Práticas de profilaxia antifúngica e epidemiologia das infecções fúngicas no transplante hepático

Práticas de profilaxia antifúngica e epidemiologia das infecções fúngicas no transplante hepático

Título alternativo Antifungal prophylaxis practices and epidemiology of fungal infections in liver transplantation
Autor Zicker, Michelle Autor UNIFESP Google Scholar
Orientador Camargo, Luis Fernando Aranha Autor UNIFESP Google Scholar
Instituição Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Resumo Objectives: the aims of this study were to determine the incidence and epidemiology of fungal infection in liver transplant recipients; to describe and to compare the antifungal prophylaxis regimens regarding the requirement of late antifungal therapy, the incidence of fungal infection, graft loss and survival rates; to describe fungal infection breakthrough episodes and to determine the risk factors for developing invasive fungal infection (IFI) within 12 months of transplantation. Methods: this is a retrospective observational study. We analyzed the medical records of all liver transplant recipients above 18 years old who underwent liver transplantation at Hospital Israelita Albert Einstein, between 2002 and 2007. Results: A total of 596 liver transplants were performed in 540 patients. Overall, 106 fungal infections occurred in 95 (18%) patients. Among the 106 fungal infections, there were 40 IFI that occurred in 37 patients (7%). Candida and Aspergillus species were the commonest etiologic agents. Candida species accounted for 87% of all fungal infection and for 67,5 of all invasive fungal infections, while Aspergillus species accounted for 7% of all fungal infections and for 17,5 of all invasive fungal infections. Only 138 patients received antifungal prophylaxis and among them 135 received fluconazole at 50 mg, 100 mg or 200 mg daily; amphotericin B was given at 10 mg, 25 mg or 40 mg daily. Systemic antifungal prophylaxis reduced the incidence of superficial (15% vs. 4%; p = 0,001) and IFI (9% vs. 3%; p=0,019)and the requirement of late antifungal therapy (67% vs. 23%; p< 0,001), but it showed no benefit in the multivariate analysis. Fluconazole at 100 mg or lower doses reduced the incidence of early fungal infection mostly due to the decrease in the incidence of superficial fungal infections, when compared to patients who didn’t receive any kind of antifungal prophylaxis (3,2% vs. 18,9%; p< 0,001). There was no difference of outcome regarding patient survival and graft loss among all antifungal prophylaxis regimens. There were 3 IFI breakthroughs among the patients who received prophylactic fluconazole. Significantly associated risk factors for developing IFI within 12 months of transplantation were retransplantation (OR 4,7; CI 95% 2,0-11,3; p<0,001), fungal colonization (OR 20,6; CI 95% 6,6-54,4; p<0,001) and taking metronidazole (OR 4,8; CI 95% 2,2-10,5; p<0,001).Conclusions: there was a low incidence of invasive fungal infection which reflected a population with a few risk factors. Candida and Aspergillus were the commonest etiologic agents. Systemic antifungal prophylaxis reduced the incidence of invasive and superficial fungal infections and the requirement of late antifungal therapy, but showed no effect in the multivariate analysis. No kind of antifungal prophylaxis regimen affected overall mortality or graft loss. Retransplantation, fungal colonization and taking metronidazole were the identified risk factors for developing IFI within 12 months of transplantation.

Objetivos: descrever a incidência e epidemiologia das infecções fúngicas no transplante hepático; descrever os esquemas de profilaxia antifúngica sistêmica, e compará-los quanto à ocorrência de infecção fúngica, uso posterior de antifúngico, perda do enxerto e sobrevida; descrever os episódios de infecção fúngica de escape; descrever os fatores de risco para a ocorrência de infecções fúngicas invasivas (IFI) em 12 meses. Métodos: estudo observacional, retrospectivo, com coleta de dados em prontuários médicos dos pacientes com idade maior que 18 anos, submetidos a transplante hepático, no Hospital Israelita Albert Einstein, entre 2002 e 2007. Resultados: Entre os 540 pacientes estudados, foram realizados 596 transplantes hepáticos. Observou-se 106 episódios de infecção fúngica em 95 (18%) pacientes. Entre os 106 episódios de infecção fúngica, houve 40 episódios de IFI em 37 pacientes (7%). As espécies de Candida e Aspergillus foram os agentes mais frequentes, responsáveis respectivamente por 87% e 7% de todas as infecções fúngicas e por 67,5% e 17,5% das IFI. Apenas 138 pacientes receberam profilaxia antifúngica e, destes, 135 utilizaram fluconazol, nas doses de 50 mg, 100 mg ou 200 mg por dia; anfotericina B foi utilizada nas doses de 10 mg, 25 mg e 40 mg por dia. O uso de profilaxia antifúngica sistêmica diminuiu a incidência de IFI (9% vs. 3%; p=0,019) e superficiais (15% vs. 4%; p = 0,001) e o uso posterior de antifúngicos (67% vs. 23%; p< 0,001), mas o efeito protetor não se manteve na análise multivariada de fatores de risco. Houve diferença na incidência de infecção fúngica precoce total entre os que fizeram profilaxia com fluconazol em doses iguais ou menores do que 100 mg, comparados com os pacientes que não receberam profilaxia antifúngica (3,2% vs. 18,9%; p< 0,001), à custa de redução das infecções fúngicas superficiais. Não houve diferença de sobrevida ou perda de enxerto entre os diferentes esquemas de profilaxia antifúngica. Foram observados três episódios de IFI de escape entre os pacientes que receberam fluconazol profilático. Na análise multivariada, retransplante (OR 4,7; IC 95% 2,0-11,3; p<0,001), colonização fúngica (OR 20,6; IC 95% 6,6-54,4; p<0,001) e uso de metronidazol (OR 4,8; IC 95% 2,2-10,5; p<0,001) foram os fatores de risco encontrados para a ocorrência de IFI em até 12 meses pós-transplante. Conclusões: a incidência de IFI foi baixa, refletindo uma população de baixo risco. Candida e Aspergillus foram os agentes etiológicos mais frequentes. O uso de profilaxia antifúngica sistêmica diminuiu o uso posterior de antifúngico, mas não foi protetor para ocorrência de infecção fúngica invasiva, na análise multivariada. Nenhum esquema de profilaxia antifúngica esteve associado com redução de mortalidade ou perda do enxerto. Retransplante, colonização fúngica e uso de metronidazol foram os fatores de risco associados à ocorrência de infecção fúngica invasiva.
Palavra-chave Fatores de risco
Micoses/Epidemiologia
Prevenção primária
Transplante de fígado/Estatística e dados
Idioma Português
Data de publicação 2010-11-24
Publicado em ZICKER, Michelle. Práticas de profilaxia antifúngica e epidemiologia das infecções fúngicas no transplante hepático. 2010. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo, 2010.
Publicador Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Extensão 89 p.
Direito de acesso Acesso aberto Open Access
Tipo Dissertação de mestrado
Endereço permanente http://repositorio.unifesp.br/handle/11600/9952

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Nome: Publico-437.pdf
Tamanho: 1.751MB
Formato: PDF
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