Novos corantes vitais e instrumentos para cirurgia ocular

Novos corantes vitais e instrumentos para cirurgia ocular

Título alternativo New dyes and vital instruments for eye surgery
Autor Rodrigues, Eduardo Buchele Autor UNIFESP Google Scholar
Orientador Farah, Michel Eid Autor UNIFESP Google Scholar
Instituição Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Resumo Objetivos: Este estudo contém cinco objetivos: 1. Realizar uma revisão atualizada do uso de corantes vitais em cirurgia ocular. 2. Apresentar os mecanismos de toxicidade retiniana por indocyanine green. 3. Avaliar a capacidade de novos corantes de tingir tecidos oculares. 4. Investigar a toxicidade retiniana de seis novos corantes em um modelo animal. 5. Introduzir um novo instrumento para tingir a membrana limitante interna, o Vitreoretinal Internal Limiting membrane Color Enhancer “VINCE”. Materiais e Métodos: 1. A literatura médica de 1993 a 2009 foi revisada para fornecer um sumário atualizado do conhecimento sobre o uso cirúrgico de corantes vitais para a cirurgia ocular. 2. Um estudo na literatura de 1998 a 2009 foi realizado para esclarecer os mecanismos da toxicidade depois da injeção intravítrea do indocyanine green. 3. Inicialmente, treze corantes foram usados na concentração de 0.05% e 0.5%: light green, fast green, methyl violet, crystal violet, congo red, eosin Y, sudan black B, evans blue, brilliant blue, bromophenol blue, methylene blue, toluidine blue e indigo carmine. Os corantes foram aplicados sobre a cápsula anterior, durante um minuto, para a execução da capsulorrexis em 96 olhos de porcos post-mortem. O vítreo foi removido manualmente e inserido, por um minuto, em solução de 2 ml contendo cada um dos corantes em um frasco. Os corantes foram aplicados sobre a membrana limitante interna durante um minuto, para realização de sua dissecção, seguido de exame de histologia. Na segunda etapa do procedimento, seis corantes foram selecionados; light green, fast green, bromophenol blue, brilliant blue, indigo carmine e evans blue para experimentos com olhos humanos cadavéricos, com metodologia semelhante. 4. Após a seleção de seis corantes, 90 coelhos foram utilizados para a realização dos experimentos de toxicidade retiniana. Uma quantidade de 0.05 ml com 0.5% ou 0.05% de light green, fast green, evans blue, brilliant blue, bromophenol blue e indigo carmine foi injetada na cavidade vítrea. Exame clínico, angiografia fluoresceínica, histologia com microscopia de luz e microscopia eletrônica de transmissão foram realizados no dias 1 e 7. 5. Um novo pincel foi construído a partir de um instrumento backflush modificado, contendo um compartimento de silicone descartável com o corante. Resultados: 1. Trypan blue é o principal corante para a visibilidade da cápsula anterior, mas bromophenol blue, brilliant blue e indocyanine green são alternativas em estudo. Indocyanine green, trypan blue, brilliant blue e triamcinolone acetonide são os principais corantes usados para a cromovitrectomia. O perfil de segurança dos corantes vitais encontra-se controverso até o momento. 2. A maior parte dos experimentos em animais e dos estudos clínicos indicou que a toxicidade retiniana é dependente da dose utilizada. Os principais mecanismos de toxicidade postulados após injeção intravítrea por indocyanine green são: a) Osmolaridade de soluções de indocyanine green; b) Lesão direta causada pela molécula de indocyanine green; c) Modificação bioquímica na membrana limitante interna; d) Íons; e) Toxicidade de indocyanine green potencializada pela luz; f) Produtos de decomposição da solução de indocyanine green. 3. Em olhos de porcos, 0.5% de toluidine blue, evans blue, light green, sudan black, crystal violet, fast green, methyl violet, indocyanine green, brilliant blue e bromophenol blue promoveram uma moderada coloração na cápsula anterior, entretanto, o trypan blue demonstrou forte afinidade. A coloração da membrana limitante interna com 0.5% de methyl violet, crystal violet, brilliant blue e sudan black induziram forte coloração. Methyl violet, crystal violet, sudan black, toluidine blue e methylene blue causaram lesão histológica em retinas de porcos. O vítreo ficou moderadamente corado com 0.5% de congo red, crystal violet, fast green, eosin Y, methylene blue, toluidine blue, brilliant blue, bromophenol blue e methyl violet, e fortemente com light green e evans blue. Em olhos cadavéricos, 0.5% de evans blue, light green e bromophenol blue causaram uma coloração moderada da membrana limitante interna, mas brilliant blue e indocyanine green promoveram forte tingimento. O vítreo foi moderado ou fortemente corado por todos os corantes. A cápsula anterior foi fortemente corada por 0.5% de light green e bromophenol blue. Membranas epirretinianas demonstraram forte afinidade a 0.5% de evans blue. 4. A angiografia fluoresceínica mostrou alterações focais na fluorescência por eventual lesão do epitélio pigmentado da retina nos olhos submetidos à aplicação de 0.5% de evans blue. Microscopias de luz e eletrônica revelaram alterações retinianas mais marcantes na retina externa com evans blue, light green e bromophenol blue. A injeção de brilliant blue a 0.5% causou alterações focais específicas nos fotorreceptores. Light green a 0.5% causou vacuolização difusa de células bipolares, após 1 e 7 dias. Injeção de evans blue a 0.5% resultou em perda significativa do número de células neurorretinianas no exame de 7 dias (P <0.05). O eletrorretinograma mostrou latência prolongada e diminuição da amplitude em olhos injetados com 0.5% de evans blue, light green, brilliant blue e bromophenol blue. 5. O VINCE permitiu a pintura seletiva da membrana limitante interna e membrana epirretiniana nos olhos de animais enucleados, enquanto as regiões centrais da mácula e retina periférica permaneceram sem contato com o corante no peroperatório. Conclusões: Os novos corantes brilliant blue, bromophenol blue, fast green e light green coram a membrana limitante interna. As membranas epirretinianas podem ser muito bem coradas com light green, fast green, bromophenol blue e evans blue. Todos os corantes possuem boa afinidade com o vítreo. Os corantes vitais fast green, light green, índigo carmine, bromophenol blue e brilliant blue, na dose baixa de 0.05%, demonstraram boa biocompatibilidade retiniana. O VINCE pode ser utilizado para minimizar a quantidade de corante aplicado sobre a superfície retiniana. O uso cirúrgico de novos instrumentos e corantes vitais na cirurgia ocular representam uma nova e importante área de investigação científica que permitem aprimorar os resultados cirúrgicos.
Palavra-chave Equipamentos e provisões
Procedimentos cirúrgicos oftalmológicos
Agentes corantes
Corantes
Idioma Português
Data de publicação 2011-02-22
Publicado em RODRIGUES, Eduardo Büchele. Novos corantes vitais e instrumentos para cirurgia ocular. 2011. 188 f. Tese (Doutorado) - Escola Paulista de Medina, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo, 2011.
Publicador Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Extensão 188 p.
Direito de acesso Acesso aberto Open Access
Tipo Tese de doutorado
Endereço permanente http://repositorio.unifesp.br/handle/11600/9845

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