Uso de cocaína durante a gestação: riscos e complicações maternas e fetais e as consequências pós-parto

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Data
2021-02-03
Autores
Cunha, Verônica Barros da [UNIFESP]
Orientadores
Garcia, Raphael Caio Tamborelli [UNIFESP]
Tipo
Trabalho de conclusão de curso de graduação
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Resumo
O uso de cocaína aumentou significativamente em meados da década de 80 e acarretou problemas sociais e de saúde pública devido aos seus efeitos adversos e alto potencial de causar dependência (transtorno por uso de substâncias). A cocaína promove uma sensação de bem estar, prazer e euforia relacionados principalmente ao bloqueio da recaptação de dopamina no núcleo accumbens, causando um aumento expressivo desse neurotransmissor na fenda sináptica. No entanto, essa estimulação constante e o uso crônico levam a uma neuroadaptação que está associada com a dependência e assim, o usuário passa a necessitar a droga. A cocaína pode ser administrada por diferentes vias dependendo da sua forma química: o cloridrato de cocaína, que é um pó hidrossolúvel utilizado pelas vias intranasal e endovenosa; e a base livre, mais barata e potente, da qual deriva o crack, também conhecida como “pedra”, que é fumado em cachimbos. Os efeitos adversos mais comuns decorrentes do uso de cocaína incluem perda de apetite, aumento da pressão arterial e frequência cardíaca, hiperestimulação e vasoconstrição. Além disso, há riscos relacionados à via de administração, de forma que o uso do pó pode levar a necrose da mucosa nasal, o crack a problemas respiratórios e a administração endovenosa tem alto risco de contaminação por infecções como HIV e hepatites. O aumento do uso de cocaína também envolve o grupo de mulheres grávidas e em idade fértil. Tal população tem um alto risco de desenvolver efeitos adversos da cocaína potencializados pelas alterações fisiológicas da gravidez, como mudanças hematológicas e cardíacas. Além disso, o risco do uso da droga também inclui as consequências e possíveis alterações no feto e/ou bebê. Muitos estudos concluíram que o uso de cocaína durante a gestação está associado com maior incidência de abortos espontâneos por descolamento de placenta, nascimentos prematuros e baixo peso neonatal. Além disso, as consequências da cocaína podem ser observadas em longo prazo, como distúrbios neurológicos e comportamentais que se perpetuam na criança. Portanto, o uso da cocaína durante a gestação trata-se de um problema de saúde pública, devido tanto ao impacto direto na saúde da mãe e da criança, quanto à associação com diversos fatores como comorbidades psiquiátricas, pobreza, isolamento social, trauma e violência doméstica.
Cocaine use increased significantly in the mid-1980s and led to social and public health problems due to its adverse effects and high potential for addiction. Cocaine causes a of well-being sensation, as well as pleasure and euphoria related mainly to the blockage of the reuptake of dopamine in the nucleus accumbens, causing a significant increase of this neurotransmitter in the synaptic cleft. However, this constant stimulation and cocaine chronic use lead to neuroadaptation that is associated with addiction and thus, a transition from “like” to “need/seek” the drug. Cocaine can be administered by different routes depending on its chemical form: cocaine hydrochloride, which is a water-soluble powder used by the intranasal and intravenous routes; and the cheaper, more potent free base, from which crack derives, which is smoked in pipes. The most common adverse effects from cocaine use include loss of appetite, increased blood pressure and heart rate, hyperstimulation and vasoconstriction. In addition, there are risks related to the route of administration, cocaine powder can lead to necrosis of the nasal mucosa; crack use may cause respiratory problems; and intravenous administration has a high risk of contamination by infections such as HIV and hepatitis. The increase in cocaine use also involves the group of pregnant women and women of childbearing age. Such a population has a high risk of developing adverse effects of cocaine, enhanced by the physiological changes of pregnancy, such as hematological and cardiac changes. In addition, the risk of using the drug also includes the consequences and possible changes to the fetus and / or baby. Many studies have concluded that cocaine use during pregnancy is associated with a higher incidence of spontaneous abortions due to placental detachment, premature births and low neonatal weight. In addition, the consequences of cocaine can be seen in the long term, such as neurological and behavioral disorders that are perpetuated in the child. Therefore, the use of cocaine during pregnancy is a public health problem, due both to the direct impact on mother’s and child’s health as well as to the association with several factors such as psychiatric comorbidities, poverty, social isolation, trauma and domestic violence.
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