Alterações cardiovasculares induzidas pela apnéia obstrutiva em ratos hipertensos

Alterações cardiovasculares induzidas pela apnéia obstrutiva em ratos hipertensos

Author Angheben, Juliana Mendes Moura Autor UNIFESP Google Scholar
Advisor Cravo, Sergio Luiz Domingues Cravo Autor UNIFESP Google Scholar
Institution Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Graduate program Farmacologia
Abstract Introdução: Ratos espontaneamente hipertensos (SHR), assim como alguns pacientes com apneia obstrutiva, apresentam hipertensão, aumento da atividade nervosa simpática e aumento da sensibilidade quimiorreceptora. Apneias em ratos acordados: O objetivo inicial deste trabalho foi investigar a função dos quimiorreceptores carotídeos nas respostas induzidas pela apneia obstrutiva em ratos hipertensos (SHR) acordados. Para isto, sob anestesia, implantamos um balão traqueal para indução das apneias, balão intratorácico para mensurar o esforço respiratório, eletrodos de ECG para frequência cardíaca, cânulas venosas e arteriais para infusão de drogas e mensuração da PA. Após uma semana de recuperação, induzimos 10 apneias de 15 segundos a cada dois minutos em ar ambiente e 5 apneias de 15 segundos a cada dois minutos em hiperóxia (100% de O2). Realizamos em seguida o teste do quimiorreflexo e após 1 dia os quimiorreceptores carotídeos foram inativados cirurgicamente. O protocolo de apneias e o teste do quimiorreflexo foram repetidos 2 dias após a cirurgia. Os efeitos cardiovasculares induzidos pela apneia em ratos acordados são exacerbados em SHR quando comparados aos WKY. A pressão arterial aumentou 57 ± 3 mmHg durante a apneia em SHR e 28 ± 3 mmHg em WKY (p< 0,05, n=14/13). O esforço respiratório aumentou 53±6 mmHg em SHR e 34 ± 5 mmHg em WKY. Houve bradicardia de 209 ± 19 bpm em SHR e 155 ± 16 bpm em WKY. A apneia induziu hipóxia e hipercapnia semelhante entre as linhagens. A inativação dos quimiorreceptores carotídeos reduziu as respostas da apneia e praticamente aboliu as diferenças entre SHR e WKY. A hipertensão induzida pela apneia após a inativação foi de 11 ± 4 mmHg em SHR e 8 ± 4 mmHg em WKY. O esforço respiratório foi de 15 ± 2 mmHg em SHR e WKY. Houve bradicardia de 63 ± 18 bpm em SHR e 52 ± 14 bpm em WKY. Semelhantemente, quando os quimiorreceptores carotídeos foram inativados pela hiperóxia as respostas de apneia reduziram. Apneias durante o sono: Desenvolvemos um método para induzir as apneias durante o sono e nossos objetivos foram caracterizar o padrão do sono de ratos hipertensos, bem como avaliar as respostas cardiovasculares induzidas pela apneia durante o sono e comparálas com as respostas da linhagem normotensa. Para isto, sob anestesia, implantamos nos ratos hipertensos eletrodos de EEG e EMG para o estadiamento do sono, balões traqueais e intratorácicos para indução das apneias e mensuração do esforço respiratório. A pressão arterial (PA) e o eletrocardiograma (ECG) foram obtidos por telemetria. Uma semana após a cirurgia, foram induzidas apneias durante o sono REM, em um protocolo de 8 horas. As apneias iniciavam com o início da fase REM e terminavam com o despertar. Realizamos o mesmo protocolo em outro dia no sono NREM. Em relação às apneias, foram induzidas 107 ± 3 apneias durante o sono REM, com duração média de 9 ± 0,6 s. No sono NREM, 216 ± 22 apneias com duração de 6 ± 0,5 s. Em 80% das apneias os ratos voltaram a dormir em até 20 segundos. As apneias induziram fragmentação de sono, porém não causaram privação de sono. Para avaliação dos efeitos cardiovasculares induzidos pela apneia, utilizamos apneias entre 5 a 12 segundos para ambas as linhagens. Durante as apneias em REM observamos na linhagem normotensa somente uma discreta bradicardia (13 ± 3 bpm), enquanto no grupo hipertenso observamos hipertensão (13 ± 3 mmHg) e bradicardia (26 ± 6 bpm). Ambos os grupos apresentaram taquicardia ao final da apneia (SHR: 49 ± 8 bpm? Wistar: 48 ± 4 bpm). Nas apneias realizadas durante o sono NREM, não observamos alterações de PA e FC na linhagem normotensa e hipertensão (9 ± 2 mmHg) durante a apneia nos ratos hipertensos. Ambos os grupos apresentaram discreta taquicardia ao final da apneia (SHR: 22 ± 3 bpm? Wistar: 18 ± 10 bpm). Conclusões: Os quimiorreceptores periféricos participam das respostas induzidas pela apneia em ambas as linhagens, porém são mais importantes para as respostas em SHR tendo em vista a exacerbação das respostas induzidas pela apneia nesta linhagem. Quanto às apneias induzidas durante o sono, elas promoveram fragmentação do sono, porém não causam privação. As respostas cardiovasculares induzidas pela apneia do sono são abolidas na linhagem normotensa e ainda presentes, porém atenuadas na linhagem hipertensa. Levando isto em consideração, talvez, esta resposta de hipertensão observada durante a apneia do sono nos ratos hipertensos possa sugerir que eles estejam mais susceptíveis aos efeitos deletérios da apneia quando comparados aos ratos normotensos.
Keywords apneia
hipertensão
Language Portuguese
Date 2014-11-30
Published in ANGHEBEN, Juliana Mendes Moura. Alterações cardiovasculares induzidas pela apnéia obstrutiva em ratos hipertensos. 2014. 91 f. Tese (Doutorado) - Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo, 2014.
Research area Farmacologia
Knowledge area Ciências biológicas
Publisher Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Extent 91 p.
Origin https://sucupira.capes.gov.br/sucupira/public/consultas/coleta/trabalhoConclusao/viewTrabalhoConclusao.jsf?popup=true&id_trabalho=2157128
Access rights Closed access
Type Thesis
URI http://repositorio.unifesp.br/handle/11600/48151

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