PPG - Psiquiatria e Psicologia Médica

URI Permanente para esta coleção

Navegar

Submissões Recentes

Agora exibindo 1 - 5 de 440
  • Item
    Avaliação longitudinal dos fatores de risco para problemas de saúde mental em jovens durante a pandemia do COVID-19
    (Universidade Federal de São Paulo, 2024-04-17) Silva Junior, Francisco da [UNIFESP]; Pan Neto, Pedro Mario [UNIFESP]; http://lattes.cnpq.br/6614914024992106; http://lattes.cnpq.br/5681254135602729
    Introdução: A pandemia do COVID-19 e o isolamento social representaram um fator de estresse muito significativo que acarretou impacto importante no bem-estar e na saúde mental de toda população, em especial na população jovem. Para melhor compreensão desse fenômeno são necessários estudos prospectivos de qualidade avaliando a saúde mental dos jovens antes e após início da pandemia. Objetivo: O presente trabalho pretende investigar o impacto da pandemia do COVID-19 na saúde mental e bem-estar de jovens brasileiros. Os objetivos específicos referem-se aos dois estudos realizados nesta dissertação. Estudo 1: Investigar os fatores relacionados a mudanças na saúde mental e bem-estar em jovens comparando antes e após o início da pandemia. Estudo 2: Avaliar se o histórico de transtornos mentais anteriores à pandemia esteve relacionado a uma piora da saúde mental de jovens durante a pandemia do COVID-19. Métodos: Os dois estudos foram realizados a partir da análise de dados da coorte Brazilian High Risk Cohort. Durante a fase de triagem, avaliaram-se 9.937 sujeitos entre 6 e 12 anos provenientes de 57 escolas públicas. Desses, 2511 sujeitos foram submetidos a uma minuciosa avaliação fenotípica cujos instrumentos permitiram o diagnóstico dos principais transtornos mentais no ano de 2010, com reavaliações a cada três anos. Para os estudos realizados nesta dissertação, utilizamos dados da etapa de avaliação realizada em 2018 (Onda Pré-COVID-19 n=1800) e uma onda de avaliação realizada após o início da pandemia por meios digitais (n= 1615). Estudo 1: Sintomas emocionais e comportamentais foram avaliados pela escala Strengths and Difficulties Questionnaire (SDQ) enquanto que bem-estar mental foi avaliado por meio do instrumento Short Warwick-Edinburgh Mental Well-being Scale (SWEMWBS). As pontuações dessas escalas foram comparadas entre a onda Pré-COVID-19 e a onda COVID-19. Aspectos sociodemográficos e mudanças causadas pela pandemia foram investigados como moderadores do efeito do tempo nos desfechos principais a partir do uso de modelos de equações de estimações generalizadas (GEE). Estudo 2: a partir de dados da entrevista estruturada The Coronavirus Health and Impact Survey (CRISIS), três dimensões de emoções e comportamentos relacionados com a pandemia foram encontrados por meio de Análise Fatorial Confirmatória: preocupações com a COVID-19, estresse com as mudanças causadas pela pandemia, percepção de mudanças positivas causadas pela pandemia. Modelos de regressão linear foram utilizados para avaliar de que forma a presença de transtornos mentais nos jovens e nos pais anteriormente à pandemia influenciaram as três dimensões citadas acima. Resultados: Estudo 1: Os problemas financeiros e as mudanças de rotina causadas pela pandemia estiveram significativamente associados a um aumento de problemas de saúde mental e com uma diminuição do bem-estar durante a pandemia do COVID-19. Ainda, jovens que não participaram do programa de auxílio financeiro do governo, denominado "Auxílio Emergencial", apresentaram diminuição nos níveis relatados de bem-estar durante a pandemia em comparação com a onda Pré-COVID-19 (Diferença de médias: -0.78, e.p. 0.304, p tukey = 0.047). Estudo 2: História prévia de transtornos mentais nos pais antes da pandemia foi associada a uma maior percepção de preocupações com a COVID-19 pelos jovens (B = 0.13, e.p. 0.005, p = 0.007). Jovens que preenchiam critérios para transtornos externalizantes em algum momento do estudo antes da pandemia apresentaram menores níveis de preocupações com a pandemia por COVID-19 (B = -0.16, e.p. 0.005, p = 0.006). Conclusão: Foram identificados fatores de risco relacionados com pioras na saúde mental e no bem-estar de jovens brasileiros durante a pandemia do COVID-19. Variáveis associadas com o impacto financeiro causados pela pandemia, aspectos psicopatológicos, tanto dos indivíduos avaliados quanto de seus cuidadores, e as mudanças decorrentes da pandemia foram associados a sintomas de problemas de saúde mental e bem-estar. Os resultados sugerem que um programa emergencial de auxílio financeiro implementado durante a pandemia pode ter mitigado os efeitos negativos da pandemia do COVID-19 na saúde mental de jovens brasileiros.
  • Item
    Estratégias de intervenção precoce, estigma e práticas orientadas ao recovery na atenção ao primeiro episódio psicótico: uma comparação entre Centros de Atenção Psicossocial e Ambulatório Universitário Especializado
    (Universidade Federal de São Paulo, 2023-12-21) Soeiro, Pâmela Pilar Molino [UNIFESP]; Noto, Cristiano de Souza [UNIFESP]; http://lattes.cnpq.br/8903154232209770; https://lattes.cnpq.br/0480742184296245
    Introdução: No âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) fica responsável pela oferta da assistência à saúde mental pública no Brasil, tendo o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) como ponto estratégico no gerenciamento do cuidado. Por essas diretrizes, observou-se que, a literatura existente demonstra os benefícios da intervenção precoce nas psicoses iniciais; entretanto, pôde-se também notar que, barreiras como o estigma e a baixa perspectiva de recuperação podem impactar nos serviços oferecidos por essas organizações de atendimentos especializados. Materiais e Métodos: Este estudo de observação transversal comparou as estratégias de intervenção precoce nas psicoses experienciadas entre o CAPS adulto, o CAPS infantojuvenil e um ambulatório universitário especializado em primeiro episódio psicótico (Grupo de Apoio às Psicoses Iniciais - GAPi) da cidade de São Paulo. A princípio, a escala FEPS-FS (First Episode Psychosis Services Fidelity Scale) foi utilizada para identificar as estratégias de intervenção precoce às psicoses nas unidades de saúde mental. Secundariamente, a percepção da equipe em relação as práticas orientadas ao recovery dos serviços, também foi avaliada. Para isso, usou-se a escala RSA-R (Recovery Self-Assessment) e o nível de estigma dos profissionais das equipes, através do Questionário de Estigma. Resultados: Os resultados obtidos por esse processo mostraram os seguintes efeitos: 1). Que a escala FEPS tem um ponto de corte de 124 para resultados satisfatórios; enquanto, o GAPi pontuou 123. Uma estimativa que indica a necessidade de melhorias em estratégias de intervenção precoce. 2). Que as pontuações dos CAPS na escala FEPS variaram de 81 a 99. Uma estimativa que sinaliza práticas abaixo do esperado para os programas de intervenção precoce (com o CAPS infantojuvenil pontuando um nível mais alto do que o CAPS adulto). 3). Que há uma correlação negativa e significativa entre as escalas FEPS-FS e RSA-R, que indica quando o resultado de um instrumento pode aumentar e o outro diminuir nos locais estudados. Além disso, não houve diferenças significativas na presença de estigma entre o CAPS e o GAPi. Conclusões: Foi constatado que, programas e estratégias de intervenção precoce podem ampliar o acesso, ao passo que, a integração no SUS e seus impactos, ainda necessitam de estudos futuros. Nisto, o desenvolvimento de estudos sobre a integração destes programas nos CAPS demonstrou ser crucial para o entendimento de seu impacto na triagem, no recovery e no combate ao estigma.
  • Item
    Child behavior checklist (CBCL) como instrumento de rastreio para transtorno do espectro autista: estudo psicométrico
    (Universidade Federal de São Paulo, 2024-03-15) Kitanishi, Norton Yoshiaki [UNIFESP]; Caetano, Sheila Cavalcante [UNIFESP]; Okuda, Paola Matiko Martins [UNIFESP]; http://lattes.cnpq.br/6762778663630272; http://lattes.cnpq.br/4054738146503695; http://lattes.cnpq.br/0678569520402190
    Objetivo: A identificação precoce do Transtorno do Espectro Autista (TEA) por meio do rastreamento é crucial para o diagnóstico e intervenção precoces, mas isso pode ser desafiador em países de baixa e média renda (PBMR) devido ao alto custo das ferramentas de diagnóstico e triagem. O Child Behavior Checklist (CBCL) 1.5-5 tem sido estudado como um instrumento de rastreio de nível 1 para TEA, utilizando as subescalas problemas do espectro do autismo e síndrome retraimento, mas há uma falta de validade de construto, especialmente em PBMR. Este estudo tem como objetivo fornecer validade de construto para o CBCL 1.5-5 como instrumento de triagem para TEA em uma amostra representativa de base populacional de 1.292 crianças brasileiras de 3 a 5 anos e uma amostra de 70 TEA de 1 a 5 anos. Métodos: A análise fatorial confirmatória foi utilizada para avaliar a qualidade do ajuste; e a força da correlação entre os itens e o TEA. Resultados: Os achados indicaram um bom ajuste ao modelo e alta confiabilidade na amostra total para o modelo de problemas do espectro do autismo (SB-X2(54) = 2089.148, p =1.00, CFI = 0,96, TLI = 0,95, RMSEA = 0,037, SRMR = 0,041, ω = 0,869), exceto para um item com baixa carga fatorial. O modelo de síndrome retraimento também mostrou bom ajuste e alta confiabilidade (SB-X²(20) = 1508.647, p = 1.00; CFI= 0,974, TLI= 0,963, RMSEA= 0,034, RMRR= 0,033, ω= 0,776), com um item com baixa carga fatorial. Conclusão: as escalas Problemas do Espectro do Autismo e Retraimento da CBCL 1.5-5 podem ser rastreadoras válidas do nível 1 do TEA na população brasileira, pois apresentaram boa consistência interna e validade de construto.
  • Item
    Associação entre uso de clozapina e alterações hepáticas em portadores de esquizofrenia
    (Universidade Federal de São Paulo, 2023-11-27) Dias, Cíntia Lopes [UNIFESP]; Noto, Cristiano de Souza [UNIFESP]; http://lattes.cnpq.br/8903154232209770; http://lattes.cnpq.br/7977394802005793
    Objetivo: Realizar uma revisão narrativa da literatura sobre os mecanismos fisiopatológicos de lesão hepática induzida por antipsicóticos, os protocolos e métodos de detecção e manejo do tratamento. Métodos: Realizou-se a busca na base de dados PUBMED usando os termos “antipsychotics” e “hepatotoxicity”, “hepatic injury”, “drug induced liver injury” ou “hepatits”. Além disto foram relatados dois casos que apresentaram sintomas e alterações laboratoriais indicativos de lesão hepática na introdução de Clozapina. Resultados: Os antipsicóticos promovem lesão hepática principalmente por via idiossincrática. Os três padrões envolvidos na etiologia deste fenômeno são o colestático, mas frequentemente associado às fenotiazidas, o hepatocelular, no qual o acúmulo de metabólitos da droga acumulados nos hepatócitos causam danos mitocondriais e desbalanço das vias de reparação celular através do aumento de estresse oxidativo pelo retículo endoplasmático, culminando em danos e morte celular por necrose e autofagia, além do padrão de esteatose, onde o acúmulo de gordura leva à morte do hepatócito mais a longo prazo. A doença hepática causada por antipsicóticos é mais frequente com a Clozapina, mesmo sendo um evento raro (0,001%). Ainda é importante diferenciar o aumento dos testes de função hepática transitória e assintomático, que ocorre mais frequentemente (60% dos casos em uso de Clozapina) e não implica em danos ou necessidade de retirada da droga por se resolver ao longo dos três primeiros meses de uso, da doença hepática induzida por antipsicóticos, a qual já indicaria suspensão do medicamento e cuidados clínicos. Deve-se suspeitar de doença hepática induzida por antipsicóticos quando houver um aumento da alanina aminotransferase acima de cinco vezes do limite superior, aumento da fosfatase alcalina acima de duas vezes o limite superior ou o aumento da alanina aminotransferase três vezes acima do limite superior em associação com aumento de bilirrubinas duas vezes acima do limite superior. Além disto, caso haja aumento de aminotransferases acima de três vezes o limite superior associado a algum sinal de hepatite como febre, eosinofilia, exantema ou icterícia. Embora a Food Drugs and Administration apresente diversos critérios específicos para a retirada de qualquer fármaco que induza doença hepática, no geral, para os antipsicóticos recomenda-se suspender a droga perante um aumento de alanina aminotransferase acima de três vezes o limite superior, fofatase alcalina duas vezes acima do limite superior ou qualquer alteração de testes de função hepática associados com sinais ou sintomas clínicos. Conclusão: Uma vez que os antipsicóticos muitas vezes são necessários para o tratamento de diversas doenças psiquiátricas, sendo que para alguns casos a Clozapina é o melhor tratamento disponível, precisamos definir com maior exatidão um protocolo para monitorização dos testes de função hepática, a fim de rastrear doença hepática induzida pela medicação, sem causas descontinuações desnecessárias. Não há um consenso na literatura sobre em qual período solicitar estes testes, mas sugere-se que, perante as alterações dos mesmos descritas acima, suspenda-se a medicação de imediato, encaminhando o indivíduo para o suporte clínico adequado.
  • Item
    Sintomas externalizantes numa amostra epidemiológica de pré-escolares
    (Universidade Federal de São Paulo, 2023-11-24) Salviani, Débora Muszkat [UNIFESP]; Caetano, Sheila Cavalcante [UNIFESP]; Okuda, Paola Matiko Martins [UNIFESP]; http://lattes.cnpq.br/6762778663630272; http://lattes.cnpq.br/4054738146503695; http://lattes.cnpq.br/7906830985846928
    Estudos atuais sobre psicopatologia do neurodesenvolvimento apontam para a natureza dimensional para identificação dos sintomas mais prevalentes baseado em fatores latentes de internalização (e.g., ansiedade, depressão, retraimento) e externalização (e.g., agressividade, hiperatividade e violação de regras). Os sintomas externalizantes apresentam grave impacto funcional tanto para criança quanto para a família e escola, por isto a importância da avaliação e diagnóstico precoce para melhor compreensão da trajetória desenvolvimental e identificação de alvos de prevenção e tratamento. Os objetivos deste estudo foram: 1) investigar a relação entre sintomas externalizantes com a prontidão escolar (habilidades matemáticas, motoras e de linguagem); e 2) examinar os fatores subjacentes aos sintomas externalizantes por meio da Análise Fatorial Confirmatória (AFC) e análise de classes latentes (ACL) da seção de sintomas externalizantes da CBCL 1,5-5 (problemas de atenção e comportamento agressivo); e seus fatores associados, incluindo história familiar de depressão e ansiedade e nível socioeconômico. Para tanto, usamos a amostra epidemiológica de Embu das Artes, região metropolitana de São Paulo, constituída de 1.292 estudantes de 4-5 anos de pré-escolas públicas (Pre-K), avaliada pela Child Behavior Checklist for ages 1.5-5 (CBCL/1.5-5) para investigar sintomas externalizantes. Para o primeiro objetivo, participaram 722 da amostra do Pre-K, que tiveram a prontidão escolar avaliada pela Escala Inglesa de Desenvolvimento Infantil (ESCD), forma B. Os resultados mostraram uma associação negativa significativa entre sintomas externalizantes e prontidão escolar. No segundo objetivo, com 1.289 crianças, usamos AFC e LAC do CBCL para delinear sintomas externalizantes. Os resultados mostraram que o modelo multidimensional, distinguindo problemas de atenção e comportamento agressivo, apresentou ajuste superior. A depressão materna emergiu como fator significativo associado a maiores escores de sintomas externalizantes. A análise de classes latentes identificou três grupos para cada domínio (externalização total, problemas de atenção e comportamento agressivo) – clínico, subclínico e normal – destacando-se a prevalência de sintomas subclínicos (65,05% do total externalizante, 50% dos problemas atencionais e 65,54% do comportamento agressivo). Os resultados destacam a importância da identificação e intervenção precoces sobre sintomas externalizantes em pré escolares para melhorar os resultados acadêmicos. Também ressaltamos a importância de considerar traços latentes, saúde mental materna e técnicas de análise ao abordar sintomas externalizantes em pré-escolares, oferecendo insights precisos para intervenções direcionadas e apoio. Desta forma, nosso estudo tem relevância para saúde pública e pode contribuir com informações ainda escassas na literatura sobre a prevalência e mecanismos relacionados ao desenvolvimento de transtornos externalizantes em população brasileira pré-escolar.