Impacto das cirurgias filtrantes na qualidade de vida de crianças com glaucoma congênito primário

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Data
2020-04-30
Autores
Silva, Andrea Oliveira Da [UNIFESP]
Orientadores
Ferraz, Nivea Nunes [UNIFESP]
Tipo
Dissertação de mestrado profissional
Título da Revista
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Resumo
O adoecimento do ponto de vista psicológico é interpretado como um fenômeno inesperado que causa reações psicológicas na pessoa acometida e pode impactar também em sua dinâmica familiar, como ocorre no glaucoma congênito primário (CGP). Na população pediátrica há poucos estudos demonstrando o impacto desta condição sobre a qualidade de vida (QV) das crianças e seus respectivos familiares. Objetivo: Avaliar o impacto das cirurgias filtrantes e indicadores psicossociais que influenciam a QV de crianças com GCP e suas famílias. Métodos: Foram incluídos pais/responsáveis de crianças com diagnóstico de GCP bilateral, submetidas à intervenção cirúrgica filtrante (trabeculectomia e/ou implante de drenagem) em ao menos um dos olhos. Foram coletados os dados sociodemográficos sobre a criança e os pais/responsáveis e os dados clínicos oculares. Para mensuração da QV os participantes foram entrevistados individualmente antes da intervenção cirúrgica filtrante e após 6 meses da data da primeira cirurgia indicada, sendo aplicados 2 questionários: a) questionário pediátrico sobre qualidade de vida (Pediatric Quality of Life InventoryTM - PedsQL); b) Questionário de função visual infantil (QFVI). O PedsQL incluiu quatro domínios (funcionamento físico, emocional, social e escolar), enquanto o QFVI incluiu seis domínios (saúde geral, saúde geral da visão, competência, personalidade, impacto familiar e tratamento). Para ambos os instrumentos houve cinco possibilidades de resposta, organizadas em escala do tipo Likert, às quais foram atribuídas pontuação de zero a 100 pontos em intervalo de 25 pontos, onde zero representa a pior e 100, a melhor situação. A partir da média aritmética das questões foram calculados os escores para os domínios estudados. As entrevistas psicológicas foram semiestruturadas, aplicadas antes da cirurgia e gravadas em áudio para posterior análise, utilizando-se a técnica de sistematização e categorização de conteúdo para determinação de indicadores. Os escores globais de QV foram comparados nas entrevistas inicial e final, e a correlação entre os resultados colhidos após a cirurgia filtrante e a acuidade visual no olho de melhor visão (AV), o número de cirurgias e o número de colírios utilizados também foi analisada. A consistência interna das respostas para os questionários foi medida pelo coeficiente alfa de Cronbach e a correlação entre os instrumentos também foi determinada pelo coeficiente de correlação intraclasse. Resultados: Participaram deste estudo as mães de 9 crianças com GCP, sendo 6 do sexo masculino (70%). A idade média das crianças na entrevista inicial variou de 7,5 a 56,5 meses (média=28,1 ± 17,9 meses) e a AV foi em média 0,84 ± 0,53 logMAR (0,27 a 1,89 logMAR). As crianças foram submetidas em média à 7 ± 2 intervenções cirúrgicas e na entrevista inicial, 89% dos participantes utilizava colírios hipotensores, enquanto que na entrevista final 44% deles haviam recebido suspensão dos colírios, sendo observado o uso concomitante de até 3 drogas hipotensoras. A tabela a seguir apresenta os resultados dos escores (média ± desvio padrão) de QV calculados para os questionários e suas respectivas consistências internas (α). Entrevista inicial Entrevista final Instrumento Média DP α Média DP α QFVI 65,75 9,14 0,61 65,18 9,42 0,60 PedsQL 73,67 10,88 0,99 74,63 9,38 0,80 Entretanto não houve diferença estatisticamente significante entre os escores de QV calculados nas entrevistas inicial e final. Melhores resultados de AV foram significantemente associados à maiores escores de QV apenas para o QVFI (Pearson; r=-0,79; p=0,01). Não foi observada associação significante entre o número de cirurgias e o número de colírios utilizados e a qualidade de vida medida pelo QFVI e pelo PedsQL. O coeficiente de correlação intraclasse mostrou excelente concordância entre os instrumentos na entrevista inicial (ICC=0,91 95% CI:0,32-0,99; p=0,019), porém não foi observado na entrevista final. Os principais indicadores levantados nas entrevistas psicológicas foram: a) impacto emocional do diagnóstico; b) conhecimento sobre a doença; c) sentimentos vivenciados no enfrentamento do tratamento cirúrgico; d) compreensão xiv sobre o resultado cirúrgico; e) adesão ao tratamento; f) reações emocionais e comportamentais da criança; g) suporte social; h) expectativas futuras. Conclusões: As cirurgias filtrantes impactaram negativamente na QV de crianças com GCP. Os escores de QV obtidos por meio do PedsQL e do QFVI no pré e pós-operatório de cirurgias filtrantes foram comparáveis. Os indicadores psicossociais identificados devem ser considerados nas práticas de cuidado e assistência à saúde, possibilitando a elaboração de ações adequadas no tratamento e acompanhamento psicológico de crianças com GCP e suas famílias.
O adoecimento do ponto de vista psicológico é interpretado como um fenômeno inesperado que causa reações psicológicas na pessoa acometida e pode impactar também em sua dinâmica familiar, como ocorre no glaucoma congênito primário (CGP). Na população pediátrica há poucos estudos demonstrando o impacto desta condição sobre a qualidade de vida (QV) das crianças e seus respectivos familiares. Objetivo: Avaliar o impacto das cirurgias filtrantes e indicadores psicossociais que influenciam a QV de crianças com GCP e suas famílias. Métodos: Foram incluídos pais/responsáveis de crianças com diagnóstico de GCP bilateral, submetidas à intervenção cirúrgica filtrante (trabeculectomia e/ou implante de drenagem) em ao menos um dos olhos. Foram coletados os dados sociodemográficos sobre a criança e os pais/responsáveis e os dados clínicos oculares. Para mensuração da QV os participantes foram entrevistados individualmente antes da intervenção cirúrgica filtrante e após 6 meses da data da primeira cirurgia indicada, sendo aplicados 2 questionários: a) questionário pediátrico sobre qualidade de vida (Pediatric Quality of Life InventoryTM - PedsQL); b) Questionário de função visual infantil (QFVI). O PedsQL incluiu quatro domínios (funcionamento físico, emocional, social e escolar), enquanto o QFVI incluiu seis domínios (saúde geral, saúde geral da visão, competência, personalidade, impacto familiar e tratamento). Para ambos os instrumentos houve cinco possibilidades de resposta, organizadas em escala do tipo Likert, às quais foram atribuídas pontuação de zero a 100 pontos em intervalo de 25 pontos, onde zero representa a pior e 100, a melhor situação. A partir da média aritmética das questões foram calculados os escores para os domínios estudados. As entrevistas psicológicas foram semiestruturadas, aplicadas antes da cirurgia e gravadas em áudio para posterior análise, utilizando-se a técnica de sistematização e categorização de conteúdo para determinação de indicadores. Os escores globais de QV foram comparados nas entrevistas inicial e final, e a correlação entre os resultados colhidos após a cirurgia filtrante e a acuidade visual no olho de melhor visão (AV), o número de cirurgias e o número de colírios utilizados também foi analisada. A consistência interna das respostas para os questionários foi medida pelo coeficiente alfa de Cronbach e a correlação entre os instrumentos também foi determinada pelo coeficiente de correlação intraclasse. Resultados: Participaram deste estudo as mães de 9 crianças com GCP, sendo 6 do sexo masculino (70%). A idade média das crianças na entrevista inicial variou de 7,5 a 56,5 meses (média=28,1 ± 17,9 meses) e a AV foi em média 0,84 ± 0,53 logMAR (0,27 a 1,89 logMAR). As crianças foram submetidas em média à 7 ± 2 intervenções cirúrgicas e na entrevista inicial, 89% dos participantes utilizava colírios hipotensores, enquanto que na entrevista final 44% deles haviam recebido suspensão dos colírios, sendo observado o uso concomitante de até 3 drogas hipotensoras. A tabela a seguir apresenta os resultados dos escores (média ± desvio padrão) de QV calculados para os questionários e suas respectivas consistências internas (α). Entrevista inicial Entrevista final Instrumento Média DP α Média DP α QFVI 65,75 9,14 0,61 65,18 9,42 0,60 PedsQL 73,67 10,88 0,99 74,63 9,38 0,80 Entretanto não houve diferença estatisticamente significante entre os escores de QV calculados nas entrevistas inicial e final. Melhores resultados de AV foram significantemente associados à maiores escores de QV apenas para o QVFI (Pearson; r=-0,79; p=0,01). Não foi observada associação significante entre o número de cirurgias e o número de colírios utilizados e a qualidade de vida medida pelo QFVI e pelo PedsQL. O coeficiente de correlação intraclasse mostrou excelente concordância entre os instrumentos na entrevista inicial (ICC=0,91 95% CI:0,32-0,99; p=0,019), porém não foi observado na entrevista final. Os principais indicadores levantados nas entrevistas psicológicas foram: a) impacto emocional do diagnóstico; b) conhecimento sobre a doença; c) sentimentos vivenciados no enfrentamento do tratamento cirúrgico; d) compreensão xiv sobre o resultado cirúrgico; e) adesão ao tratamento; f) reações emocionais e comportamentais da criança; g) suporte social; h) expectativas futuras. Conclusões: As cirurgias filtrantes impactaram negativamente na QV de crianças com GCP. Os escores de QV obtidos por meio do PedsQL e do QFVI no pré e pós-operatório de cirurgias filtrantes foram comparáveis. Os indicadores psicossociais identificados devem ser considerados nas práticas de cuidado e assistência à saúde, possibilitando a elaboração de ações adequadas no tratamento e acompanhamento psicológico de crianças com GCP e suas famílias.
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