Movimentos em Marcha: ativismo, cultura e tecnologia.

Movimentos em Marcha: ativismo, cultura e tecnologia.

Author Parra, Henrique Zoqui Martins Google Scholar
Assumpção, Anah Google Scholar
Ortellado, Pablo Google Scholar
Rhatto, Silvio Google Scholar
Description Como ele tem por objetivo organizar e documentar o debate, talvez seja necessário explicitar alguns dos elementos de contexto em relação aos quais o debate emergiu: • A “primavera árabe” e o protesto dos indignados na Espanha foram creditados por muitos analistas ao poder das redes sociais na Internet e esse entendimento pautou o debate sobre novas formas de mobilização social no Brasil. Foi sob o impacto deste debate que viu-se e discutiu-se a nova onda de ativismo que promoveu mobilizações de rua nos primeiros meses de 2011 contra o aumento nas tarifas de ônibus, contra a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte e pela legalização da maconha. • A indicação de Ana de Hollanda para o Ministério da Cultura em janeiro de 2011 mobilizou diferentes setores do campo da cultura, principalmente da música, dos Pontos de Cultura e atores emergentes vinculados à chamada “cultura digital” que viram nas novas políticas um retrocesso em relação ao que havia sido realizado na gestão Gilberto Gil-Juca Ferreira (2002-2009). A insatisfação com as novas políticas aproximou estes grupos que promoveram uma mobilização intersetorial que discutiu a centralidade social da cultura defendendo que ela seria melhor acolhida com políticas de fomento aos grupos locais (pontos de cultura e coletivos de artistas) e às formas de compartilhamento da cultura digital. Em setembro, artistas do meio do teatro promoveram uma ocupação do prédio da Funarte em São Paulo, criticando a condução da política de cultura do MinC. A forma desta ocupação, no entanto, gerou reações de apoio e de reserva dos grupos que faziam oposição à ministra desde o começo do ano. • Desde o ano 2010, o campo da cultura começou a observar com mais atenção a emergência da rede Fora do Eixo, uma rede de gestores culturais que havia organizado um efetivo circuito alternativo para a produção e consumo de música. A rede Fora do Eixo se disseminou rapidamente num curto espaço de tempo, aliando novas formas de gestão organizacional ao compromisso e competência dos seus membros, o que gerou um verdadeiro choque no meio alternativo de música (o que não foi considerado positivo por todos). Com a Marcha da liberdade, o Fora do Eixo ensaiou atuar também nas manifestações de rua o que gerou reações dos atores que já atuavam aí. • Na cultura digital, a criação da Casa de Cultura Digital (uma rede de empreendimentos empresariais e não empresariais que utilizam ferramentas digitais) levou à discussão da necessidade dos grupos se emanciparem das políticas de fomento do Ministério da Cultura e criarem formas de sustentabilidade por meio de novos modelos de negócio - modelos que reconhecessem as potencialidades das novas tecnologias e abraçassem o acesso à cultura proporcionado por elas. No entanto, outros atores da cultura viram com desconfiança essa relação de sustentabilidade no mercado.
Abstract Este livro retrata um debate como há muito tempo não se via. Entre os meses de maio e setembro de 2011, um grande debate público - ou melhor, uma série de debates interligados e superpostos - realizado em diferentes meios de comunicação e na Internet discutiu as potencialidades das novas tecnologias, as novas formas de ativismo, as características atuais do capitalismo e a maneira como as atividades culturais articulam-se a essas dimensões. Esse debate tem raízes e contextos muito diferentes, mas talvez tenha eclodido com maior visibilidade a partir da organização da “Marcha da Liberdade” realizada em algumas cidades brasileiras no mês de junho e que reuniu ativistas de movimentos sociais “tradicionais”, ativistas que lutavam pela legalização da maconha e ativistas de movimentos de cultura. A grande repercussão do ato e a emergência de novos atores sociais suscitou grandes discussões que estão retratadas aqui. O livro busca reunir um debate que está disperso, selecionar os artigos mais relevantes e ordená-los na sequência em que se sucederam.
Keywords movimentos sociais
cultura digital
ativismo
lutas sociais
trabalho
xmlui.dri2xhtml.METS-1.0.item-coverage São Paulo
Language Portuguese
Date 2013
Publisher Publisher Brasil/Kernel
Extent 312
Origin http://emmarcha.milharal.org/files/2014/03/MOVIMENTOS-EM-MARCHA-2014.pdf
Access rights Open access Open Access
Type Book
URI https://repositorio.unifesp.br/handle/11600/53346

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Name: MOVIMENTOS-EM-MARCHA-2014.pdf
Size: 10.51Mb
Format: PDF
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