Percepção subjetiva de esforço cognitivo e teoria da mente: uma investigação em survey

Imagem de Miniatura
Data
2022-01-27
Autores
França, Ricardo José Aguiar Freitas [UNIFESP]
Orientadores
Mello, Claudia Berlim de [UNIFESP]
Tipo
Dissertação de mestrado
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Resumo
Introdução: A Teoria da Mente (ToM, do inglês Theory of Mind) diz respeito à capacidade humana de inferir comportamentos, crenças, intenções e sentimentos, tanto para seus coespecíficos quanto para outras espécies. Modelos teóricos mais recentes, sustentados em estudos clínicos e em técnicas de imageamento, defendem que a ToM pode ser dividida em dois componentes: a ToM afetiva (ToMa) e a ToM cognitiva (ToMc). Apesar da distinção entre a ToMa (inferência de estados sentimentais) e a ToMc (inferência de crenças e intenções), estas modalidades da ToM apresentam muitas similaridades na ativação de redes corticais e frequentemente trabalham juntas, integrando conteúdos de outros domínios sociocognitivos, como a empatia. Uma forma de investigar como os humanos fazem uso da ToM é por meio da percepção do esforço cognitivo (EC) necessário ao responder a tarefas associadas a suas dimensões afetiva e cognitiva. Objetivo: Investigar se há diferença na percepção de esforço cognitivo entre as dimensões afetiva e cognitiva da ToM. Método: Participaram do estudo 209 brasileiros adultos, com idades entre 18 e 59 anos, sem diagnósticos clínicos e sem uso de drogas com ação no Sistema Nervoso Central. A amostra foi majoritariamente composta por mulheres e pessoas com ensino superior completo. O experimento 1 (N = 72) investigou o efeito das dimensões da ToM sobre a percepção de EC. Foram utilizados os seguintes instrumentos: Escala Multidimensional de Reatividade Interpessoal (Empatia), Depression Anxiety and Stress Scale (sintomas relacionados a depressão, ansiedade e estresse), NASA-TLX (EC) e Theory of Mind Task (ToM). O experimento 2 (N = 137) investigou a variação de EC ao longo da execução da Theory of Mind Task, utilizando como métrica de esforço a dimensão de Demanda Mental da escala NASA-TLX. Resultados: Os dados de ambos os experimentos foram analisados com modelos para medidas repetidas, sendo a de Estimação Generalizada (GEE) no experimento 1 e Modelo Generalizado Misto (GMM) no experimento 2. Os dois experimentos não encontraram efeito significativo das dimensões de ToM sobre o EC. Os modelos de GEE indicaram efeito dos erros na tarefa de ToM sobre as dimensões de Demanda Mental, Demanda Temporal e Esforço Físico e Mental da NASA-TLX. Foi observado também um efeito significativo dos erros sobre o somatório da escala (Carga de Trabalho Global). Para o experimento 2 o efeito do erro sobre a dimensão de Demanda Mental se manteve, apesar da maior variabilidade dos dados. Ambos os experimentos mostraram que quanto mais erros cometidos maior é a percepção de EC. Conclusões: Os resultados do estudo xi indicaram que a tarefa utilizada para mensurar as dimensões da ToM não foi uma boa medida comportamental, uma vez que suas métricas não foram sensíveis em diferenciar o processamento afetivo e cognitivo (tanto pelos erros quanto pelo EC). Ademais, no modelo de GMM (experimento 2) foi observado que os preditores (dimensões da ToM e erros cometidos na tarefa) explicaram pouco a variação da variável dependente (Demanda Mental). Os dados também mostram a importância de estudos futuros que utilizem melhores tarefas para avaliar a ToM, além do uso de medidas mais sensíveis de EC, como a variação do diâmetro pupilar, frequência cardíaca ou condutância galvânica.
Descrição
Citação
FRANÇA, R. J. A. F. Percepção subjetiva de esforço cognitivo e teoria da mente: uma investigação em survey. São Paulo, 2021. 72 f. Dissertação (Mestrado em Psicobiologia) – Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, 2021