Fatores determinantes da sobrevida do paciente e do enxerto em receptores de rim de doador com critério expandido

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Data
2014-08-31
Autores
Borba, Luciana de Assis [UNIFESP]
Orientadores
Pestana, Jose Osmar Medina de Abreu Pestana [UNIFESP]
Tipo
Dissertação de mestrado
Título da Revista
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Resumo
Objetivo: Analisar as características e os resultados do transplante renal com doador falecido de critério expandido (DCE). Métodos: Foram avaliados retrospectivamente 372 receptores e 272 doadores de rins de DCE, transplantados entre 1998 e 2009. Biópsia pré-implantação foi realizada em 233 receptores e classificadas de acordo com um escore pré-definido. Também foi realizado um estudo comparativo entre os 272 doadores transplantados em nossa instituição versus os descartados para transplante no Estado de São Paulo, entre 2002 e 2009. Os desfechos primários foram sobrevida do enxerto e do receptor com 6 e 36 meses. Resultados: Os doadores utilizados para o transplante apresentavam idade média de 58 anos, a maioria do sexo feminino e portadores de Hipertensão Arterial. O acidente cerebrovascular foi a principal causa de óbito, com creatinina média final de 1,7mg/dl. Os receptores apresentavam idade média de 49 anos e baixo risco imunológico, tendo a Hipertensão Arterial (17%) e o Diabetes Mellitus (16%) como principais causa de insuficiência renal crônica. O tempo médio em diálise foi de 56 meses. Os doadores de rins descartados quando comparados aos doadores de rins utilizados apresentavam idade mais avançada (62 vs 59 anos, p < 0,001), maior prevalência de hipertensão arterial (81% vs 70%, p = 0,012) e diabetes mellitus (29% vs 11%, p < 0,001), maior incidência de parada cardiorespiratória prévia (14% vs 7%, p = 0,038) e de disfunção renal aguda ( creatinina final média de 2,4 vs 1,7, p < 0,001). A incidência de rejeição aguda comprovada por biópsia em seis e trinta e seis meses foram, respectivamente, de 23,4% e 31%, com sobrevidas do paciente e do enxerto em trinta e seis meses de 85,3% e 68,9%. Complicação infecciosa foi a principal causa de óbito (56,2% dos casos) e disfunção crônica do enxerto foi causa de perda do enxerto em 16,8% dos casos. Observou-se função retardada do enxerto em 62,1% dos receptores com duração média de 10 dias. Não foi possível identificar fatores de risco independentes para óbito do paciente e perda do enxerto em 6 meses, porém a presença de Diabetes Mellitus no receptor, idade do doador acima de 60 anos, doador do sexo masculino, ausência de biópsia renal pré-implantação e maior severidade de alterações histológicas foram associados a maior risco para perda do enxerto. Na análise de 36 meses, história de diabetes mellitus no receptor foi fator de risco independente para óbito do paciente (OR 3,1, IC 1,6 ? 5,8, p< 0,001) e perda do enxerto (OR 2,1, IC 1,3 ? 3,3, p = 0,003). A gravidade das alterações histológicas e a não realização de biópsia renal pré implantação se associaram a pior sobrevida do enxerto e do paciente, porém não foram fatores de risco independente. Conclusão: Os resultados desse estudo indicam que os transplantes de DCE apresentam um número maior de fatores de risco que podem estar associados com desfechos desfavoráveis após o transplante renal. Entretanto, apresentou resultados satisfatórios de sobrevida do paciente e do enxerto renal. A realização de biópsia renal pré implantação não foi uma fator de risco independente para os desfechos, mas deve ser usada com um fator adicional para análise da alocação do órgão. Os receptores diabéticos demandam atenção especial, pois podem não ter o mesmo benefício com transplante de DCE.
Descrição
Citação
BORBA, Luciana de Assis. Fatores determinantes da sobrevida do paciente e do enxerto em receptores de rim de doador com critério expandido. 2014. Dissertação (Mestrado) - Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo, 2014.