Proteases como novas alternativas terapêuticas antitumorais. Utilização da arazima no tratamento do melanoma murino B16F10-Nex2

Nenhuma Miniatura disponível
Data
2013
Autores
Pereira, Felipe Valença [UNIFESP]
Orientadores
Rodrigues, Elaine Guadelupe [UNIFESP]
Tipo
Tese de doutorado
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Resumo
O desafio no controle do melanoma em estagios avancados estimula a busca de novos agentes antitumorais e alvos terapeuticos. O uso de enzimas proteoliticas de origem animal, vegetal ou bacteriana tem sido analisado em diversas doencas. Varias enzimas proteoliticas, como a fastuosaina, bromelaina, tripsina, papaina, quimotripsina entre outras, foram testadas experimentalmente e tambem em alguns ensaios clinicos no tratamento do cancer, contudo o mecanismo de acao molecular destas proteases ainda nao foi totalmente elucidado. Estas proteases foram ativas na inibicao do crescimento tumoral, invasao e metastase em animais tratados pelas mesmas. No presente trabalho, foi investigado o efeito antitumoral da arazima, uma metaloprotease bacteriana de grande interesse economico, secretada pela bacteria Serratia proteomaculans. Arazima reduziu significativamente o numero de nodulos pulmonares metastaticos no modelo de melanoma murino B16F10-Nex2. In vitro, a enzima mostrou um efeito citostatico dose-dependente sobre celulas tumorais, e tambem reduziu a expressao de CD44 na superficie de celulas tumorais resultando possivelmente na menor invasao observada destas celulas in vitro e in vivo. Ambos os efeitos foram associados com a atividade proteolitica da arazima. O tratamento ou imunizacao com arazima induziu a producao de IgG protease-especifica que reagiu cruzadamente com MMP-8 tumoral. In vitro, este anticorpo foi citotoxico para as celulas tumorais, um efeito potencializado pela adicao de complemento. In vivo, estes anticorpos anti-arazima reduziram o numero de nodulos de melanoma metastatico no pulmao quando utilizados em protocolo de transferencia passiva. Foram tambem avaliadas as propriedades imunomoduladoras da arazima no efeito protetor contra o melanoma murino B16F10 observado in vivo. A atividade antitumoral da arazima in vivo e independente da atividade proteolitica, e foi dependente de um sistema imune intacto, uma vez que foi perdida em camundongos imunodeficientes. Esta resposta protetora foi IFN--dependente, e os linfocitos T CD8+ foram identificados como a principal populacao efetora antitumoral, embora linfocitos T CD4+ tambem tenham sido induzidos. Os macrofagos e as celulas dendriticas foram os responsaveis pela inducao da resposta antitumoral especifica, pois a ativacao destas celulas pela arazima induziu um aumento da expressao dos marcadores ativacao destas e o aumento da secrecao de citocinas pro-inflamatorias. As vias de sinalizacao MAPK e MyD88/TRIF estao envolvidas nesta ativacao. Os nossos resultados sugerem que o efeito antitumoral da arazima pode ser explicado pelo efeito direto sobre o tumor atraves da clivagem de moleculas de adesao presentes na superficie das celulas tumorais, mas tambem pela inducao de anticorpos protease-especificos que reagem cruzadamente com MMP8 do tumor, e, principalmente, devido a um potente efeito imunomodulador da arazima, que nao requer a atividade proteolitica da mesma, capaz de ativar celulas apresentadoras de antigenos, que por sua vez induzem uma resposta protetora celular e humoral IFN-gama-dependente e tumor-especifica
Descrição
Citação
PEREIRA, Felipe Valença. Proteases como novas alternativas terapêuticas antitumorais. Utilização da arazima no tratamento do melanoma murino B16F10-Nex2. 2013. 141 f. Tese (Doutorado em Ciências) – Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo. São Paulo, 2013.