Influência de anticorpos anticardiolipina, mutação fator V Leiden e mutação G20210A do gene da protrombina na sobrevida do enxerto em pacientes submetidos a transplante

Influência de anticorpos anticardiolipina, mutação fator V Leiden e mutação G20210A do gene da protrombina na sobrevida do enxerto em pacientes submetidos a transplante

Título alternativo Influence of anticardiolipin antibodies, factor V Leiden and prothrombin G20210A on the allograft survival in renal transplanted patients
Autor Rocha, Luis Klaus Alves da Autor UNIFESP Google Scholar
Orientador Lourenco, Dayse Maria Autor UNIFESP Google Scholar
Resumo Objetivo: Estudar a relação entre eventos de trombose vascular, perda precoce do enxerto e a presença de anticorpos anticardiolipina (IgG e IgM), fator V Leiden e mutação G20210A da protrombina em pacientes transplantados renais. Métodos: Foi realizado um estudo de coorte com 388 pacientes transplantados renais consecutivos (21 retransplantes) no Hospital do Rim e Hipertensão Fundação Oswaldo Ramos, Universidade Federal de São Paulo, entre 01 de maio de 2001 e 31 de julho de 2002. Os pacientes (57,2 por cento homens e 42,8 por cento mulheres), com idade média de 38,7 anos (±11,5 anos), foram submetidos à pesquisa dos anticorpos anticardiolipina (IgG e IgM), fator V Leiden e mutação G20210A da protrombina. Aqueles que apresentaram amostra positiva para algum dos testes laboratoriais estudados foram considerados pacientes com fator de risco positivo. Todos os pacientes, durante 27 meses, foram observados, visando ao surgimento de eventos de trombose em vaso renal (artéria ou veia) ou em outro vaso e também à perda de enxerto renal. Resultados: Entre os 388 pacientes transplantados renais, foram encontrados 100 pacientes com pelo menos um fator de risco positivo (25,8 por cento) e 26 pacientes com algum evento de trombose vascular e/ou perda do enxerto renal (6,7 por cento). Entre os 26 pacientes com alguma dessas complicações, sete apresentaram trombose vascular (1,8 por cento), treze apresentaram perda do enxerto renal (3,4 por cento) e seis apresentaram trombose vascular e perda do enxertorenal (1,5 por cento). Trombose vascular ocorreu em 13 pacientes (3,4 por cento), sendo que trombose em vaso renal ocorreu em cinco pacientes (1,3 por cento), trombose em outro vaso ocorreu em sete pacientes (1,8 por cento), e, em apenas um paciente, ocorreu trombose em vaso renal e também trombose em outro vaso (0,3 por cento). O grupo de pacientes com fator de risco positivo foi confrontado com eventos de trombose vascular e perda do enxerto renal e não foi encontrada associação entre fator de risco e trombose vascular (X2 , p=0,821) ou perda do enxerto (X2 , p=0,553). As épocas em que surgiram os eventos de trombose vascular e perda do enxerto renal foram comparadas entre os pacientes com fator de risco e os pacientes sem fator de risco. Os pacientes transplantados renais com fator de risco apresentaram eventos de trombose vascular (média: 26,6 ± 4,6 meses do transplante renal) ou perda do enxerto (média: 25,8 ± 6,0 meses do transplante renal) na mesma época em que os pacientes que não possuíam fator de risco (trombose vascular; média: 26,6 ± 4,5 meses do transplante renal; p=0,851) (perda do enxerto; média: 26,5 ± 4,5 meses do transplante renal; p=0,523). No entanto, no subgrupo com retransplante, os pacientes retransplantados com fator de risco apresentaram eventos de trombose vascular (média de 13,7 ± 15,8 meses do transplante renal) e perda do enxerto (média de 7,0 ± 13,2 meses do transplante renal) mais precocemente do que os pacientes que eram retransplantados e não possuíam fator de risco (trombose vascular; média: 26,1 meses ± 5,2 meses; p=0,022) (perda do enxerto; média: 20,8 meses ± 10,7 meses; p=0,035). No subgrupo de pacientes que apresentaram trombose vascular, os pacientes com fator de risco positivo também apresentaram perda do enxerto de forma bem mais precoce (média: 0,5 ± 0,8 meses do transplante renal) do que o subgrupo que não possuía fator de risco (média: 22,9 meses ± 9,8 meses do transplante renal) (p=0,009). A sobrevida do enxerto renal foi avaliada até o surgimento de eventos de trombose vascular e até a perda do enxerto renal; deste modo, foram construídas curvas de sobrevida do enxerto livres de eventos. Os pacientes com fator de risco apresentaram curvas de sobrevida do enxerto, livre detrombose e livre de perda do enxerto, semelhantes aos pacientes que não possuíam fator de risco positivo (p>0,500). O risco relativo para o desenvolvimento de trombose vascular ou perda do enxerto renal foi estimado por análise multivariada, através da regressão logística, e envolveu idade, sexo, fator de risco e retransplante. O fator de risco não representou risco aumentado para o desenvolvimento de trombose vascular [OR=0,93 (IC 95 por cento: 0,25 – 3,52; p=0,918)] ou para perda do enxerto renal [OR=1,68 (IC 95 por cento: 0,57 – 4,97; p<0,348)]. No entanto, o retransplante representou risco aumentado para o desenvolvimento de trombose vascular [OR=6,80 (IC 95 por cento: 1,65 – 27,91; p=0,008)] e perda do enxerto renal [OR=20,87 (IC 95 por cento: 6,95 – 62,72; p<0,001)]. A creatinina sérica mensal foi avaliada em todos os pacientes, durante todo o primeiro ano após o transplante renal. Como a creatinina sérica está aumentada nos pacientes que sofrem perda do enxerto renal, foi considerada a hipótese de que o nível aumentado de creatinina sérica também pudesse estar relacionado com a presença dos fatores de risco e com eventos de trombose vascular. No entanto, não houve diferença na média dos níveis de creatinina sérica entre os pacientes com fator de risco positivo e os pacientes sem fator de risco (p>0,05) e também não houve diferença entre os pacientes com trombose vascular e os pacientes que não apresentaram xviii trombose vascular (p>0,05), exceto nos primeiros 30 dias (3,7 ± 3,0 mg/dl com trombose vascular versus 1,9 ± 1,5 mg/dl sem trombose vascular, p=0,02). Os pacientes com fator de risco que desenvolveram trombose vascular ou perda doenxerto também não apresentaram diferença na média do nível de creatinina sérica mensal em relação aos pacientes sem fator de risco que desenvolveram trombose vascular ou perda do enxerto (p>0,05). Conclusões: Os fatores de risco estudados não apresentaram relação com eventos de trombose vascular ou com perda do enxerto renal. No entanto, o fator de risco, no retransplante, esteve relacionado com o surgimento mais precoce de eventos de trombose vascular e de perda do enxerto renal. O fator de risco, no subgrupo de pacientes que desenvolveram trombose vascular, também esteve relacionado com a ocorrência mais precoce de perda do enxerto renal. O aumento no nível de creatinina sérica apresentou relação somente com a perda do enxerto renal, independente da presença ou não de fatores de risco ou da ocorrência de eventos de trombose vascular..
Assunto Anticorpos anticardiolipina
Fator V
Protrombina
Trombose
Transplante de rim
Idioma Português
Data 2008
Publicado em São Paulo: [s.n.], 2008. 118 p.
Editor Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Extensão 118 p.
Direito de acesso Acesso restrito
Tipo Dissertação de mestrado
URI http://repositorio.unifesp.br/handle/11600/24503

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