A influência da resistência à insulina na resposta virológica sustentada em pacientes portadores de hepatite c crônica genótipo 3 tratados com interferon peguilado e ribavirina

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Data
2016-10-25
Autores
Laurito, Marcela Pezzoto [UNIFESP]
Orientadores
Parise, Edison Roberto Parise [UNIFESP]
Tipo
Tese de doutorado
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Resumo
Introduction: Insulin resistance and diabetes mellitus have been considered one of the main HCV extra hepatic manifestations. Insulin resistance assessed by HOMA-IR is associated with low rates of sustained virological response, especially in genotype 1 patients who were treated with peginterferon/ribavirin. Since genotype 2 and 3 were grouped together during interferon era, few data are available about the relationship between insulin resistance and sustained virological response in genotype 3. Objective: Characterize the impact of insulin resistance on sustained virological response in genotype 3 patients who were treated with peginterferon and ribavirin. Methods: The impact of insulin resistance on the sustained virological response in genotype 3 patients was analyzed throughout meta-analysis. Moreover, a retrospective study was done, including 200 genotype 3 patients who were non-diabetic and treated, for the first time, with peginterferon and ribavirin for at least 24 weeks. Results: In the meta-analysis, the presence of HOMA-IR >2 reduces around 4 times the change of achieving sustained virological response [OR 4.45 95% CI: 1.59-12.49] in genotype 2 or 3 patients. However, the heterogeneous studies and no-standardized HOMA-IR cut- off precluded any other conclusion. A multicenter, retrospective including 200 genotype 3 patients showed in the univariate analysis age, AST, platelets, stage of fibrosis and HOMA-IR, either as continuous or categorical variable. HOMA-IR cut-off was defined as ?2.5 due to the better association with SVR. [OR: 2, 63 (95% IC: 1,336- 5,175); p=0,005]. Multivariate analysis showed advance fibrosis [OR: 2, 01 (95% IC: 0,986-4,119); p=0, 05)] and age [OR: 1,06 (95% IC: 1,022-1,110); p=0,002] the only predictors of sustained virological response. Conclusion: The literature reviews precluded any conclusion regarding to the impact of IR on SVR in genotype 3 patients. However, multicenter and retrospective study showed that IR was not a predictor of SVR in non-diabetic genotype 3 patients treated with peginterferon/ribavirin. The predictors of SVR were age and advanced fibrosis.
Introdução: A resistência à insulina (RI) e o diabetes mellitus são consideradas por muitos como importantes manifestações extra-hepáticas da hepatite C. A resistência à insulina, medida através do HOMA-IR, tem se relacionado à menor taxa de resposta virológica sustentanda (RVS) em portadores de hepatite C crônica tratados com interferon peguilado e ribavarina (PEG/RBV). Embora no genótipo 1 esta relação esteja bem estabelecida, no genótipo 3 há poucos trabalhos que analisaram essa relação, alguns com dados conflitantes. Objetivo: Avaliar a influência da RI na resposta virológica obtida por pacientes portadores do genótipo 3 do HCV, tratados com PEG/RBV. Métodos: Através de uma revisão sistemática e de metanálise, foi avaliada a importância da RI na RVS em estudos com pacientes portadores de hepatite C crônica, genótipo 3, tratados com PEG/RBV. A mesma avaliação foi realizada em estudo multicêntrico, retrospectivo em três centros universitários brasileiros, onde pacientes virgens de tratamento, não diabéticos, tiveram analisada a relação entre RI e RVS de forma univariada e também de forma multivariada, na presença de outros fatores demográficos, bioquímicos, virológicos e histológicos reconhecidos como fatores preditivos de resposta virológica a esse tratamento na hepatite C crônica. Idade, gênero e IMC foram considerados e as determinações bioquímicas foram obtidas por método automatizado. A insulinemia de jejum foi obtida através de quimioluminescência e o HOMA-IR, calculado pelo modelo homeostático. Os dados histológicos foram classificados de acordo com o sistema METAVIR e a carga viral determinado por PCR quantitativo (Amplicor®). Resultados: Pela falta de trabalhos que analisassem exclusivamente o genótipo 3, apenas pôde-se concluir que a RI diminuiu cerca de 4 vezes a chance de RVS em pacientes com genótipos 2 e 3 [OR 4,45 (95% IC: 1,59 -12,49)]. Além disso, houve heterogeneidade significativa entre os trabalhos e diferentes valores de corte para HOMA-IR. No estudo retrospectivo brasileiro, 200 pacientes genótipo 3 foram analisados e os fatores associados à resposta virológica em análise univariada foram idade, AST, plaquetas, fibrose avançada e HOMA-IR, tanto como variável contínua quanto categórica. Pacientes com HOMA-IR ? 2,5 (valor de corte com melhor correlação com RVS) manifestaram 2,6 vezes mais risco de não apresentar RVS ao tratamento com PEG/RBV [OR: 2,63 (95% IC:1,336- 5,175); p=0,005]. Entretanto, na análise multivariada, idade [OR: 1,06 (95% IC: 1,022-1,110); p=0,002] e fibrose avançada [OR: 2,01 (95% IC:0,986-4,119); p=0,05)] foram os fatores independentemente associados à resposta virológica sustentada. Conclusão: Na análise sistemática não foi possível avaliar a importância da RI sobre a RVS nos pacientes virgens de tratamento, não diabéticos, portadores de genótipo 3 tratados com PEG/RBV. No entanto, no estudo retrospectivo, em análise multivariada, a RI não foi fator preditivo de resposta para esse tratamento de pacientes com genótipo 3, sendo apenas a idade e a fibrose avançada os fatores independentemente associados à resposta virológica com esse tratamento.
Descrição
Citação
LAURITO, Marcela Pezzoto. A influência da resistência à insulina na resposta virológica sustentada em pacientes portadores de hepatite c crônica genótipo 3 tratados com interferon peguilado e ribavirina. 2016. 104 f. Tese (Doutorado) - Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo, 2016.