O “sebastanianismo popular" e o fenômeno visionário na análise dos relatos manuscritos de Maria de Macedo (1650 – 1658)

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Data
2021-03-05
Autores
Rodrigues, Victoria [UNIFESP]
Orientadores
Lima, Luís Filipe Silvério
Tipo
Trabalho de conclusão de curso de graduação
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Resumo
Esta monografia se dedica à análise de dois manuscritos que trazem o relato de Maria de Macedo e de seu esposo, Feliciano Machado, acerca de suas visitas a um lugar identificado como “Ilha Encuberta” e encontros com os seus habitantes, os “mouros encantados” e o rei Dom Sebastião. Graças a divulgação de suas idas à “Ilha Encuberta”, Maria de Macedo foi condenada pela Inquisição de Lisboa em 1666, pelos crimes de fingimento de visões e revelações espirituais, estando os dois manuscritos anexados como provas de seu processo inquisitorial. Com base nas referências a Dom Sebastião, as experiências de Maria de Macedo foram entendidas como representativas do chamado “sebastianismo popular”. Assim como, compreendendo o que ela defendia como visões, outro campo utilizado pela historiografia para identificar suas experiências foi o fenômeno visionário. Para isso, os estudos acerca do seu caso se basearam principalmente na análise de seu processo inquisitorial, sendo que, até aqui, os dois manuscritos com seu relato foram quase que inteiramente desconsiderados. Diante disso, a partir da análise dos relatos manuscritos de Maria de Macedo, o objetivo deste trabalho é problematizar a compreensão do seu caso por meio das categorias de sebastianista popular e visionária. Acreditamos que a investigação dos manuscritos, ao nos permitir localizar a construção de sua formulação, seus elementos centrais, especificidades e possíveis referências, possibilita a reflexão sobre a compreensão que a própria Maria de Macedo tinha acerca do que lhe acometia e como isso foi transmitido para o seu relato, o que complexifica e apresenta novas perspectivas para o entendimento do seu caso.
This thesis is dedicated to the analysis of two manuscripts that bring the account of Maria de Macedo and her husband, Feliciano Machado, about their visits to a place identified as “Ilha Encuberta” and the encounters with its inhabitants, the “enchanted Moors” and King Dom Sebastião. Thanks to the disclosure of her visits to the “Ilha Encuberta”, Maria de Macedo was condemned by the Lisbon Inquisition in 1666, for the crimes of pretending visions and spiritual revelations, the two manuscripts being attached as evidence of her inquisitorial process. Based on references to Dom Sebastião, Maria de Macedo's experiences were understood as representative of the so-called “popular Sebastianism”. As well, comprehending what she defended as visions, another field used by historiography to identify her experiences was the visionary phenomenon. For this, studies about her case were based mainly on the analysis of her inquisitorial process, and, until now, the two manuscripts with her report have been almost entirely disregarded. Therefore, from the analysis of Maria de Macedo's manuscript reports, the aim of this work is to discuss the understanding of her case through the categories of popular and visionary Sebastianist. We believe that the investigation of the manuscripts, by allowing us to locate the construction of its formulation, its central elements, specificities and possible references, makes it possible to reflect on the understanding that Maria de Macedo herself had about what affected her and how it was transmitted to her report, which makes it more complex and presents new perspectives for understanding her case.
Descrição
Citação
RODRIGUES, Victoria. O “sebastanianismo popular" e o fenômeno visionário na análise dos relatos manuscritos de Maria de Macedo (1650 – 1658). Monografia (Licenciatura em História). São Paulo: Escola de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade Federal de São Paulo, 2021, 157 p.
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