Câmara ardente: um livro?

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Data
2017
Autores
Weiss Ricieri, Francine Fernandes [UNIFESP]
Orientadores
Tipo
Artigo
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Resumo
This paper has three parts. The first one analyzes bibliographic data on the Brazilian poetry of the late nineteenth century in what concerns the concepts of book, here considered as a unit of signification or as a creative unit. We also consider information found in specific books or documents of that period in which those concepts are visible. Some of the partial conclusions were: Symbolist books can, in formulating their principles of cohesion, draw upon thematic criteria, titles that coordinate poems more or less relatable, establishment of cyclical structures, use of implicit or explicit narrative structures, nostalgic adoption of unifying elements of generic or formal nature as the tragic or the epic, hybridization of genres, as well as to intertextual relation with other books, which in some cases establish structural matrices for a specific volume. A symbolist book, in this sense, means by what is blended in it, not only of genres but also of aesthetic modalities, enunciative postures, different perspectives and registers. The second part explores the works of Alphonsus de Guimaraens, retrieving documentary data related to his process of creation and publication of books, in the sense under discussion. Different editorial projects are analyzed, as well as reformulation processes that seem to lead to the establishment of thematic-formal constants that organize different books, with the recurrent adoption of liturgical structures as structural matrices. In this sense, his books of 1899 seem to constitute a point of arrival, a moment of maturity that succeeds to a careful work of aesthetic search. The last section is devoted to exploring aspects of the thematic-formal organization of Camara ardente.
Este texto se divide em três seções. A primeira, “Algumas considerações sobre livros simbolistas” recupera indicações da fortuna crítica dedicada à poesia brasileira de final do século XIX no que diz respeito à concepção de livro, entendido não como recolha aleatória de poemas, mas como unidade criativa e/ou unidade de significação. Percorrem-se, também, indicações contidas em livros específicos ou documentos daquele período, alusivos a tal concepção, com algumas conclusões parciais: livros simbolistas podem recorrer, na formulação de seus princípios de coesão, a critérios temáticos, a títulos que coordenam poemas mais ou menos relacionáveis, ao estabelecimento de ciclos ou estruturas cíclicas, à implicitação ou explicitação de estruturas narrativas, à adoção nostálgica de elementos unificadores de natureza genérica ou formal como o trágico ou o épico, à hibridização de gêneros, bem como à relação intertextual com outros livros, que passam, em alguns casos, a estabelecer matrizes estruturais para um volume em específico. Um livro simbolista, nesse sentido, significa por aquilo que nele é mescla, não só de gêneros, mas também de modalidades estéticas, de posturas enunciativas, de perspectivas e registros díspares. A segunda seção “Alphonsus de Guimaraens: livros, projetos, experimentos” explora a produção daquele autor, recuperando dados documentais relativos a seu processo de criação e publicação de livros, no sentido em discussão. São analisados seus diferentes projetos editorais, bem como processos de reformulação que parecem levar ao estabelecimento de constantes temático-formais que organizam diferentes livros, com a recorrente adoção de estruturas litúrgicas como matrizes estruturais. Nesse sentido, suas publicações de 1899 parecem constituir um ponto de chegada, um momento de maturidade que se sucede a um cuidadoso trabalho de busca estética. A última seção, “Câmara ardente: um livro?”, a partir das considerações anteriores, dedica-se a explorar aspectos da organização temático-formal de Câmara ardente.
Descrição
Citação
Remate De Males. Campinas, v. 37, n. 1, p. 9-36, 2017.
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