Trauma pregresso e transtorno de estresse pós-traumático em mulheres sobreviventes de violência sexual: a dissociação peritraumática é um fator mediador?

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Data
2021-11-26
Autores
Zylberstajn, Cecília [UNIFESP]
Orientadores
Mello, Andrea de Abreu Feijó de [UNIFESP]
Tipo
Dissertação de mestrado
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Resumo
Introdução: Dissociação peritraumática decorrente de um evento traumático, experiências adversas na infância e histórico de exposição a eventos potencialmente traumáticos são fatores de risco conhecidos para o desenvolvimento de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), sendo que mulheres vítimas de violência sexual representam uma população especialmente vulnerável. Entretanto, pouco se sabe sobre como trauma anterior afeta a dissociação peritraumática e como essa relação afeta a gravidade do TEPT. Objetivos: Verificar se a dissociação peritraumática é fator mediador entre trauma na infância e gravidade de TEPT e se a dissociação peritraumática é fator mediador entre exposição prévia a eventos potencialmente traumáticos ao longo da vida e gravidade de TEPT em uma amostra de mulheres sobreviventes de violência sexual recente em São Paulo, Brasil. Métodos: Setenta e quatro mulheres sobreviventes de violência sexual com idades entre 18 e 44 anos responderam questionários e entrevistas estruturadas sobre dissociação peritraumática, experiências adversas na infância, exposição a eventos potencialmente traumáticos e transtorno de estresse pós-traumático. Os efeitos diretos e indiretos foram calculados usando modelagem de equação estrutural e análise de caminho (path analysis). Resultados: Exposição a eventos potencialmente traumáticos teve um efeito direto sobre a dissociação peritraumática. Conclusões: Evidências sugerem um efeito cumulativo do trauma na tendencia a dissociar diante de um novo evento traumático. Recomenda-se estudar dissociação estrutural e peritraumática em mulheres sobreviventes de violência sexual com e sem TEPT para explorar melhor esta relação.
Introduction: Peritraumatic dissociation (PD) after a traumatic event, adverse childhood experiences (ACE) and exposure to potentially traumatic events are known risk factors for post-traumatic stress disorder (PTSD), and sexually assaulted women represent a particularly high-risk group for developing PTSD. Nevertheless, little is known about how previous trauma affects PD and how this relationship affects PTSD severity. Objectives: We aimed to investigate weather PD mediates the relationship history of traumatic events and PTSD severity and if PD mediates the relationship between ACEs and PTSD severity in a sample of recently sexually assaulted women in Sao Paulo, Brazil. Methods: Seventy-four sexually assaulted women aged 18-44 completed questionnaires and structured interviews on PTSD, PD, ACE, and lifetime exposure to traumatic events. We examined direct and indirect effects of variables using structural equation modelling and path analysis. Results: Lifetime exposure had a direct effect on PD. Conclusions: evidence suggests a cumulative effect of trauma on the tendency to dissociate before a new traumatic event. We recommended to further explore structural and peritraumatic dissociation in women survivors of sexual assault with and without PTSD.
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