Análise prospectiva do crescimento de rins transplantados em crianças e sua relação com a função do enxerto

Análise prospectiva do crescimento de rins transplantados em crianças e sua relação com a função do enxerto

Título alternativo Prospective analysis of the growth of transplanted kidneys in children and its relation to graft function
Autor Feltran, Luciana de Santis Autor UNIFESP Google Scholar
Orientador Pacheco-Silva, Alvaro Autor UNIFESP Google Scholar
Instituição Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Resumo Kidneys harvested from pediatric donors have been considered not as good as kidneys from adult donors by many transplant centers, perhaps owing to the poorer survival reported by some authors when using these grafts. However, pediatric renal grafts have demonstrated capacity to adapt to the recipient improving their function over time when transplanted in children. The volume adaptation of renal grafts transplanted in children remains unknown. The aim of the present study was to assess the growth of renal grafts transplanted into children, during the first year post-transplant. In addition, we sought to determine correlations between graft growth and function, and recipient growth. We also evaluated graft perfusion and hyperfiltration trying to understand the risk-benefits of the adaptation process. Two groups were enrolled on an observational, prospective study, defined as follows: a) Group 1 comprised 32 children (11.5 ± 4.5 years old, 13 girls) transplanted with kidneys from pediatric deceased donors < 16 years old and b) Group 2 comprised 31 children (11.0 ± 4.2 years old, 16 girls) transplanted with kidneys from adult living relatives. Enrolled patients were followed by one year and submitted to repeated anthropometric assessments, sonographic measurements and Doppler of the graft and sampling of serum creatinine, proteinuria, microalbuminuria, creatinine clearance and urinary RBP (retinol binding protein). These procedures were performed at 1 week, 1, 6 and 12 months post-transplantation. Children from Group 1 presented an 18% increase in graft volume after the sixth month of transplant, whereas in Group 2 grafts presented a 14% reduction in volume, mainly during the first month; the variation in renal diameters was not uniform. Total graft volume variation was 53.3±17.4 to 64.5±24.3 cm3 in children from Group 1 and 72.6±21.0 a 62.4±14.8 cm3 in children from Group 2. Children from Group 1 presented a GFR increase during the follow up (46 to 102 ml/min/1.73m2) while the GRF was almost constant in children from Group 2 at the same period (104 to 99 ml/min/1.73m2). As a result, after one year of follow up the GFR and graft volume were similar. Growth of individuals from both groups was comparable. During the follow up, RBP measurement and resistive index obtained by Doppler ultrasound of the graft shown decreased values in children from group 1 and tendency to increased values in children from group 2. Abnormal proteinuria and microalbuminuria were more frequent in children from Group 1 after the 6th month of the transplant. At 1 year of follow-up, hypertension was statistically more frequent in children from group1. In conclusion, in the short-term pediatric kidneys raise volume and GFR whereas adult kidneys slightly lower volume and GFR when transplanted in children. Graft volume variation appear to occur independent of the child growth. Children probably can maintain better perfusion of kidney grafts from children than adults. After 6 months of transplant, proteinuria and hypertension were more frequent in children who received transplant from pediatric donors; however we cannot conclude that there is hyperfiltration in these grafts, because our study was not aimed to test this hypotesis. Taking our and other studies results into consideration, we can hypothesize that besides compensatory hypertrophy, pediatric grafts are likely capable of continued somatic growth.

Doadores renais pediátricos são muitas vezes considerados limítrofes por conferirem pior sobrevida do enxerto. No entanto, pesquisas recentes demonstram que esses rins possuem grande capacidade de adaptação funcional ao organismo do receptor. Muito pouco se sabe sobre como se daria a adaptação de enxertos renais quando transplantados em crianças, que são seres em período de crescimento. Realizamos estudo prospectivo com objetivo de avaliar o crescimento de enxertos renais quando transplantados em crianças e relacionar crescimento do enxerto com função do mesmo. Na tentativa de aprofundar o conhecimento nos mecanismos de crescimento do enxerto renal ainda relacionamos crescimento do enxerto com o crescimento pônderoestatural do receptor e avaliamos perfusão e sinais de hiperfiltração nesses rins após o transplante. Dois grupos de crianças foram avaliados por um ano após o transplante, sendo: grupo 1- composto por 32 crianças transplantadas com rins de doadores falecidos pediátricos < 16 anos (11,5 ± 4,5 anos, 13 meninas) e grupo 2- formado por 31 crianças transplantadas renais com rins de doadores adultos vivos relacionados (11,0 ± 4,2 anos, 16 meninas). Medidas antropométricas, ultrassom com Doppler do rim transplantado e exames laboratoriais: creatinina sérica, relação proteína-creatinina urinária, RBP (proteína carregadora de retinol) urinária, microalbuminúria em urina de 24 horas e clearance de creatinina foram realizados nos pacientes em estudo após 1 semana, 1, 6 e 12 meses do transplante. Crianças do grupo 1 apresentaram aumento de 18% do volume do enxerto após o sexto mês de transplante, enquanto no grupo 2 foi observada redução de 14% do volume renal, que ocorreu principalmente no primeiro mês após a cirurgia. A variação de volume dos enxertos renais foi de 53,3±17,4 a 64,5±24,3 cm3 nas crianças do grupo 1 e de 72,6±21,0 a 62,4±14,8 cm3 nas crianças do grupo 2, entre 1 semana e 1 ano do transplante, respectivamente. Aos 12 meses do transplante o volume dos enxertos renais dos dois grupos foi estatisticamente semelhante. A medida do ritmo de filtração glomerular (RFG) foi inferior nas crianças do grupo 1 no primeiro mês do transplante, mas mostrou-se crescente durante o seguimento (46 a 102 ml/min/1,73m2), enquanto a função renal das crianças do grupo 2 apresentou redução discreta no mesmo período (104 a 99 ml/min/1,73m2), de forma que não houve diferença estatística no RFG dos dois grupos à partir do primeiro mês do estudo. Medida de RBP urinária foi maior nas crianças do grupo 1 no primeiro mês de transplante, e decrescente à partir de então, e apresentou aumento discreto no decorrer do estudo nas crianças do grupo 2. O crescimento pôndero-estatural das crianças transplantadas foi semelhante nos dois grupos. Doppler de vasos renais evidenciou IR (índice de resitividade) decrescente nos pacientes do grupo 1 e com discreto aumento nos pacientes do grupo 2 durante o acompanhameto. Maior número de crianças do grupo 1 apresentou proteinúria e microalbuminúria aumentadas à partir do sexto mês de seguimento e hipertensão arterial aos 12 meses do transplante. Em conclusão, no decorrer de um ano pós transplante renal em crianças, enxertos renais oriundos de crianças e adultos apresentam volume e função semelhantes, graças a aumento de volume e melhora gradual de função dos rins pediátricos e a discreta redução desses parâmetros dos rins de adultos. A variação de tamanho dos enxertos acontece de modo independente do crescimento somático das crianças. A perfusão dos enxertos renais pediátricos melhora e dos enxertos renais de adultos tende a piorar, no decorrer desse período. À partir do sexto mês do transplante, maior número de crianças transplantadas com rins pediátricos apresentaram proteinúria aumentada e hipertensão arterial sistêmica; esse estudo, no entanto, não permite caracterizar que esses sinais representem hiperfiltração glomerular nesses casos, por dificuldades inerentes aos métodos utilizados. Enxertos renais pediátricos e adultos parecem se adaptar satisfatoriamente ao organismo da criança portadora de DRC no primeiro ano após o transplante. Estudos a longo prazo são necessários para a melhor compreensão dos benefícos e malefícios do processo adaptativo dos enxertos ao receptor pediátrico e para aventar possibilidades de intervenção nesse processo.
Palavra-chave Transplante renal
Criança
Ultrassonografia
Crescimento
Doador limítrofe
Idioma Português
Data de publicação 2009-11-25
Publicado em FELTRAN, Luciana de Santis. Análise prospectiva do crescimento de rins transplantados em crianças e sua relação com a função do enxerto. 2009. Tese (Doutorado) - Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo, 2009.
Publicador Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Extensão 114 p.
Direito de acesso Acesso restrito
Tipo Tese de doutorado
Endereço permanente http://repositorio.unifesp.br/handle/11600/8940

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Nome: Retido-093.pdf
Tamanho: 748.4KB
Formato: PDF
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