Sintomas depressivos e sua relação com comportamento suicida em moradores de cidade do sul de Minas Gerais

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Data
2020-12-18
Autores
Jorgetto, Giovanna Vallim [UNIFESP]
Orientadores
Marcolan, Joao Fernando [UNIFESP]
Tipo
Tese de doutorado
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Resumo
The objective was to verify the presence and intensity of depressive symptoms in residents over 18 years old, to analyze the participants' perception of depressive symptoms in relation to suicidal behavior and to identify risk and protective factors. Exploratory, descriptive, quantitative-qualitative study, with theoretical and methodological framework of Content Analysis. Psychometric scales were used to verify the presence and intensity of depressive symptoms (Beck II, Hamilton and Montgomery & Asberg depression scale) and a semi-structured questionnaire for the presence of suicidal behavior, applied to adult residents of Poços de Caldas / MG, city medium-sized companies in southern Minas Gerais. The ethical aspects of research in human beings and approval by the Research Ethics Committee of UNIFESP were observed. Of 200 participants, 73 (36.5%) had depressive symptoms due to the application of psychometric scales, of which 62 (84.92%) had previously diagnosed depression, 27 (37.0%) with moderate intensity and 11 (15, 1%) severe; 57 (78.1%) were women, 22 (30.1%) between 29-39 years old, 67 (91.78%) white, 47 (64.4%) Catholics, 39 (53, 42%) married, 32 (43.8%) with up to 02 children, 20 (27.39%) with incomplete elementary education, 51 (69.86%) employed, 34 (46.58%) with individual income of up to 02 minimum wages (46 , 57%), 39 (53.43%) with a family income of 2 to 5 minimum wages. 39 (53.43%) lived with a partner / husband / wife / children; 24 (32.87%) had friends as recreation; 23 (31.50%) lived in an area of social vulnerability; 40 (54.8%) had clinical comorbidities; 30 (41.1%) reported time since diagnosis of depression between 0 and 5 years; 54 (73.97%) of those with depression reported treatment, of which 36 (66.7%) for a period of 0 to 5 years and 10 (18.5%) between 12 and 17 years, showing chronicity of depression. Of the 73 with depression, 26 (35.61%) had suicidal ideation, 13 (50.0%) in the last 5 years and 11 (42.3%) of them reported not having undergone any type of treatment, 15 (57.7%) reported treatment, of which 07 (46, 7%) with only drug treatment; 03 (11.5%) of those with suicidal ideation received treatment in psychiatric hospitals. Regarding the presence of depressive symptoms by the IDB scale, 37 (50.68%) had mild symptoms, 27 (36.99%) moderate and 09 (12.33%) severe. For the HAM-D and MADRS scales, 35 (47.95%) were mild symptoms, 27 (36.98%) moderate and 11 (15.07%) severe. As for the guiding questions, three thematic categories were listed: for the protective factors of depressive symptoms, family and spirituality were described and risk factors for family problems, sadness, loss of emotional relationships, unemployment, loneliness and inability to experience frustrations. The perception about the psychological suffering reported / detected by the scales was described as having no perception of depression or admission of the disorder, and sadness due to the awakened memories. For the perception of depressive symptoms in relation to suicidal behavior, the participants showed no perception of depression and death wish as a way out from the mental suffering caused by depression and justification for the development of depression linked to emotional losses, fear, despair , absence of family support, rumination of ideas, conflicting family relationships, loss of self-esteem and loneliness. It was concluded that the percentage of detection of depression in adult residents of the study was higher than the national average (36.5%), with prevalence of intensity of mild symptoms. Participants without previous symptoms have a higher severity of depressive symptoms. The relationship between depression and suicide was present. Family was pointed out for both risk and protection factors.
Objetivou-se verificar presença e intensidade de sintomatologia depressiva em moradores maiores de 18 anos, analisar a percepção dos participantes sobre a sintomatologia depressiva na relação com comportamento suicida e identificar fatores de risco e de proteção. Estudo exploratório, descritivo, quantitativo-qualitativo, com referencial da Análise de Conteúdo. Utilizadas escalas psicométricas para verificar a presença e a intensidade de sintomas depressivos (escala de depressão de Beck II, de Hamilton e de Montgomery &Asberg) e questionário semiestruturado para a presença de comportamento suicida, aplicada em moradores adultos de Poços de Caldas/MG, cidade de médio porte do sul de Minas Gerais. Foram observados os aspectos éticos da pesquisa em seres humanos e aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UNIFESP. De 200 participantes, 73 (36,5%) apresentaram sintomatologia depressiva pela aplicação das escalas psicométricas, dos quais 62 (84,92%) com depressão previamente diagnosticada, sendo 27 (37,0%) com intensidade moderada e 11 (15,1%) grave; 57 (78,1%) eram mulheres, 22 (30,1%) entre 29-39 anos, 67 (91,78%) brancos, 47 (64,4%) católicos, 39 (53, 42%) casados, 32 (43,8%) com até 02 filhos, 20 (27,39%) com ensino fundamental incompleto, 51(69,86%) empregados, 34 (46,58%) com renda individual de até 02 salários mínimos (46,57%), 39 (53,43%) com renda familiar de 2 a 5 salários mínimos. 39 (53,43%) viviam com companheira/marido/esposa/filhos; 24 (32,87%) tinham como recreação amigos; 23 (31,50%) moravam em área de vulnerabilidade social; 40 (54,8%) apresentaram comorbidades clinicas; 30 (41,1%) referiram tempo de diagnóstico de depressão entre 0 a 5 anos; 54 (73,97%) dos com depressão referiram tratamento, dos quais 36 (66,7%) por período de 0 a 5 anos e 10 (18,5%) entre 12 a 17 anos, evidenciando cronicidade da depressão. Dos 73 com depressão, 26 (35,61%) apresentaram ideação suicida, sendo 13 (50,0%) nos últimos 5 anos e 11 (42,3%) destes referiram não ter realizado qualquer tipo de tratamento, 15 (57,7%) referiram tratamento, sendo destes 07 (46,7%) com tratamento apenas medicamentoso; 03 (11,5%) dos entrevistados com ideação suicida receberam tratamento em hospitais psiquiátricos. Em relação à presença de sintomas depressivos pela escala IDB, 37(50,68%) apresentaram sintomas leves, 27 (36,99%) moderados e 09 (12,33%) graves. Para as escalas de HAM-D e MADRS, 35 (47,95%) eram sintomas leves, 27 (36,98%) moderados e 11 (15,07%) graves. Quanto às questões norteadoras, foram elencadas três categorias temáticas: para os fatores protetores da sintomatologia depressiva foi descrita a família e espiritualidade e como fatores de risco, problemas familiares, tristeza, perda de relacionamentos afetivos, desemprego, solidão e inabilidade em vivenciar frustrações. A percepção acerca do sofrimento psíquico relatado/detectado pelas escalas foi descrita como não ter percepção de depressão ou admissão do transtorno e tristeza pelas lembranças despertadas. Para a percepção sobre a sintomatologia depressiva na relação com o comportamento suicida, os participantes apresentaram não percepção do quadro depressivo e desejo de morte como saída frente ao sofrimento mental ocasionado pela depressão e justificativa para o desenvolvimento da depressão atrelada a perdas afetivas, medo, desespero, ausência de apoio familiar, ruminação de ideias, relações familiares conflituosas, perda da autoestima e solidão. Conclui-se que porcentagem de detecção de depressão em moradores adultos do estudo foi maior que a média nacional (36,5%), com prevalência de intensidade dos sintomas leves. Participantes sem sintomatologia prévia apresentam maior severidade dos sintomas depressivos. A relação entre depressão e suicídio se fez presente. Família foi apontada tanto para fatores de risco quanto de proteção.
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