Diagnósticos de enfermagem de alta acurácia em pessoas com insuficiência cardíaca

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Data
2020-08-27
Autores
Souza, Larissa Maiara Da Silva Alves [UNIFESP]
Orientadores
Barros, Alba Lucia Bottura Leite De [UNIFESP]
Tipo
Dissertação de mestrado
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Resumo
Introduction: Heart failure (HF) is a complex clinical syndrome secondary to cardiac structural and functional abnormalities. The existence of comorbidities such as hypertension, diabetes, physical inactivity and dyslipidemia and non-adherence to drug and non-drug treatment, as well as a lack of knowledge of the exacerbation symptoms of the disease are associated with hospitalizations. It is estimated that around 2 million new cases appear worldwide each year. In 2018, there were 200,814 hospital admissions registered in the Unified Health System (UHS) associated with HF, with 9,156 admissions registered in the state of São Paulo. Today, approximately 5.1 million Americans have HF. It is believed that this number tends to increase 46% by 2030, reaching eight million individuals diagnosed with HF. In this scenario, the performance of nursing can be circumstantial. When identifying the nursing diagnoses (ND) associating them to clinical signs and symptoms, the nurse unifies the individual's needs so that the elaborated interventions are aimed at solving these identified NDs. These diagnoses, when elaborated in an accurate way, make possible a more assertive care, with higher rates of resolution, reduction of complications and improvement of health status. The Nursing Diagnosis Accuracy Scale version-2 (NDAS-2) assesses the degree to which the statement of the ND is confirmed through a set of clinical information of the patient being used to measure the degree of accuracy of the listed NDs. Objectives: to identify highly accurate NDs present on admission and discharge of patients hospitalized for HF; identify the prevalence of NDs on admission and discharge from patients hospitalized for HF; test the reliability of the NDAS-2 within the between evaluators regarding the degree of accuracy of the diagnoses; Method: prospective cohort of diagnostic accuracy conducted in the Emergency Room of a large reference hospital in cardiology in a Brazilian metropolis, from August 2018 to July 2019, 155 patients hospitalized for HF participated in the research. Socio-demographic, clinical and drug treatment data were collected from an instrument developed by the researchers and previously tested. Subsequently, two researchers applied EADE-2 to NDs registered on admission and discharge of hospitalized HF patients. The variables were presented by means of descriptive statistics (absolute and relative frequencies) and by mean ± standard deviation. Fisher's exact test was used and associations with a descriptive level≤0.05 were considered significant. To assess the agreement between the evaluators, the Kappa coefficient was used, which varies from 0 to 1, and the closer to one, the greater the agreement. Results: The average age of hospitalized patients was 62.6 years, the majority being male (61.3%), white (54.19%) and incomplete elementary school (49.03%). The predominant hemodynamic profile was B (73.5%), the most frequent etiologies were cardiomyopathies (19.4%) and chagas disease (16.1%), with 25.16% not having a classification. Acute coronary syndrome was the most frequent pathology, observed in 43 patients (27.7%), the most prevalent comorbidities were hypertension (74.19%), diabetes (40.64%) and dyslipidemia (40.64%). Among the 18 NDs identified, four were prevalent both at admission and at discharge: Risk for Infection, Risk for Fall, Risk for decreased cardiac output and Fluid volume excess. These DEs had a good agreement between evaluators, with the Fluid volume excess being the one with the highest correlation at admission (0.7) and at discharge (0.9). Considering all NDs 85% were classified as highly accurate on admission and about 66% on hospital discharge. The NDs that stood out in this high accuracy classification were: Risk for Infection and Risk for decreased cardiac output on admission; and at discharge, he kept the Risk for infection together with the Risk for fall. Conclusion: The results of the study possibled to identify highly accurate nursing diagnoses. In addition, ND Risk for infection was the most prevalent and highly accurate, although it is not directly related to pathology such as the Risk for decreased cardiac output and the Fluid volume excess that are NDs related to the pathophysiological conditions of HF, demonstrating that there is the need to prioritize those NDs of greater clinical relevance in critical situations such as admission and discharge. Considering that nurses, through signs and symptoms, physical examination, laboratory and image exams, can identify other NDs, and thus make decisions in view of the current and real conditions of patients, the identification of highly accurate NDs will help them during systematic care, enabling appropriate nursing planning and care.
Introdução: A insuficiência cardíaca (IC) é uma síndrome clínica complexa e secundária a anormalidade estrutural e funcional cardíaca. A existência de comorbidades como hipertensão, diabetes, sedentarismo e dislipidemia e a não adesão ao tratamento medicamentoso e não medicamentoso, bem como a falta de conhecimento dos sintomas de exacerbação da doença estão associadas a hospitalizações. Estima-se que cerca de 2 milhões de novos casos surgem no mundo por ano. No ano de 2018 houve 200.814 internações hospitalares registradas no Sistema Único de Sáude (SUS) associadas à IC, sendo que 9.156 admissões foram registradas no estado de São Paulo. Hoje aproxidamente 5,1 milhões de norte-americanos têm IC. Acredita-se que esse número tende a aumentar 46% até 2030 podendo chegar a oito milhões de indivíduos diagnosticados com IC. Nesse panorama, a atuação da enfermagem pode ser circunstancial. Ao identificar os diagnósticos de enfermagem (DE) associando-os aos sinais e sintomas clínicos, o enfermeiro unifica as necessidades do indivíduo para que as intervenções elaboradas sejam voltadas a resolução desses DEs ora identificados. Esses diagnósticos, quando elaborados de forma acurada viabilizam um cuidado mais assertivo, com maiores índices de resolutividade, redução de complicações e melhora do estado de saúde. A Escala de Acurácia de Diagnóstico de Enfermagem versão-2 (EADE-2) avalia o grau com que a afirmação do DE é confirmada por meio de um conjunto de informações clínicas do paciente sendo utilizada para mensurar o grau de acurácia dos DEs elencados. Objetivos: identificar os DEs de alta acurácia presentes na admissão e na alta dos pacientes internados por IC; identificar a prevalência dos DEs na admissão e na alta dos pacientes internados por IC; testar a concordância da EADE-2 entre avaliadores quanto ao grau de acurácia dos diagnósticos. Método: coorte prospectiva de acurácia diagnóstica realizado no Pronto Socorro de um hospital escola de grande porte de referência em cardiologia numa metrópole brasileira, no período de agosto de 2018 a julho de 2019. Participaram da pesquisa 155 pacientes hospitalizados por IC. Foram coletados dados sócio demográficos, clínicos e o tratamento medicamentoso a partir de um instrumento elaborado pelas pesquisadoras e testado previamente. Posteriormente, duas pesquisadoras aplicaram a EADE-2 nos DEs registrados na admissão e alta de pacientes com IC hospitalizados. As variáveis foram apresentadas por meio de estatística descritiva (frequências absolutas e relativas) e por média±desvio padrão. Foi utilizado o Teste exato de Fisher e associações com nível descritivo≤0,05 foram considerados significativas. Para avaliar a concordância entre os avaliadores, foi utilizada o coeficiente de Kappa, o qual varia de 0 a 1, sendo que quanto mais próximo de um, maior a concordância. Resultados: A idade média dos pacientes hospitalizados foi de 62,6 anos sendo a maioria do sexo masculino (61,3%), raça branca (54,19%) e ensino fundamental incompleto (49,03%). O perfil hemodinâmico predominante foi o B (73,5%), as etiologias de maior ocorrência foram cardiomiopatias (19,4%) e doença de chagas (16,1%), sendo que 25,16% não tiveram classificação. A síndrome coronariana aguda foi a patologia de maior frequência, observada em 43 pacientes (27,7%), as comorbidades mais prevalentes foram hipertensão (74,19%), diabetes (40,64%) e dislipidemia (40,64%). Dentre os 18 DEs identificados, quatro foram prevalentes tanto na admissão como na alta: Risco de Infecção, Risco de Queda, Risco de débito cardíaco diminuído e Volume de Líquidos excessivos. Estes DEs tiveram boa concordância entre avaliadores, sendo o Volume de Líquidos excessivos o de maior concordância na admissão (0,7) e na alta (0,9). Considerando todos os DEs, 85% foram classificados como altamente acurados na admissão e cerca de 66% na alta hospitalar, os DEs que se destacaram nesta classificação de alto grau de acurácia foram: Risco de Infecção e Risco de débito cardíaco diminuído na admissão; e na alta manteve o Risco de infecção juntamente com o Risco de queda. Conclusão: Os resultados do estudo permitiram identificar diagnósticos de enfermagem de alta acurácia. Além disso, o DE Risco de Infecção foi o mais prevalente e altamente acurado, embora ele não esteja diretamente relacionado a patologia como o Risco de débito cardíaco diminuído e o Volume de Líquidos excessivos que são DEs relacionados às condições fisiopatológicas da IC, demonstrando que existe a necessidade de priorização daqueles DEs de maior relevância clínica em situações críticas como na admissão e na alta. Considerando que os enfermeiros através dos sinais e sintomas, exame físico, exames laboratoriais e de imagem, podem identificar outros DEs, e assim tomarem decisões frente as condições atuais e reais dos pacientes, a identificação de DEs de alta acurácia os ajudará durante o cuidado sistematizado, possibilitando planejamento e cuidado de enfermagem apropriados, seguros e alicerçados ao conhecimento científico.
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