Avaliação da dor diante de estímulo não-nociceptivo em prematuros ao longo dos primeiros 28 dias de vida

Avaliação da dor diante de estímulo não-nociceptivo em prematuros ao longo dos primeiros 28 dias de vida

Título alternativo Pain evaluation after a non-nociceptive stimulus in preterm infant during the first 28 days of life
Autor Rodrigues, Adriana Cardoso Autor UNIFESP Google Scholar
Orientador Guinsburg, Ruth Autor UNIFESP Google Scholar
Instituição Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Resumo Preterm critically ill newborn infants are routinely exposed to painful and aggressive treatments at intensive care in order to diagnose and/or treat clinical conditions that threat survival, with a high incidence of these procedures during the first week of life. Preterm neonates, since early in fetal life, are able to feel and respond to pain. Repetitive noxious stimulation in early post-natal life may lead to alterations in pain processing, cognition and behavior during childhood, adolescence and/or adulthood. In this context, the objective of the present study was to evaluate, in infants with gestational age of 28-32 weeks, if a routine non-painful procedure is perceived as pain throughout the neonatal period. A cohort of 36 preterm infants without malformations was evaluated for the presence of pain during diaper change during the first 28 days of life. Patients were studied at three times (5 minutes before the procedure, during a diaper change and 3 minutes afterwards) on five different occasions (72 hours, 7, 14, 21 and 28 days old) regarding heart rate, oxygen saturation and three validated pain scales, the Neonatal Infant Pain Scale (NIPS), the Neonatal Behavioral Indicators of Pain (BIIP) and the Premature Infant Pain Profile (PIPP). Results were analyzed by repeated measures ANOVA adjusted for sex, gestational age at birth, number of painful procedures and use of opioids. The patients had, at birth, a mean gestational age of 30.2±1.4 weeks, weight of 1257±238 grams, and 18 (50%) of each sex. The results indicate that preterm infants with gestational age of 28-32 weeks do not feel pain in response to a non-painful handling during the neonatal period. That is, the qualitative and quantitative analysis of validated pain scales did not show increased frequency of pain or increased pain scores throughout the neonatal period, during the serial evaluations conducted at diaper change. Also, no correlation was found between prior pain experience and variation of BIIP and NIPS scores at the three time points or between the number of procedures performed during the 28 days and the PIPP score. The variation of oxygen saturation in the three study times was similar at the five occasions that neonates were evaluated, but the increase in heart rate from rest to handling increased with the post-natal age of the infant. The levels of heart rate at recovery were increasingly higher throughout the first 28 days of life. These results do not indicate the presence of pain responses to non-nociceptive stimuli in preterm infants exposed to a mean of 30 previous painful procedures. However, at increasing post-natal age, the neonate with 28-32 weeks responded to non-painful handling with a greater increase in heart rate, suggesting a change in the threshold of hypothalamic-pituitary-adrenal response to stress.

Recém-nascidos prematuros e/ou gravemente enfermos são submetidos a tratamentos agressivos e dolorosos, necessários para o suporte vital ao longo das primeiras semanas de vida. Já se sabe que os prematuros apresentam condições neurológicas para perceber e experimentar a dor e que estímulos nociceptivos repetitivos no inicio da vida podem levar a alterações no processamento da dor e no desempenho cognitivo e comportamental na infância, adolescência e vida adulta. Nesse contexto o objetivo da pesquisa foi avaliar, em recém-nascidos com 28-32 semanas de idade gestacional, se um procedimento de rotina não doloroso passa a ser percebido como doloroso no decorrer do período neonatal. Uma coorte de 36 pacientes prematuros sem malformações foi avaliada quanto à presença de dor durante a troca da fralda, durante os primeiros 28 dias de vida. Os pacientes foram estudados em três tempos (5 minutos antes da troca, durante a troca e 3 minutos após) e em cinco momentos (72 horas, 7, 14, 21 e 28 dias de vida) por meio da freqüência cardíaca, saturação de oxigênio e três escalas validadas para avaliar dor no recém-nascido: Escala de Dor Neonatal (NIPS), Indicadores Comportamentais de Dor Neonatal (BIIP) e Perfil de Dor do Prematuro (PIPP). Os resultados foram analisados por ANOVA para medidas repetidas ajustada para sexo, idade gestacional ao nascer, número de procedimentos dolorosos e uso de opióides. Os pacientes tinham, ao nascer, idade gestacional média de 30,2±1,4 semanas, peso de 1257±238g, sendo 18 (50%) de cada sexo. Os resultados do presente estudo indicaram que pacientes prematuros, com 28-32 semanas de idade gestacional, não passam a apresentar dor em resposta à manipulação não dolorosa ao longo do período neonatal. Ou seja, a análise qualitativa e quantitativa das escalas validadas de dor não demonstrou aumento da presença ou da pontuação das avaliações seriadas realizadas durante a troca de fraldas dos pacientes analisados, sem correlação entre a experiência dolorosa prévia e a variação dos escores da BIIP e da NIPS nos três momentos de avaliação ou entre o número de procedimentos efetuados durante os 28 dias analisados e o escore da PIPP. A variação da saturação de oxigênio nos três tempos de estudo foi similar ao longo do período neonatal, mas a freqüência cardíaca se elevou de maneira crescente entre o repouso e a troca de fraldas e permaneceu mais elevada na recuperação, após a manipulação, no decorrer das semanas de avaliação. Os resultados obtidos indicam, portanto, que, em prematuros moderados, submetidos à cerca de 30 procedimentos dolorosos pregressos, não parece haver a amplificação da nocicepção para estímulos não dolorosos, ou seja, o estímulo não doloroso não desencadeia a presença de dor avaliada por escalas validadas. Observou-se, entretanto, que, à medida que aumenta a idade pós-natal, o recém-nascido com idade gestacional de 28-32 semanas passa a responder ao estímulo não doloroso com maior elevação da freqüência cardíaca, sugerindo uma modificação do limiar do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal em resposta ao estresse.
Palavra-chave Avaliação da dor
Dor
Unidades de terapia intensiva neonatal
Recém-nascido
Prematuro
Medição da dor
Idioma Português
Data de publicação 2011-06-29
Publicado em RODRIGUES, Adriana Cardoso. Avaliação da dor diante de estímulo não-nociceptivo em prematuros ao longo dos primeiros 28 dias de vida. 2011. Dissertação (Mestrado) - Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo, 2011.
Publicador Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Extensão 82 p.
Direito de acesso Acesso restrito
Tipo Dissertação de mestrado
Endereço permanente http://repositorio.unifesp.br/handle/11600/9013

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Nome: Retido-12618.pdf
Tamanho: 1.083MB
Formato: PDF
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