corporal apenas marginalmente. A ingestão de dieta rica em gordura induziu obesidade e, quando admistrada aos animais ovariectomizados, acentuou as alterações causadas pela ovariectomia. A reposição de estradiol atenuou as alterações hormonais apenas em ratas alimentadas com dieta controle. Em conclusão, a ovariectomia combinada à ingestão de dieta hiperlipídica induziu comportamentos de tipo depressivo, que foram atenuados marginalmente pelo estradiol. Estes comportamentos foram associados a parâmetros metabólicos e de composição corporal e ao status do estrogênio. Os dados indicam que a vulnerabilidade ao desenvolvimento de depressão após a menopausa é influenciada pela ingestão de alto teor de gordura. Com o objetivo de explorar as consequências da insuficiência ovariana sobre a gordura visceral, avaliamos os efeitos da ovariectomia e reposição de estrogênio no proteoma/fosfoproteoma e no perfil de ácidos graxos do tecido adiposo retroperitoneal (RET) de ratas. Para esta investigação, foram analisadas 18 ratas alimentadas com dieta controle, sendo 6 falso-ovariectomizadas, 6 ovariectomizadas e 6 com reposição hormonal. As amostras de RET foram analisadas por cromatografia líquida acoplada a espectrômetro de massas em viii tandem (LC-MS/MS) e as proteínas diferencialmente expressas/fosforiladas foram submetidas à análise de vias metabólicas. O perfil lipídico do RET foi analisado por cromatografia gasosa. A ovariectomia induziu alta adiposidade e resistência à insulina e alterou o padrão de expressão proteica, promovendo sub-expressão de 42 proteínas e super-expressão de 49 proteínas. Noventa e seis proteínas (106 peptídeos) foram diferencialmente fosforiladas, com diminuição da fosforilação de 39 peptídeos e aumento da fosforilação de 67 peptídeos. A análise de vias mostrou que 5 vias foram afetadas significantemente pela ovariectomia, a saber, metabolismo de lipídios (incluindo metabolismo de ácidos graxos e β-oxidação mitocondrial de ácidos graxos), biossíntese de acil-CoA graxa, sistema imunológico inato (incluindo degranulação de neutrófilos), metabolismo de vitaminas e cofatores e integração do metabolismo energético (incluindo expressão de genes do metabolismo ativada por ChREBP ). A análise do perfil lipídico mostrou aumento do teor dos ácidos palmítico e palmitoleico. A análise dos dados indicou que a ovariectomia favoreceu a lipogênese enquanto prejudicou a oxidação dos ácidos graxos e induziu um estado pró-inflamatório no tecido adiposo visceral. Esses efeitos são consistentes com os achados de alta adiposidade, hiperleptinemia e diminuição da sensibilidade à insulina. As alterações observadas foram parcialmente atenuadas pela reposição de estradiol. Os dados indicam que distúrbios do metabolismo lipídico no tecido adiposo visceral desempenham um papel relevante na gênese da obesidade após a menopausa. Os dados obtidos nos presentes estudos sugerem que o controle do peso é uma questão crucial em mulheres na pós-menopausa, provavelmente tendo um papel benéfico na prevenção de problemas de saúde mental e as consequências deletérias do acúmulo de gordura visceral
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