Cartas de Antônio Vieira: decoro do Ethos e representação do índio

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Data
2020-02-28
Autores
Rocha, Talita Cristina [UNIFESP]
Orientadores
Carvalho, Maria Do Socorro Fernandes De [UNIFESP]
Tipo
Dissertação de mestrado
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Resumo
This master thesis analyzes letters written by the Jesuit Antônio Vieira (1608 - 1697), who worked on the indoctrination project of the gentiles of the states of Brasil, Maranhão and Grão- Pará. Specifically, this research takes a closer look at the constitution of the ethos in different texts of the Ignatian, in other words, at the image that the author builds of himself discursively for the purpose of reaching or convincing the reader. To that end, the following missives sent to the crown and to the Companhia de Jesus [society of Jesus] will be detailed and commented on: to the king of Portugal on May 20, 1653; two letters to king D. João IV on April 4, 1654; to prince D. Teodósio on January 25, 1653; to father André Fernandes in 1657; to father André Fernandes on November 12, 1659; to father André Fernandes in 1656; to the attorney of the province of Brazil on April 15, 1654; and to father Francisco Gonçalves, provincial of Brazil, on November 14, 1652. Because he had great prominence in the company of catechesis of the Brazilian Indians, Vieira addresses the interlocutors to obtain medicines for the mission, to tell events that revealed that the colonists had great greed for the exploitation of the natives and also to regret that the religious were few and were unmotivated. Therefore, these letters, both in the negotiations and in the family genres, have a common subject: issues pertaining to the Gentile mission’s work. In order to achieve persuasion of the recipient, the Ignatian addresses the audience in a dignified way, he uses different rhetorical tricks for this purpose that are interpreted in this research based on precepts transmitted in rhetorical arts and manuals widely read by the 17th century scholars. In addition, for a coherent analysis, we take into account the history of the work of the Companhia de Jesus in the New World, a project that is not exclusive Christianizing, but also political-religious. Therefore, Vieira's reports are part of this collusion of interests, so they should not be taken by any idealizing bias.
Esta dissertação analisa cartas escritas pelo jesuíta Antônio Vieira (1608 – 1697), que atuou no projeto de doutrinação dos índios dos Estados do Brasil e do Maranhão e Grão Pará. Especificamente, a pesquisa atenta para a constituição do ethos do inaciano em textos vários, ou seja, a imagem que o autor constrói de si discursivamente com a finalidade de alcançar o convencimento do leitor. Para tal, as seguintes missivas enviadas à Coroa e à Companhia de Jesus serão minuciadas e comentadas: Ao rei de Portugal no dia 20 de maio de 1653, duas cartas Ao rei D. João IV em 4 de abril de 1654, Ao príncipe D. Teodósio em 25 de janeiro de 1653, Ao padre André Fernandes em 1657, Ao padre André Fernandes em 12 de novembro de 1659, Ao padre André Fernandes em 1656, Ao Procurador da Província do Brasil em 15 de abril de 1654 e Ao padre Francisco Gonçalves, provincial do Brasil, em 14 de novembro de 1652. Por ter grande proeminência na empresa da catequese dos índios, Vieira se dirige aos interlocutores para angariar remédios para a missão, narrar acontecimentos que revelavam que os colonos tinham grande cobiça pela exploração dos nativos e também para lamentar que os religiosos eram poucos e estavam desmotivados. Portanto, nessas cartas, tanto nas negociais quanto nas familiares, temos uma matéria comum: questões pertinentes ao trabalho de missionação dos nativos. Com o objetivo de alcançar a persuasão do destinatário, o inaciano discursa de modo decoroso, utilizando elementos retóricos diversos para tal, interpretados nessa pesquisa a partir de preceitos transmitidos em artes retóricas e manuais muito lidos pelos letrados do século XVII. Além disso, para uma análise coerente, levar-se-á em conta a história da atuação da Companhia de Jesus no Novo Mundo, um projeto não exclusivamente cristianizador, mas político-religioso. Sendo assim, os relatos de Vieira se inscrevem nessa conivência de interesses, portanto não devem ser tomados por qualquer viés idealizador.
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