Análise da disponibilidade dos profissionais da saúde e educação para o trabalho em equipe na atenção à criança com autismo

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Data
2022-07-28
Autores
Romeu, Clariana Andrioli [UNIFESP]
Orientadores
Rossit, Rosana Aparecida Salvador [UNIFESP]
Tipo
Dissertação de mestrado
Título da Revista
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Resumo
Introdução: O transtorno do espectro do autismo é uma condição neurológica caracterizada por comprometimentos da interação, comunicação e comportamento. Intervenções precoces podem ajudar as crianças com autismo a ganhar autonomia e habilidades sociais e de comunicação. O trabalho em equipe baseado na prática colaborativa é uma estratégia potente para o enfrentamento dos desafios que envolvem as questões relacionadas ao desenvolvimento do trabalho no cuidado à criança com autismo. Objetivo: Analisar a disponibilidade dos profissionais da Saúde e Educação para a aprendizagem sobre o trabalho em equipe na perspectiva da prática colaborativa na atenção à criança com autismo. Métodos: A pesquisa de caráter exploratório-descritivo, com abordagem multimétodo, foi estruturada com: revisão integrativa e pesquisa de campo. A revisão da literatura foi realizada com propósito de embasar teoricamente os achados da pesquisa de campo e ambas tiveram como alvo os profissionais da Saúde e/ou Educação que atendem crianças com autismo. Os dados da revisão passaram por processo de triagem e refinamento e as publicações incluídas foram organizadas em quadro sinóptico. A amostra da pesquisa de campo foi constituída por 97 profissionais representando 16,8% do universo de possíveis participantes, que responderam ao questionário online, Readiness for Interprofessional Learning Scale, escala que inclui 40 itens distribuídos em três fatores e no presente estudo foi adaptada para atender aos objetivos da pesquisa. Os dados da escala foram analisados por estatísticas descritivas. Na etapa qualitativa, 12 profissionais participaram de entrevista semiestruturada, que foram tratadas a partir da análise de conteúdo, na modalidade temática. Resultados: Os resultados mostram disponibilidade dos profissionais para a aprendizagem sobre o trabalho em equipe, embora tenham demonstrado vulnerabilidade em aspectos relacionados aos desafios para o trabalho integrado. A disposição irá depender do nível de comprometimento e da formação de cunho uniprofissional, que limita o trabalho em equipe, trazendo falhas no processo de comunicação entre os profissionais que atuam no mesmo caso. Outra barreira para a interprofissionalidade é a falta de continuidade das ações programadas. As análises mostram que os profissionais necessitam de formação específica, de modo a compreenderem o trabalho interprofissional como um processo dinâmico, no qual as diferentes profissões aprendem a trabalhar juntas para reconhecer o trabalho, conhecimentos e papéis dos integrantes da equipe. O aprimoramento da formação inicial pode favorecer a prática interprofissional colaborativa, através de propostas de Educação Permanente/Formação Continuada, buscando desenvolver relações intersetoriais que fortaleçam o cuidado com foco nas famílias, priorizando-se um atendimento realizado dentro dos princípios da integralidade e da promoção de saúde. Considerações Finais: Verifica-se que a implementação de práticas colaborativas, o sistema organizacional e a formulação de políticas contribuem para a formação de modelos eficazes de intervenções. Evidencia-se carência de estudos sobre o trabalho em equipe interprofissional na atenção à criança com autismo, falta de adesão dos responsáveis no tratamento e comunicação ineficaz entre escola e família. Constata--se a necessidade de ações formativas em serviço para o desenvolvimento de competências interprofissionais para a melhoria do cuidado em saúde e educação.
Introduction: Autism spectrum disorder is a neurological condition characterized by impairments in interaction, communication and behavior. Early interventions can help children with autism gain autonomy and social and communication skills. Objective: To analyze the availability of Health and Education professionals to learn about teamwork from the perspective of collaborative practice in the care of children with autism. Methods: The exploratory-descriptive research with a multi-methodological approach was structured in an integrative review and field research. The literature review was carried out with the purpose of theoretically basing the findings of the field research and both were aimed at Health and/or Education professionals who care for children with autism. The review data underwent a screening and refinement process and the publications included were organized in a synoptic table. The field research sample consisted of 97 professionals representing 16.8% of the universe of possible participants, who answered the online questionnaire, Readiness for Interprofessional Learning Scale, a scale that includes 40 items distributed in three factors and in the present study it was adapted to meet the research objectives. Scale data were analyzed by descriptive statistics. In the qualitative stage, 12 professionals participated in semi-structured interview, which were treated based on content analysis, in the thematic mode. Results: The results show the availability of professionals to learn about teamwork, although they have shown vulnerability in aspects related to the challenges for integrated work. The disposition will depend on the level of commitment and training without a uniprofessional nature, which limits teamwork, causing flaws in the communication process between professionals working in the same case. Another barrier to interprofessionality would be the lack of continuity of programmed actions. The analyzes show that professionals need specific training in order to understand interprofessional work as a dynamic process in which different professions learn to work together to recognize the work, knowledge and roles of team members. Complementing initial training can favor collaborative interprofessional practice, through proposals for Continuing Education/Continuing Education, seeking to develop intersectoral relationships that strengthen the complementation of care with a focus on families, prioritizing individualized care carried out within the principles of integrality and health promotion. Final Considerations: It is verified that the implementation of collaborative practices, organizational system and policy formulation contribute to the formation of effective intervention models. There is a lack of studies on interprofessional teamwork in the care of children with autism, lack of adherence of those responsible for treatment, and ineffective communication and integration between school and family. There is a need for in-service learning actions, developing interprofessional skills to improve health care and education.
Descrição
Citação
ROMEU, Clariana Andrioli. Análise da disponibilidade dos profissionais da saúde e educação para o trabalho em equipe na atenção à criança com autismo. 2022. 140 f. Dissertação (Mestrado Interdisciplinar em Ciências da Saúde) - Instituto de Saúde e Sociedade, Universidade Federal de São Paulo, Santos, 2022.