Frequência dos distúrbios do sono em pacientes com doença do espectro neuromielite óptica comparados com amostra representativa da população da cidade de São Paulo

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Data
2021-11-24
Autores
Perin, Marília Mamprim de Morais [UNIFESP]
Orientadores
Oliveira, Enedina Maria Lobato de [UNIFESP]
Tipo
Dissertação de mestrado
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Resumo
Introdução: O espectro de doença neuromielite óptica (NMOSD) é um distúrbio autoimune e inflamatório do sistema nervoso central, caracterizado por desmielinização do nervo óptico e medula espinal, com um curso recorrente na maioria dos casos. Uma porcentagem significativa dos doentes apresenta lesões cerebrais em regiões importantes para a arquitetura do sono. Objetivos: Descrever as características do sono na NMOSD; compará-las com o grupo controle; avaliar a relação entre as características clínicas da doença e as alterações do sono; e pesquisar suas associações com as lesões desmielinizantes observadas na ressonância magnética. Métodos: Estudo de caso-controle, no qual foram entrevistados, de maneira prospectiva e consecutiva, 62 pacientes entre setembro de 2014 e dezembro de 2016. Os participantes responderam aos principais questionários para avaliação do sono, cronotipo, fadiga e depressão. Os escores dos questionários foram comparados aos do grupo controle, utilizando-se propensity score matching para reduzir o viés na estimativa das diferenças entre as duas populações. Resultados: Pacientes com NMOSD apresentaram má qualidade do sono em sua maioria (62,9%); alto risco de apneia obstrutiva do sono em 29,03%; ausência de depressão em 45,18%; síndrome das pernas inquietas foi encontrada em 14,52%; fadiga leve a moderada foi encontrada em 38,71%; e cronotipo matutino em 46,77%. A comparação entre os pacientes e o grupo controle evidenciou pior qualidade do sono nos pacientes com NMOSD, assim como maior tendência à depressão. Aumentono sistema funcional (SF) esfíncter do EDSS (Expanded Disability Status Scale) prediz piora na qualidade do sono (B = 2,40); aumento no SF visual não interfere no cronotipo; e o SF piramidal não influencia na escala de gravidade de SPI. Não encontramos relação entre as alterações do sono e as lesões desmielinizantes presentes na RM do encéfalo e medula dos pacientes. Conclusão: Pacientes com NMOSD apresentam pior qualidade do sono e mais depressão do que a população geral mesmo tratados e com acompanhamento médico regular. Tratar as alterações esfincterianas das sequelas da NMOSD melhoram a qualidade de sono. O cronotipo dos pacientes é semelhante ao da população geral com idade média maior, o que pode sugerir envelhecimento cerebral precoce por atividade inflamatória crônica.
Introduction: The neuromyelitis optic spectrum disorder (NMOSD) is an autoimmune and inflammatory disease of the central nervous system, characterized by demyelination of the optic nerve and spinal cord, with a recurrent course in most cases. A significant percentage of patients have brain lesions in regions that are important for sleep architecture. Objectives: Describe the sleep characteristics in NMOSD; compare them with a control group; evaluate the relationship between the clinical characteristics of the disease and sleep disorders; and evaluate its associations with the demyelinating lesions seen on magnetic resonance image (MRI). Methods: Case- control study, in which, 62 patients were prospectively and consecutively interviewed between September 2014 and December 2016. Participants answered questionnaires for assessing sleep, chronotype, fatigue and depression. The scores of the questionnaires were compared to those of the control group, using propensity score matching to reduce the bias in estimating the differences between the two populations. Results: Most NMOSD patients had poor sleep quality (62.9%); high risk of obstructive sleep apnea syndrome by 29.03%; absence of depression in 45.18%; restless legs syndrome was found in 14.52%; mild to moderate fatigue was found in 38.71%; and morning chronotype by 46.77%. The comparison between patients and the control group showed worse sleep quality in patients with NMOSD, as well as a greater tendency to depression. Increased EDSS (Expanded Disability Status Scale) sphincter functional system (FS) predicts worsening sleep quality (B = 2.40); increase in visual FS does not interfere with the chronotype; and pyramidal FS does not influence the SPI severity scale. We found no relationship between sleep disorders and demyelinating lesions present in patients' brain and spinal cord MRI. Conclusion: Patients with NMOSD have worse sleep quality and more depression than the general population, even under treatement and regular medical follow-up. Treating sphincter disorders in NMOSD sequelae improves sleep quality. The chronotype of patients is similar to that of the general population with a higher average age, which may suggest early brain aging due to chronic inflammatory activity.
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