Diferenças na expressão de dor entre recém-nascidos a termo do sexo feminino e masculino diante de estímulo nociceptivo agudo

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Data
2014-12-16
Autores
Arias, Maria Carmenza Cuenca [UNIFESP]
Orientadores
Guinsburg, Ruth Guinsburg [UNIFESP]
Tipo
Tese de doutorado
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Resumo
Neonatal exposure to noxious stimuli during their stay in intensive care unit has the potential to alter neurodevelopment and cause permanent changes in somatosensory processing of pain. The consequences of nociception in both the short and long term are known to be affected by variables such as gestational age and newborn morbidity. Furthermore, sex-related differences in the structure and functionality of the brain can also affect its susceptibility to nociceptive stimulus during the neonatal period. However, the impact of sex in the response to an acute nociceptive stimulus in newborn infants remains to be elucidated. In this context the objective of this study was to analyze the differences in the expression of pain in newborns (NB) females and males in response to acute noxious stimulation in the first hours of life. For this purpose, we performed a cross-sectional and blinded study with prospective data collection of 400 infants (200 / sex) healthy, full-term, in the first 6 hours of life, who underwent intramuscular injection of Vitamin K. Heart rate (HR), oxygen saturation (SpO2) and three validated scales for assessing neonatal pain (neonatal Facial Coding System (NFCS), Behavioral Indicators of Infant Pain (BIPP) and Premature Infant pain Profile (PIPP)) were assessed before the procedure, during antisepsis, during injection and two minutes afterwards. The results for both sexes were compared with repeated measures (RM) ANOVA adjusted for gestational age (GA), hours of age, 5-minute Apgar. p <0.05 was considered significant. The studied population had an average or mean GA 39 ± 1 week, birth weight 3169 ± 316g, postnatal age 67 ± 45 minutes, 65% were born by cesarean section and the median Apgar score at 5 minutes was 10. RM-ANOVA adjusted HR, SpO2, BIPP and PIPP were significant for time effect, but not for sex or for the interaction of time and sex. NFCS as to the time effects (p <0.001), gender (p <0.05) and time and sex interaction (p <.03) were significant. Further, construction of contrasts analysis showed that this difference occurred during injection. Therefore, our findings indicate that the newborn full-term healthy females express more facial movements related to pain during an acute nociceptive stimulus in the first 6 hours of life, compared to males.
Introdução: A exposição dos recém-nascidos a estímulos nociceptivos durante sua permanência nas unidades de cuidado intensivo em período crítico de seu neurodesenvolvimento pode causar modificações definitivas no processo somatosensorial da dor, as quais são influenciadas por variáveis como a idade gestacional e a gravidade das morbidades do recém-nascido. Quando se consideram as diferenças estruturais e funcionais do cérebro entre o sexo masculino e feminino ao nascimento, este poderia ser um fator com relevância clinica na suscetibilidade do sistema nervoso central aos estímulos nociceptivos durante o período neonatal. O fato de os estímulos nociceptivos apresentarem-se em estruturas anatômicas diferentes poderia ter consequências diferentes e clinicamente relevantes na percepção da dor. Objetivo: analisar as diferenças na expressão de dor entre recém-nascidos (RN) femininos e masculinos em resposta a um estímulo nociceptivo agudo nas primeiras horas de vida. Método: estudo transversal e cego, com coleta prospectiva de dados de 400 RN (200/sexo) saudáveis, a termo, nas primeiras 6 horas de vida, submetidos à injeção intramuscular de Vitamina K. A frequência cardíaca (FC), a saturação de oxigênio (SatO2) e três escalas validadas de avaliação da dor neonatal (Neonatal Facial Coding System ? NFCS, Behavioral Indicators of Infant Pain ? BIIP e Premature Infant Pain Profile ? PIPP) foram estudadas antes do procedimento, durante a antissepsia, durante a injeção e dois minutos após. Os resultados entre os sexos foram comparados por ANOVA para medidas repetidas (MR) ajustada para idade gestacional (IG), horas de vida, Apgar no 5º minuto e parto, sendo significante p<0,05. Resultados: Os neonatos tinham, em média, idade gestacional de 39+1semanas, peso ao nascer 3169+316g, idade pós-natal 67+45 minutos, 65% nasceram por cesárea e a mediana do Apgar de 5 minutos foi 10. A ANOVA-MR ajustada para FC, SatO2, BIIP e PIPP foi significante para o efeito tempo, mas não para o sexo nem para a interação tempo e sexo. Quanto à NFCS, os efeitos tempo (p<0,001), sexo (p<0,05) e a interação tempo e sexo (p<0,03) foram significantes. A construção de contrastes mostrou que esta diferença ocorreu durante a injeção. Conclusão: recém-nascidos a termo e saudáveis femininos expressam mais movimentos faciais relacionados à dor durante um estímulo nociceptivo agudo nas primeiras 6h de vida, comparados aos masculinos.
Descrição
Citação
ARIAS, Maria Carmenza Cuenca. Diferenças na expressão de dor entre recém-nascidos a termo do sexo feminino e masculino diante de estímulo nociceptivo agudo. 2014. 76 f. Tese (Doutorado) - Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo, 2014.