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Terapia com ciclofosfamida no lúpus eritematoso sistêmico: heteronegeidade no impacto sobre o sistema imunitário adaptativo
(Universidade Federal de São Paulo, 2024-02-28) Agustinelli, Renan de Almeida [UNIFESP]; Andrade, Luis Eduardo Coelho [UNIFESP]; Perazzio, Sandro Felix [UNIFESP]; http://lattes.cnpq.br/6444207507484384; http://lattes.cnpq.br/3012990107397690; http://lattes.cnpq.br/2666279009499168
Introdução: Pacientes com lúpus eritematoso sistêmico (LES) são frequentemente tratados com drogas imunossupressoras para diminuir o processo inflamatório lesivo. Alguns pacientes tornam-se vulneráveis a infecções enquanto outros parecem tolerar bem o uso da terapia imunossupressora. Isso sugere heterogeneidade individual do sistema imunitários de pacientes com LES aos imunossupressores. Objetivo: Avaliar se pacientes com nefrite lúpica apresentam heterogeneidade na susceptibilidade do sistema imune adaptativo ao tratamento com ciclofosfamida. Materiais e métodos: Foram incluídos sessenta pacientes com nefrite lúpica e tratamento com ciclofosfamida EV mensal. Colheu-se sangue antes (Tempo T1) e 20 dias após a 4ª pulsoterapia (Tempo T2) para imunofenotipagem de linfócitos T e B e seus subtipos, ensaio de proliferação de linfócitos T e dosagem sérica de IgA, IgM e IgG e suas subclasses. Trinta e nove pacientes completaram os 4 meses. Foram selecionados quarenta controles saudáveis pareados por sexo e idade para comparação em T1. Células mononucleares do sangue periférico foram marcadas com CFSE e cultivadas a 37ºC/5%CO2 sob estímulo com fitohemaglutinina ou anti-CD3/CD28. A proliferação foi avaliada após 72 horas por citometria de fluxo. As imunoglobulinas séricas foram quantificadas através de método imunoturbidimétrico. Trinta pacientes receberam vacina polissacarídica antipneumocócica e reforço contra o toxoide tetânico após a 4ª pulsoterapia e foi realizada nova coleta de sangue após 1 mês para a pesquisa de anticorpos contra 7 sorotipos do pneumococo e contra o toxoide tetânico por ELISA para comparação com os níveis anteriores à pulsoterapia. Resultados: Pacientes apresentaram menor frequência absoluta de linfócitos do que os controles, além de menor frequência absoluta e relativa de linfócitos T (LT) CD4+ de memória central e frequência absoluta de LT CD8+ de memória efetor e LT Th1 e Th2. Pacientes também apresentaram menor frequência absoluta de linfócitos B (LB) totais e LB imaturos, transicionais, LB com e sem switch de memória e plasmablastos, além de menor frequência relativa de LB naïve maduros. Encontramos maior capacidade proliferativa de LT estimulados com anti-CD3/CD28, além maiores níveis de IgG1 e IgG3 e menores níveis de IgG2 e IgG4 em pacientes. Na avaliação temporal, houve aumento da frequência relativa de LT CD4+, acompanhado de elevação de LT CD4+ de memória central e redução da frequência relativa de LT CD8+ de memória efetor. Também observamos redução da frequência relativa e absoluta de LB totais e absoluta de LB naïve maduros e de memória atípicos, redução da proliferação de LT estimulado com anti-CD3/CD28, dos níveis séricos de IgG, e de IgG1, IgG2 e IgG4. Após vacina contra o pneumococo houve elevação de anticorpos contra todos os sorotipos, apesar de onze pacientes não terem apresentado a resposta vacinal esperada. De forma semelhante, houve elevação dos anticorpos anti-toxóide tetânico, porém quatorze pacientes não obtiveram proteção plena. Análise hierárquica de clusters deflagrou três clusters em relação às variações temporais dos parâmetros imunológicos analisados, sendo que um desses clusters se associou com a ocorrência de infecções. A característica mais marcante desse cluster foi a redução dos níveis de imunoglobulinas após o tratamento. Conclusão: Houve flagrante heterogeneidade interindividual em relação à evolução temporal dos parâmetros imunitários estudados ao longo do tratamento com ciclofosfamida. Dentre os parâmetros analisados, a variação temporal dos níveis de imunoglobulinas parece despontar como potencial marcador para identificar risco de infecções durante o tratamento.
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Efeito da melatonina sobre o perfil de miRNA de espermatozoides, regiões do cérebro e cerebelo de ratos Wistar
(Universidade Federal de São Paulo, 0015-04-24) Nascimento, Mísia Helena da Silva Ferro [UNIFESP]; Teixeira , Taiza Stumpp [UNIFESP]; Amaral, Fernanda Gaspar [UNIFESP]; http://lattes.cnpq.br/6398402888086154; http://lattes.cnpq.br/1024329256080770
Introdução: A melatonina é sintetizada exclusivamente à noite, em diversos organismos. Nos mamíferos, a melatonina se origina nos pinealócitos presentes na glândula pineal. Dentre várias funções associadas a melatonina, a ação e influência do hormônio na espermatogênese é de particular interesse porque os gametas transferem não apenas informações genéticas, mas também epigenéticas para o embrião. Sabe-se que o espermatozoide é rico em miRNAs, que são transferidos para o embrião e podem configurar os mecanismos de herança epigenética paterna. Objetivo: investigar a influência da melatonina afeta a expressão de miRNA nos espermatozoides, regiões do cérebro e cerebelo de ratos. Metodologia: Esse estudo compreendeu três grupos experimentais: PINX, PINX MEL e controle. O primeiro consiste em animais que sofreram remoção da glândula pineal. O grupo PINX MEL foi composto por animais pinealectomizados que tiveram suplementação de melatonina. O grupo controle não sofreu manipulação. Os miRNAs foram extraídos dos espermatozoides, hipotálamo, córtex pré-frontal e cerebelo para análise de sua expressão por RT-qPCR. Foram analisados 8 miRNAs-alvos: miR-18a-5p, miR-34a-5p, miR-106b-5p, miR-132-5p, miR-195-5p, miR-219a-5p, miR-182-5p e Let-7g-5p. Foi realizada também análise de bioinformática buscando compreender as possíveis implicações biológicas das alterações da expressão dos miRNAs analisados. Resultados: Os animais pinealectomizados apresentaram redução da expressão de todos os miRNAs avaliados nos espermatozoides e de alguns desses miRNAs no cérebro e cerebelo. A administração da melatonina exógena levou à restauração da expressão desses miRNAs nos espermatozoides e também em algumas regiões do cérebro. A análise bioinformática indicou que todos os miRNAs analisados estão envolvidos em processos biológicos relacionados a neurogênese, sinapses e ao comportamento. Conclusão: O presente estudo sugere que a deficiência de melatonina afeta de forma significativa a expressão de miRNAs relacionados ao neurodesenvolvimento e à neurofisiologia em espermatozoides de ratos pinealectomizados. Estudos futuros são de grande valia a fim de esclarecer quais os significados biológicos dessas alterações para os animais pinealectomizados e se elas podem ter impacto para sua prole.
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Acesso a curativos e bandagens para o tratamento de feridas no Brasil por meio da judicialização
(Universidade Federal de São Paulo, 2024-03-15) Nobre, Vera Patricia Carneiro Cordeiro [UNIFESP]; Taminato, Monica [UNIFESP]; Gamba, Monica Antar [UNIFESP]; Oliveira, Lavinia Santos de Souza [UNIFESP]; http://lattes.cnpq.br/3703502378106601; http://lattes.cnpq.br/4395274190819954; http://lattes.cnpq.br/3626639720691828; http://lattes.cnpq.br/4676403423960251
Cada vez mais indivíduos têm recorrido ao Poder Judiciário em busca de insumos hospitalares e tratamentos para feridas, deslocando questões de saúde para os tribunais e gerando debates sobre o papel do Judiciário na garantia de serviços médicos. Objetivo geral: Analisar a judicialização do acesso a curativos e bandagens para o Tratamento de Feridas no Brasil e no Estado de São Paulo. Objetivos específicos: Caracterizar as demandas judiciais relacionadas ao fornecimento de curativos e bandagens para o tratamento de feridas no Brasil e descrever as demandas judiciais em primeiro e segundo grau de Jurisdição, impetradas junto ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) relacionadas ao fornecimento de curativos e bandagens para o tratamento de feridas. Método: estudo com abordagem quali-quanti, descritivo e interpretativo. Dados extraídos no sitio eletrônico do Painel de Estatísticas Processuais de Direito da Saúde e em Sentenças e Acórdãos com trânsito em julgado no Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP), no período de 2020 a 2023. Resultados: a maioria dos processos judiciais que buscam garantir a eficácia das políticas públicas de saúde se refere à proteção de direitos já incluídos no SUS. O tempo de tramitação dos processos judiciais na área da saúde desempenha um papel crítico na eficácia da judicialização, influenciando diretamente o acesso dos indivíduos a tratamentos e serviços de saúde. As demandas judiciais analisadas envolvem itens que, para o Estado, não acarretariam desequilíbrio financeiro. Conclusão: A judicialização configura um canal essencial para acessar o direito social à saúde, demonstrando que não se trata de uma invasão à competência dos demais Poderes da República, mas sim uma resposta legítima diante das deficiências no sistema de saúde. Recomendamos o desenvolvimento de estratégias para a garantia do acesso aos recursos para o tratamento de feridas de forma equitativa através da rede de atenção.
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Efeitos da dieta com baixo teor de carboidratos e hiperlipídica com diferentes tipos de ácidos graxos no eixo intestino- tecido adiposo– hipotálamo em camundongos com obesidade.
(Universidade Federal de São Paulo, 2024-03-08) Ferreira, Yasmin Alaby Martins [UNIFESP]; Pisani, Luciana Pellegrini [UNIFESP]; Santamarina, Aline Boveto [UNIFESP]; http://lattes.cnpq.br/7371478593039938; http://lattes.cnpq.br/3983527783636073; http://lattes.cnpq.br/6864025960714158
Introdução: O perfil da dieta ocidental, rica em ácidos graxos saturados e ômega6, vem sendo associado com o aumento da adiposidade, da inflamação, e de alterações da microbiota e na integridade da barreira intestinal. Por outro lado, está bem documentado os benefícios à saúde com o aumento na ingestão de ácidos graxos do tipo ômega-3. O padrão de dieta vem sendo identificado como fator chave na conexão do eixo microbiota intestinal-tecido adiposo-cérebro apresentando relação direta com a obesidade e suas comorbidades, A dieta com baixo teor de carboidratos vem sendo praticada com intuito da rápida perda peso, porém, está associada à alta ingestão de lipídios sem recomendação precisa dos tipos de ácidos graxos. Frente ao exposto, torna-se necessário investigar o efeito dos diferentes tipos de ácidos graxos na dieta hiperlipídica/baixo teor de carboidratos ao que concerne à perda de peso associada ao eixo intestino-tecido adiposo-cérebro. Objetivo: O presente estudo visa investigar em camundongos Swiss com obesidade o efeito metabólico dos diferentes tipos de ácidos graxos na dieta hiperlipídica/baixo teor de carboidratos. Métodos: 48 animais foram tratados com dieta hiperlipídica e hiperglicídica (HFD) (n=40) ou dieta controle (CTL) (n=8) por 10 semanas. Após esse período, os camundongos do grupo HFD foram divididos em 5 grupos: dieta hiperlipídica e hiperglicídica (HFD); dieta com baixo teor de carboidrato e rica em gordura saturada (LC SAT); dieta com baixo teor de carboidrato e rica em ômega-3 (LC ω-3); dieta com baixo teor de carboidrato e rica em ômega-6 (LC ω-6) ou dieta com baixo teor de carboidrato e rica em ômega-9 (LC ω-9) ao longo de 6 semanas. Foram analisados o conteúdo de citocinas inflamatórias (TNF-α, IL-1β, TGF-β, IL-10) e a expressão de proteínas da via inflamatória do Toll Like Receptor4 (TLR4), via dependente de MYD88 (gene de resposta primária da diferenciação mieloide 88), no cólon, tecido adiposo branco epididimal, e hipotálamo; adicionalmente foram quantificadas as proteínas envolvidas no metabolismo lipídico e na biogênese mitocondrial como AMPK, SIRT1, UCP1 e PGC1-α no tecido adiposo epididimal e marrom. No tecido adiposo marrom foi avaliado a expressão de proteínas envolvidas no complexo mitocondrial da fosforilação oxidativa (OXPHOS). Resultados: A dieta hiperlipídica foi capaz de aumentar o depósito de gordura visceral do tecido adiposo xi epididimal nos camundongos, entretanto, o grupo que recebeu ω-3 foi capaz de atenuar este aumento. No tecido adiposo epididimal os ácidos graxos insaturados foram capazes de modular as citocinas envolvidas no processo inflamatório e o marcador de biogênese mitocondrial PGC1-α. Já no tecido adiposo marrom, houve modulação do PGC-1 e do complexo mitocondrial. No cólon a dieta hiperlipídica aumentou as concentrações de IL-10. Quanto ao hipotálamo foi observado que o TGF-β1 aumentou no grupo LC ω-9 comparado ao grupo HFD e o IL-1β foi menor no grupo LC ω-3 comparado aos grupos controle, LC SAT e LC ω-9. Conclusão: Nossos achados apontam que a dieta hiperlipídica com diferentes tipos de ácidos graxos e baixo teor de carboidratos teve efeito em parâmetros inflamatórios e marcadores envolvidos na biogênese mitocondrial contribuindo com a perda de peso e adiposidade, no entanto, atuam de forma específica nos diferentes tecidos sem relação direta com o eixo microbiota intestinal-tecido adiposo-cérebro.
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Avaliação nutricional dos pacientes com narcolepsia segundo os níveis de hipocretina-1 no líquido cefalorraquiano
(Universidade Federal de São Paulo, 2024-03-26) Reis, Maria Júlia Figueiró [UNIFESP]; Coelho, Fernando Morgadinho Santos [UNIFESP]; http://lattes.cnpq.br/4520146294812879; http://lattes.cnpq.br/0557446136420375
INTRODUÇÃO: Muito além da sonolência excessiva diurna ligada à narcolepsia, estudos recentes vêm indicando novos alvos para o manejo da qualidade de vida nessa população. Avanços importantes foram feitos em crononutrição, especialmente evidenciando-se uma tendência ao ganho ponderal e provavelmente à rarefação óssea. O objetivo do nosso estudo foi avaliar esse espectro adicional de sintomas, correlacionando-o com o tipo de narcolepsia, com a dosagem de hipocretina-1 no líquido cefalorraquiano (LCR) e com características cronobiológicas. MÉTODOS: Foram selecionados pacientes adultos com narcolepsia do tipo 1 (NT1) e do tipo 2 (NT2), os quais foram submetidos a medições antropométricas padronizadas (índice de massa corporal e relação cintura-quadril, respectivamente IMC e RCQ), análise de impedância bioelétrica (BIA) e avaliação nutricional por meio de um recordatório alimentar de 24 horas (24HR). O percentual de massa mineral óssea (%MMO) foi obtido por meio da divisão da massa mineral óssea pelo peso, ambos medidos via BIA. Indivíduos que consumiram uma quantidade maior de calorias antes das 15:00 foram classificados como matutinos, enquanto os demais foram classificados como vespertinos. As medições antropométricas e o %MMO foram então analisados em função do tipo de narcolepsia, dos níveis de hipocretina-1 e do perfil nutricional de matutinidade-vespertinidade. Valores de p inferiores a 0,05 e um intervalo de confiança de 95% foram adotados como condições de significância estatística. RESULTADOS: Foi avaliado um total de 49 pacientes (31 com NT1 e 18 com NT2). Os pacientes com NT1 demonstraram maior grau de obesidade que aqueles com NT2, além de uma tendência à rarefação óssea (IMC: 32,04±6,95 vs. 25,38±4,26 Kg/m2, p<0,01; RCQ: 0,89±0,09 vs. 0,83±0,09, p=0,02 e %MMO: 4,1±1,02 vs. 4,89±0,59%, p<0,01). Tais achados parecem estar ligados às dosagens de hipocretina-1, já que elas tiveram correlação negativa com o ganho de peso (IMC: r=-0,54, p<0,01 e RCQ: r=-0,37, p=0,01) e correlação positiva com o %MMO (r=+0,48, p<0,01). O perfil de matutinidade-vespertinidade não se associou a uma modificação nas medidas antropométricas ou na massa mineral óssea. Entretanto, de forma interessante, pacientes vespertinos realmente tiveram uma maior ingestão de calorias durante o dia (2700,00±834,23 vs. 2237,82±550,73 kcal, p=0,03), e as análises globais mostraram uma correlação positiva entre a ingesta calórica diária e a RCQ (r=+0,42, p<0,01). Em contraste com estudos prévios, a modafinila não modificou o %MMO (4,51±0,75 vs. 4,16±1,27%, p=0,54). Também não foram observadas diferenças no padrão de uso da medicação entre NT1 e NT2 ou entre matutinos e vespertinos. CONCLUSÕES: O perfil de morbidade inerente à narcolepsia pode incluir fatores que vão além da sonolência excessiva necessária ao seu diagnóstico. Embora os dados sejam incipientes e haja a necessidade de novos estudos para a confirmação, os profissionais de saúde devem prestar especial atenção ao ganho de peso e a uma possível rarefação óssea, com vistas a permitir uma detecção precoce de doença, seguida do correto manejo clínico.