O uso do ultrassom como ferramenta de diagnóstico e manejo de lesões musculares nos clubes de futebol profissional do Brasil

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Data
2022
Autores
Ribeiro, Rafael Peloso Reis [UNIFESP]
Orientadores
Yamada, Andre Fukinishi [UNIFESP]
Tipo
Dissertação de mestrado
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Resumo
Introdução: o futebol brasileiro encontra-se em meio a grandes transformações. Todos os anos, atletas e equipes superam seus limites de jogos na temporada, com um aumento expressivo do tempo em campo e o consequente crescimento do número de lesões musculares. Objetivo: esta pesquisa objetivou a avaliação do uso do ultrassom como método de diagnóstico e de manejo de lesões musculares nos clubes de futebol profissional do Brasil. Métodos: foi aplicado um questionário on- line, por meio de um link via e-mail, contendo nove perguntas sobre lesão muscular. Este foi direcionado aos médicos brasileiros dos 62 clubes de futebol profissional que disputaram os Campeonatos Paulista e Brasileiro do ano de 2021. As questões incluíram não somente o tipo de exame de imagem, solicitado para diagnóstico de lesões musculares, mas também sobre como o ultrassom tem sido utilizado nos clubes. Foram incluídas igualmente variáveis, como intervalo de tempo para realização do exame, local, controle ecográfico da lesão, utilização do ultrassom como ferramenta de retorno e uso de classificações para graduação. Resultados: ao todo, 106 médicos responderam ao questionário. A grande maioria respondeu que solicita exames de imagem para avaliação de lesões musculares, sendo que 78% solicitam ultrassom e ressonância magnética, 6% apenas ultrassonografia (USG) e 14% apenas ressonância magnética (RM). Após a lesão, os exames são realizados, em até 24 horas, em 45% dos clubes; em até 48 horas, em 36% deles; em até 72 horas, em 12%; e após 72 horas, em 5%. Em 68% dos clubes, o ultrassom é realizado em uma clínica de imagem; em 9% deles, o exame é realizado em hospitais; e em 20%, no próprio clube, sendo que 15% é realizado por um radiologista, membro da comissão médica no clube, e 5%, por radiologista que se dirige ao clube, porém não é membro da comissão. Cerca de 58% dos médicos realizam controle ecográfico semanal, e 35% afirmaram não realizar esse controle. Eles responderam que, em 23% dos clubes, não é utilizada nenhuma das classificações descritas na literatura para graduação de lesão. Contudo, 13% utiliza a classificação da British; 7%, a de Barcelona/Aspetar; 15%, a de Munique; e 40%, a classificação de O’Donogueh, grau I, II e III. Nas perguntas quantitativas, com graduação de 0 a 10 de importância, a média ficou em 6,5 no que se refere ao uso do ultrassom como critério para retorno às atividades físicas e, em 7,8, no que diz respeito ao quão importante os médicos dos clubes consideram o ultrassom no diagnóstico das lesões. Considerações finais: demonstrou-se o quanto o ultrassom se tornou essencial para o diagnóstico e manejo de lesões musculares nos clubes de futebol brasileiro. É uma ferramenta fundamental e deve fazer parte de um departamento médico esportivo, o que já ocorre dentro de alguns clubes. Ficou evidenciado que os exames, em sua maioria, ainda são realizados em clínicas de imagem, feitos em até 72 horas após as lesões, com controles de 5 em 5 dias. Ademais, encontrou-se uma variabilidade na maneira de se graduar as lesões, em que a maioria dos médicos utiliza-se da classificação de O’Donogueh, grau I, II e III.
Introduction: brazilian soccer is undergoing a great revolution. Every year, athletes and their teams overcome their limit of seasonal play, increasing the amount of minutes played and, subsequently, the number of muscle injuries. Objective: To analyze the employment of ultrasound as a method for diagnosis and handling of muscle injuries in professional Brazilian soccer clubs. Methods: 9-question surveys on muscle injuries sent via email to Brazilian physicians from 62 professional soccer clubs that competed in the 2021 São Paulo and Brazilian Championships. Among the questions, the type of imaging exam requested for diagnosing muscle injuries and the way ultrasound has been used in clubs, including variables such as time intervals in between the exams, location, injury management via ultrasound, employment of USG as a rehabilitation tool and the use of classification criteria for grading purposes were sought out. Results: Altogether, 106 physicians filled out the questionnaire. The vast majority answered that they request imaging tests to assess muscle injuries, 78% of which are Ultrasound and Magnetic Resonance Imaging. The exams are performed within 24 hours of an injury in 45% of clubs, within 48 hours in 36%, within 72 hours in 12% and after 72 hours in 5%. In 68% of clubs the ultrasound is done in an imaging clinic, in 9% it is in hospitals and in 20% it is performed within club grounds (15% by radiologists who are members of the club’s medical committee and 5% by radiologists who attend the club but are not members of a committee). 58% perform weekly echographic control tests and 35% said they do not perform echography control tests whatsoever. Physicians answered that in 23% of the clubs, they do not use any of the classification criteria described in the literature for injury grading, 13% employ the British classification, 7% the Barcelona/Aspetar, 15% Munich and 40% the O'Donogueh classification (grade I, II and III). Finally, in the quantitative questions (grading from 0 to 10 in importance level), the average was 6.5 for the employment of ultrasound as a criterion for rehabilitation and return to physical activities and the average was 7.8 in regards to how important the club physicians consider ultrasound to be in the diagnosis process. Final considerations: It was demonstrated how ultrasound has become essential for the diagnosis and handling of muscle injuries in Brazilian soccer clubs, playing a fundamental role as a tool within the sports medical department, as well as within clubs themselves. The exams are carried out within 72 hours after an injury occurs, with controls every 5 days, mostly in imaging clinics. Furthermore, it was found variability in the process of writing and grading injuries, in which most physicians were using the classic O’Donogueh classification (grade I, II, and III).
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