Crianças e adolescentes autistas nos Centros de Atenção Psicossocial de Santos: dando voz aos familiares

Crianças e adolescentes autistas nos Centros de Atenção Psicossocial de Santos: dando voz aos familiares

Author Forte, Simone Camargo Dias Autor UNIFESP Google Scholar
Advisor Surjus, Luciana Togni de Lima e Silva Autor UNIFESP Google Scholar
Institution Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Abstract O intuito do presente estudo foi compreender como familiares percebem as ofertas de cuidado às crianças e adolescentes autistas nos Centros de Atenção Psicossocial infantojuvenis (CAPSij) da cidade de Santos, bem como caracterizar o público atendido nesses serviços e compreender a expectativa dos familiares acerca dos resultados das práticas de cuidado no autismo. Para levantamento dos dados foram utilizados dois instrumentos distintos, um questionário para a caracterização das crianças e adolescentes autistas em acompanhamento nos CAPSij e um roteiro de entrevista para a investigação acerca das percepções e expectativas dos familiares sobre as ofertas de cuidado. Foram entrevistadas 4 famílias, sendo 1 família de criança que frequenta há pouco tempo o serviço (entre 6 meses e 1 ano), 2 famílias de crianças que frequenta há muito tempo o serviço (mais de 1 ano e meio) e 1 família de adolescente que frequenta há muito tempo o serviço (mais de 1 ano e meio). Como resultado da caracterização do público, a ausência de padrões e instrumentos de registros nos serviços possibilitou um levantamento parcial do que era esperado, sendo somente levantado o quantitativo de crianças e adolescentes autistas num dos três serviços do município, o qual revelou um número pequeno de autistas atendidos nesse serviço, com prevalência para crianças e adolescentes do sexo masculino e adolescentes com idade entre 12 a 15 anos, além de revelar que alguns estão por longos períodos em acompanhamento no serviço. Quanto às percepções, identificamos satisfação das famílias quanto à oferta de cuidados. O atendimento interdisciplinar é valorizado, bem como a abertura de espaços de convívio entre crianças e adolescentes e entre as famílias, embora tenha aparecido desejo de atendimento exclusivo para autista. Também são realizados atendimentos externos e favorecimento na participação em festas comemorativas, modalidades aceitas com bastante entusiasmo pelas famílias, sempre prezando pelo respeito às habilidades, interesses e tolerância de permanência de cada um no ambiente ou na atividade, o que favorece a sustentação das relações. Os termos técnicos Técnico de Referência e Projeto Terapêutico Singular ou Individual (PTS/PTI) não pareceram familiares aos entrevistados, no entanto, foi exaltada a disponibilidade dos profissionais em serem acessados, o que favorece o fortalecimento de vínculo. O terapeuta ocupacional apareceu com destaque nas falas como importante profissional para conquistas de autonomia e maior independência das crianças e adolescente, como também para seus familiares. A frequência no serviço tem sido majoritariamente de uma vez na semana, privilegiando atendimentos grupais com crianças e adolescentes da mesma faixa etária, podendo ser remanejados o número de atendimentos conforme a necessidade. Os técnicos de referência são tidos como os profissionais que auxiliam as famílias em situações de crises, devido sua proximidade com as crianças ou adolescentes e as famílias. Todas as famílias relataram o uso de medicação por seus filhos ou neto e que recebem todas as informações sobre a função de cada uma receitada, além de afirmarem que a reavaliação é feita constantemente. O envolvimento das famílias foi considerado muito importante para o desenvolvimento do tratamento, bem como a existência de espaços para escuta de suas percepções e anseios. Com relação ao recebimento de benefícios, todas as famílias afirmaram receber o benefício de prestação continuada e dizem que, apesar de considerarem um valor baixo, auxilia na continuidade do tratamento e acesso aos serviços. Familiares que participam de grupos de família expressaram que estes encontros são bastante proveitosos e onde acontecem momentos para desabafos e trocas de experiências, podendo acontecer atendimentos individuais em momentos pontuais, porém, não sendo essa percepção a de todos os entrevistados, uma vez que alguns acreditam que não cabe aos CAPSij o atendimento aos familiares. Como principal cuidador foi prevalente a figura feminina, entretanto, apareceu um pai, situação geradora de questionamentos quanto ao papel da figura masculina no cuidado. A sobrecarga na rotina dos cuidados, bem como o acúmulo de funções e preocupações, afeta profundamente a saúde física e mental dos cuidadores. A grande dificuldade encontrada pelas famílias é com a inclusão escolar, havendo necessidade de expansão da interação dos CAPSij com as escolas. As famílias reconhecem melhoras na circulação por ambientes, interação social, mudança positiva na percepção sobre seu filho ou neto, nos comportamentos considerados agressivos e na adesão e frequência no tratamento frente às atividades propostas. A presença de pessoa com deficiência na equipe, e em lugar de liderança, gera identificação e expectativas positivas nas famílias. Como questões a ser melhores exploradas pelos CAPSij, a pesquisa apontou para a ampliação de espaços ou momentos que proporcionem a interação de crianças e adolescentes autistas com os não autistas; estarem mais bem preparados para receber a crescente demanda de crianças pequenas autistas; melhorarem o conhecimento, entendimento e diálogo com as famílias à respeito dos direitos e benefícios sociais; agenciarem e apoiarem de maneira mais efetiva a inserção escolar; desenvolverem espaços formais para o cuidado de pais novos que chegam ao serviço, uma vez que estão em momento de muitas dúvidas e desamparo; ampliação de espaços para trocas de experiências entre os familiares; estimularem a socialização das famílias fora do serviço e a participação nas políticas públicas; e realizarem atividades voltadas para adolescentes, pois a maioria é voltada para crianças. Quanto às expectativas, embora o ideal inicial de tratamento não seja alcançado, as famílias têm melhor aceitação da criança ou adolescente com suas características e conseguem vislumbrar projetos de futuro com mais esperança. Como contribuição, os dados e informações levantados nessa pesquisa, considerando suas relevâncias, podem ser levados ao conhecimento de gestores e equipe técnica para possibilitar estímulo a adaptações, alterações e até mesmo novos modos de fazer, como também valorizar o que está sendo resolutivo.
Keywords Saúde mental
Criança
Adolescente
Família
Autismo
xmlui.dri2xhtml.METS-1.0.item-coverage ISS
Language Portuguese
Date 2019-11-12
Published in Forte, Simone Camargo Dias. Crianças e adolescentes autistas nos Centros de Atenção Psicossocial de Santos: dando voz aos familiares. 2019. 282 f. Trabalho de conclusão de curso de graduação (Terapia Ocupacional) - Instituto de Saúde e Sociedade (ISS), Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), Santos, 2019.
Knowledge area Promoção, prevenção e reabilitação em saúde
Publisher Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Extent 282 f.
Access rights Open access Open Access
Type Trabalho de conclusão de curso de graduação
URI https://repositorio.unifesp.br/handle/11600/51768

Show full item record




File

Name: TCC Simone Camargo Dias Forte ficha.pdf
Size: 2.660Mb
Format: PDF
Description:
Open file

This item appears in the following Collection(s)

Search


Browse

Statistics

My Account