Avaliacao clinico-epidemiologica de mulheres doadoras de sangue encaminhadas para servico de referencia com testes hepaticos alterados

Avaliacao clinico-epidemiologica de mulheres doadoras de sangue encaminhadas para servico de referencia com testes hepaticos alterados

Título alternativo Clinical and epidemiological evaluation of female blood donors referenced for abnormal liver tests
Autor Narciso-Schiavon, Janaína Luz Autor UNIFESP Google Scholar
Resumo Introdução: A populacao feminina, entre as doadores de sangue, costuma ser minoria nos Bancos de Sangue do Brasil. Assim, os estudos que avaliam as diversas condicoes patologicas identificadas durante a triagem para doacao de sangue, em geral, representam um retrato do que ocorre com a populacao masculina nas diferentes situacoes. Objetivos: Este estudo visa descrever as caracteristicas dos doadores de sangue encaminhados, durante um periodo de nove anos, a um servico especializado e analisar a evolucao diagnostica e o perfil clinico, epidemiologico, bioquimico, sorologico e histologico das mulheres doadoras de sangue, identificando eventuais diferencas, ao compara-las a populacao de doadores masculinos. Metodos: Estudo analitico retrospectivo, realizado por meio de revisao de prontuarios. Foram elegiveis doadores encaminhados pelo Banco de Sangue por sorologias reagentes ou indeterminadas para HBsAg, anti-HBc e anti-HCV ou por ALT elevada, atendidos no ambulatorio da Liga de Hepatites da UNIFESP - Escola Paulista de Medicina entre setembro de 1997 e agosto de 2006. Resultados: Entre 2.315 doadores avaliados, foram incluidos 2.244, sendo 28,7 por cento do genero feminino, com media de idade de 36,8 ± 10,9 anos. Quanto ao motivo do encaminhamento, 14,3 por cento dos doadores foram encaminhados por ALT elevada, 9,7 por cento por HBsAg, 47,0 por cento por anti-HBc e 29,0 por cento por anti-HCV. As mulheres doadoras de sangue encaminhadas por teste HBsAg positivo ou inconclusivo apresentaram maior prevalencia de risco profissional (9,3 por cento VS. 2,5 por cento, P = 0,044), menor prevalencia de antecedente de risco sexual (15,1 por cento VS. 41,1 por cento, P = 0,001) e menor prevalencia de uso de bebidas alc0olicas em excesso (1,9 por cento VS. 19,8 por cento, P = 0,002), quando comparadas aos homens. Exibiram testes bioquimicos menos alterados: menores medianas de ALT (0,6 VS. 0,8 xLSN, P = 0,016), AST (0,6 VS. 0,8 xLSN, P = 0,013), bilirrubina direta (0,2 VS. 0,3 mg/dL, P = 0,004), FA (0,5 VS. 0,6 xLSN, P = 0,024) e maiores medias de plaquetas (223.380 ± 50.293 VS. 195.020 ± 53.060/mm3, P = 0,011). Entretanto, nao apresentaram diferenca em relacao a presenca de fibrose avancada (E&#61619;2) (100 por cento VS. 23,4 por cento, P = 0,095), provavelmente porque apenas duas mulheres realizaram biopsia hepatica. Em relacao ao diagnostico final, apresentaram maior prevalencia de resultados falso-positivos (29,6 por cento VS. 17,0 por cento, P = 0,044). Quando comparadas aos homens, as mulheres encaminhadas por teste anti-HBc reagente ou inconclusivo apresentaram caracteristicas clinicas, epidemiologicas e laboratoriais semelhantes as encontradas naquelas encaminhadas por HBsAg. Apresentaram, da mesma forma, maior prevalencia de resultados falso-reagentes, provavelmente por tratar-se do mesmo virus. As mulheres encaminhadas por sorologia anti-HCV reagente ou indeterminada apresentaram uma tendencia a receber transfusao de hemocomponentes com maior frequencia (17,7 por cento VS. 12,1 por cento, P = 0,055) e menor prevalencia de antecedente de usa de drogas intravenosas (2,3 por cento VS. 10,7 por cento, P < 0,001). Tambem utilizaram bebidas alcoolicas em excesso com menor frequencia (4,7 por cento VS. 28,9 por cento, P < 0,001). Exibiram testes bioquimicos menos alterados: menores medianas de ALT (0,8 VS. 1,1 xLSN; P < 0,001), AST (0,8 VS. 1,0 xLSN; P = 0,001), bilirrubina direta (0,2 VS. 0,3 mg/dL; P < 0,001), FA (0,5 VS. 0,6 xLSN; P = 0,040) e GGT (0,8 VS. 1,1 xLSN; P < 0,001). Entretanto, mostraram maiores medias na contagem de plaquetas (242.720 ± 60.648 VS. 211.160 ± 52.666/mm3; P < 0,001). Tambem apresentaram menor prevalencia de fibrose significativa (23,1 por cento VS. 37,4 por cento, P = 0,044), quando comparadas aos homens. Com relacao ao diagnostico final apresentaram, com menor frequencia, confirmacao de viremia (38,1 por cento VS. 48,5 por cento, P = 0,012) e maiores taxas de clareamento viral (23,1 por cento VS. 11,0 por cento, P = 0,003). As mulheres encaminhadas por ALT elevada apresentaram maior prevalencia de fatores de risco para DHGNA (64,5 por cento VS. 41,2 por cento, P = 0,013), com maiores medias de IMC (31,7 ± 6,3 VS. 28,9 ± 4,1 Kg/m2). Por outro lado, apresentaram menor prevalencia de dislipidemia (25,9 por cento VS. 54,7 por cento, P = 0,004), com menores valores de colesterol total (191 ± 37 VS. 213 ± 51 mg/dL, P = 0,050) e maiores niveis de HDL que os homens (53 ± 17 VS. 44 ± 10 mg/dL, P = 0,024). Alem disso, usaram com menos frequencia bebidas alcoolicas em excesso (3,2 por cento VS. 37,8 por cento, P < 0,001) e apresentaram menor prevalencia de doenca hepatica alcoolica (3,2 por cento VS. 34,6 por cento, P < 0,001). Portanto, o diagnostico presuntivo de DHGNA e realizado com maior frequencia entre as mulheres. Conclusoes: Entre os doadores de sangue atendidos para avaliacao de testes hepaticos alterados, cerca de metade foi atendida por teste anti-HBc reagente ou inconclusivo, um terco por anti¬HCV, 10 por cento par HBsAg e 14 por cento por alteracao de ALT. Com relacao as mulheres, embora representem minoria entre as doadores de sangue, estes achados permitem concluir que elas apresentam, em geral, testes hepaticos menos alterados e doenca hepatica menos avancada. Quanto a resolucao diagnostica, 7 a 18 por cento abandonam a seguimento antes do diagnostico; 16 a 24 por cento apresentam sorologia falso-reagente e 4 por cento dos doadores avaliados por alteracao de ALT, apresentam este teste persistentemente normal em determinacoes subsequentes
Assunto Doadores de Sangue
Alanina Transaminase
Antígenos de Superfície da Hepatite B
Saúde da Mulher
Idioma Português
Data 2007
Publicado em São Paulo: [s.n.], 2007. 141 p.
Editor Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Extensão 141 p.
Direito de acesso Acesso restrito
Tipo Tese de doutorado
URI http://repositorio.unifesp.br/handle/11600/23630

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