Jovens universitários medicalizados durante a infância: marcas subjetivas

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Data
2022-01-27
Autores
Pereira, Ednara Caroline [UNIFESP]
Orientadores
Kalmus, Jaqueline [UNIFESP]
Tipo
Trabalho de conclusão de curso de graduação
Título da Revista
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Resumo
A presente pesquisa parte da relação entre o fenômeno da medicalização com a área da educação, através da qual ocorre o processo de responsabilização individual pelos problemas de escolarização, em que perde-se a complexidade e a multideterminação do fenômeno do fracasso escolar. Esse processo tem como uma de suas faces a atribuição de supostos transtornos de aprendizagem aos alunos. A partir desse cenário, objetiva-se compreender quais as possíveis repercussões e marcas subjetivas deixadas pelo processo de medicalização nos anos iniciais de escolarização em jovens universitários. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, baseada em entrevistas semi-estruturadas, com quatro estudantes universitárias que na infância e/ou adolescência foram portadoras de queixa escolar, foram encaminhadas a especialistas e receberam laudos de supostos transtornos, tendo sido medicadas ou não. A maior parte das entrevistadas possuíam laudo de dislexia, provavelmente o transtorno predominante na época em que foram diagnosticadas. A análise das entrevistas ocorreu com base na Análise de Conteúdo Temática. As entrevistas indicaram além da medicalização, outros processos de exclusão presentes no ambiente escolar, como a multirrepetência. As entrevistadas carregam marcas de histórias escolares perpassadas por práticas de humilhação e de hierarquia e uma visão de si mesmos permeada por julgamentos morais, sentimento de incapacidade, de inadequação e de culpa. Há distintas posturas com relação ao laudo: há a ideia de que ele contribuiria para o alívio da culpa, já que explicaria os problemas de escolarização; por outro lado, ele é introjetado pelas estudantes, que passam a atribuir dificuldades comuns ao processo de escolarização a seu suposto transtorno. Ainda, aparece a visão de que uma parcela da responsabilidade seria do Sistema de Ensino, deslocando-se do campo individual. Frente às barreiras impostas pelo Sistema Escolar constatou-se que as estudantes constroem estratégias de enfrentamento, entre elas a realização de anotações, estudo na biblioteca da universidade, leituras, uso de caderno de caligrafias e relações interpessoais que atuam como apoio durante a graduação.
Descrição
Citação
PEREIRA, Ednara Caroline. Jovens universitários medicalizados durante a infância: marcas subjetivas. 2022. 74 f. Trabalho de conclusão de curso (Graduação em Psicologia) - Instituto de Saúde e Sociedade, Universidade Federal de São Paulo, Santos, 2022.
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