Tratamento endoscópico de varizes esofágicas em pacientes cirróticos: ligadura elástica versus injeção de cianoacrilato

Tratamento endoscópico de varizes esofágicas em pacientes cirróticos: ligadura elástica versus injeção de cianoacrilato

Alternative title Endoscopic treatmente of esophageal varices in cirrhotic patients: band ligation versus cyanoacrylate injection
Author Santos, Marcus Melo Martins dos Autor UNIFESP Google Scholar
Advisor Libera Junior, Ermelindo Della Autor UNIFESP Google Scholar
Institution Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Graduate program Gastroenterologia – São Paulo
Abstract Introdução: A hemorragia digestiva alta por ruptura de varizes esofágicas (VE) é uma das principais causas de morte em pacientes cirróticos com hipertensão portal, especialmente entre os cirróticos com grau avançado de disfunção hepática. Apesar de ser considerado o método de escolha para varizes de esôfago, os resultados da ligadura elástica (LE) em pacientes cirróticos em fase avançada da doença são piores. Por este motivo idealizamos um estudo comparando a injeção de cianoacrilato (IC) com LE nestes pacientes. Objetivos: Comparar LE à IC para tratamento de VE em pacientes cirróticos considerando: eficácia para erradicação, sangramento até a erradicação, complicações, bacteremia, mortalidade e recidiva das VE. Pacientes e método: Em um estudo prospectivo e randomizado, foram incluídos 38 pacientes cirróticos com índice de Child-Pugh ≥ 8 pontos, com VE de médio ou grosso calibre e sinais da cor vermelha, para tratamento das VE. Os pacientes foram divididos em 2 grupos: ligadura elástica (LE; n = 20) e injeção de cianoacrilato (IC; n = 18). A LE foi realizada com o dispositivo de ligadura múltipla reprocessável. A IC foi feita com 0,5 ml de cianoacrilato diluído em 0,5 ml de Lipiodol® nos vasos de médio ou grosso calibre, sendo os cordões finos tratados com escleroterapia. Foi realizada complementação com injeção de oleato de etanolamina a 2,5% em ambos os grupos quando necessário. Os pacientes foram acompanhados clínica e endoscopicamente por pelo menos 1 ano. Resultados: Os grupos foram semelhantes em relação a dados demográficos, etiologia da cirrose, grau de disfunção hepática, antecedente de sangramento por VE, uso de beta-bloqueadores, características das VE, presença de varizes gástricas e intensidade da gastropatia hipertensiva portal. No grupo LE, 90% tiveram VE erradicadas, com média de 3,17 sessões e 75,4 dias. No grupo IC, a erradicação foi 72%, com média de 3 sessões e 55,4 dias, sem diferença significante. Não houve diferença com relação ao sangramento até a erradicação (p = 0,170) e ao óbito causado pelo sangramento até a erradicação (p = 0,328). A mortalidade foi semelhante nos dois grupos, com 11 óbitos (55%) no grupo LE e 10 óbitos (56%) no grupo IC. A comparação das curvas de sobrevida dos dois grupos pelo teste de log-rank não mostrou diferença (p = 0,524). A idade foi o único fator de risco independente relacionado com a mortalidade (p = 0,009) após análise multivariada. Não houve diferença na taxa de complicações maiores nos dois grupos. Um paciente no grupo LE apresentou estenose esofágica, enquanto três no grupo IC tiveram complicações (sangramento por úlcera esofágica em dois e embolia do cianoacrilato com infarto esplênico em um paciente). Complicações menores foram mais freqüentes no grupo IC (72% x 20%, p = 0,008), principalmente dor retroesternal e disfagia (p = 0,0045). Não houve diferença quanto a incidência de bacteremia (p = 0,231). Os pacientes do grupo IC apresentaram um risco maior de recidiva das VE após análise das curvas de probabilidade livre de recidiva nos dois grupos (p = 0,041). O antecedente de hemorragia digestiva alta varicosa foi o único fator de risco independente relacionado com a recidiva de VE (p = 0,027) após análise multivariada. CONCLUSÃO: A LE e a IC tiveram eficácia semelhante em relação à erradicação das varizes esofágicas. A taxa de sangramento até a erradicação, complicações maiores, bacteremia e mortalidade foram semelhantes. No entanto, as complicações menores e a recidiva das varizes esofágicas foram maiores no grupo tratado com IC.

Introduction: Esophagic variceal bleeding is a major cause of death among cirrhotic patients. Although endoscopic variceal ligation (EVL) has been recommended to esophageal varices (EV) eradication, the result in patients with advanced hepatic dysfunction is limited. We planned a trial to compare CI and EVL in the treatment of esophageal varices in these patients. Aims: To compare EVL and CI in the treatment of EV in cirrhotic patients, considering: eradication of EV, bleeding episodes until eradication, minor and major complications, bacteremia, mortality and recurrence of EV. Patients and Methods: Thirty-eight cirrhotic patients with EV of medium or large caliber with red-spots and Child-Pugh index ≥ 8 were enrolled in the study. Patients were randomized into 2 groups, EVL (n = 20), in a three-week interval basis or CI (n = 18) with a mixture of 0.5 ml of cyanoacrylate and Lipiodol® (1:1) in a two week interval basis, with a second injection in each vessel if necessary. Small varices were treated with sclerotherapy. Radiographic control was made after CI. Results: There was no statistic difference between the groups regarding to etiology of cirrhosis, severity of hepatic dysfunction, history of previous variceal bleeding, β-blocker use or endoscopic findings. Effectiveness was similar in both groups, with a variceal eradication rate of 90% in EVL group and 72% in CI group. On average, 3.17 and 3 sessions were necessary, respectively. Bleeding episodes until eradication (p = 0.170) and mortality related to such episodes (p = 0.328) were equally observed in both groups. Also, overall mortality was similar in EVL and CI groups, 55% vs. 56% (log-rank test, p = 0.524). The only independent risk factor related to mortality (multivariate analysis) was the patient age (p = 0.009). Major complications were not statistically different in the two groups. In EVL group, one patient had esophageal stenosis. In the CI group, two patients had esophageal ulcer bleeding and one had splenic infarction after splenic artery embolization of cyanoacrylate. Minor complications were more frequent in group CI (p = 0.008), mainly due to severe transitory retroesternal pain and dysphagia. Bacteremia rates were similar in the two groups (p = 0.231). A higher risk of variceal recurrence was observed in CI group (log-rank test, p = 0.041). The only independent risk factor related to variceal recurrence (multivariate analysis) was a positive history of variceal bleeding (p = 0.027). Conclusions: There were no significant difference between EBL and CI regarding to effectiveness, mortality, and major complications in esophageal varices management of cirrhotic patients with severe liver dysfunction. Minor complications and variceal recurrence were significantly more common in CI group.
Keywords Varizes esofágicas e gástricas
Endoscopia
Cianoacrilatos
Hipertensão portal
Language Portuguese
Date 2008
Published in SANTOS, Marcus Melo Martins dos. Tratamento endoscópico de varizes esofágicas em pacientes cirróticos: ligadura elástica versus injeção de cianoacrilato. 2008. 144 f. Tese (Doutorado em Ciências) – Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, 2008.
Publisher Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Extent 144 f.
Access rights Open access Open Access
Type Thesis
URI http://repositorio.unifesp.br/handle/11600/23905

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Name: Publico-23905.pdf
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Format: PDF
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