Catepsina B como um biomarcador fidedigno para auxílio diagnóstico de doenças inflamatórias mediadas por patógenos

Catepsina B como um biomarcador fidedigno para auxílio diagnóstico de doenças inflamatórias mediadas por patógenos

Título alternativo Cathepsin B as a reliable biomarker for discriminating inflammatory diseases mediated by pathogens
Autor Accardo, Camila de Melo Autor UNIFESP Google Scholar
Orientador Tersariol, Ivame Luis dos Santos Autor UNIFESP Google Scholar
Resumo Nosso trabalho teve como objetivo principal verificar se a medida da atividade da enzima catepsina B no soro apresenta propriedades diagnósticas fidedignas para a distinção de doenças inflamatórias decorrentes de patógenos das doenças inflamatórias de origem não patogênica e de indivíduos saudáveis. Os níveis de catepsina B no soro foram correlacionados com marcadores bioquímicos de inflamação e lesão celular em modelos de doenças inflamatórias produzida por vírus (HCV), bactéria (sepse humana) e doença degenerativa de disco intervertebral. Os doadores de sangue infectados pelo vírus HCV apresentaram oito vezes mais catepsina B no soro do que os indivíduos normais. A concentração de catepsina B no soro de pacientes portadores de HCV apresentou uma forte correlação positiva com a carga viral (rS = 0,584; P < 0,0001), bem como, com a concentração da enzima LDH (rS = 0,836; P < 0,0001) e moderada correlação com a concentração de PCR (rS = 0,428, P = 0,002). Esses resultados mostram que a quantidade catepsina B no soro de indivíduos portadores de HCV apresenta correlação com o processo inflamatório decorrente da infecção viral. A concentração de catepsina B no soro nos doadores de sangue infectados por HCV ainda apresentou moderada correlação com o marcador de lesão hepática GGT (rS = 0,384, P = 0,005) e com o marcador de fibrose hepática, ácido hialurônico (rS = 0,430, P < 0,0001). Com base nos dados obtidos da curva ROC, para os níveis séricos de catepsina B, foi possível determinar um valor de corte capaz de discriminar a infecção viral por HCV. Os valores de concentração de catepsinaB ≥ 8,0 U/L mostraram que 56 dos 67 doadores de sangue foram corretamente identificados como portadores de HCV (Sensibilidade = 84%); somente dois doadores de sangue de um total de 203 foram identificados como falso positivo (1 %). Níveis de catepsina B abaixo de 8,0 U/L identificaram corretamente 201 dos 203 doadores de sangue que foram negativos para viremia (Especificidade = 99%); somente 11 doadores de 67 infectados por HCV foram detectados como falsos negativos (16%). Esse valor de corte 8,0 U/L identificou corretamente 97% dos doadores portadores de HCV (valor preditivo positivo), bem como, identificou corretamente 95% dos doadores não infectados pelo HCV (valor preditivo negativo). Esses resultados mostram que a medida da concentração de catepsina B no soro é um ótimo teste diagnóstico para incluir ou para excluir pacientes portadores de infecção viral por HCV (Acurácia = 95, 2%). Verificamos que os pacientes portadores de sepse bacteriana apresentaram 12 vezes mais catepsina B no soro do que os indivíduos normais. A quantidade de catepsina B no soro de pacientes portadores de sepse apresenta forte correlação (rS = 0,792, P < 0,0001)com a concentração da enzima lactado desidrogenase (LDH), bem como, com a concentração de PCR (rS = 0,715, P < 0,0001) e com a concentração de mucoproteínas de fase aguda da inflamação (rS = 0,637, P = 0,004). Esses resultados mostram que a quantidade catepsina B no soro de indivíduos portadores de sepse apresenta forte correlação com o processo inflamatório decorrente da sepse. Com base nas informações da curva ROC foi possível selecionar um valor de “corte” = 9,1 U/L para discriminar os indivíduos doadores de sangue saudáveis dos pacientes portadores de sepse. Nesse valor de corte podemos diagnosticar como positivos 32 dos 32 pacientes corretamente certificados pelo protocolo hospitalar com portadores de sepse (Sensibilidade = 100%); nenhum paciente foi identificado como falso negativo (0%). Níveis de catepsina B abaixo de 9,1 U/L identificaram corretamente 201 dos 203 doadores de sangue saudáveis como verdadeiros negativos para a sepse (Especificidade = 99%); somente dois doadores de sangue foram detectados como falso positivos (1%). Esse valor de corte 9,1 U/L identificou corretamente como sepse 32 dos 34 dos pacientes que apresentaram concentração de catepsina B superior a 9,1 U/L (VPP = 94%, Especificidade = 99%), bem como, identificou corretamente como negativo para a sepse 201 de 201 pacientes que apresentaram valores de concentração de catepsina B inferiores a 9,1 U/L (VPN = 100%, Sensibilidade = 100%). Esses resultados mostram que a medida de concentração de catepsina B no soro é um excelente teste diagnóstico tanto para incluir como para excluir pacientes em sepse (Acurácia = 99,1%). As propriedades diagnósticas da catepsina B para detectar processo inflamatório decorrente da degeneração do disco intervertebral, também foram avaliadas por meio da análise da curva ROC. A capacidade discriminativa de diagnóstico para este modelo foi apenas moderada em relação ao grupo controle não inflamados AUC = 0,755; IC 95% (0,684 – 0,826). Com base nas informações da curva ROC foi possível selecionar um valor de corte = 8,1 U/L para discriminar os indivíduos saudáveis, sem processo inflamatório dos pacientes portadores de degeneração de disco intervertebral. Com esse valor de corte podemos diagnosticar como positivos apenas 21 dos 60 pacientes portadores de degeneração de disco intervertebral (Sensibilidade = 35%); 39 pacientes foram identificados como falsos negativos (65%). Níveis de catepsina B abaixo de 8,1 U/L identificaram corretamente 201 dos 203 doadores de sangue saudáveis como verdadeiros negativos para esta inflamação (Especificidade = 99%); somente 2 doadores de sangue foram detectados como falso positivos (1%). Este valor de corte identificou corretamente 21 dos 23 dos pacientes que apresentaram concentração de catepsina B superior a 8,1 U/L (VPP = 91%, Especificidade = 99%), bem como, identificou corretamente como negativo para degeneração de disco intervertebral 201 de 240 pacientes que apresentaram valores de concentração de catepsina B inferiores a 8,1 U/L (VPN = 84%, Sensibilidade = 35%). Esses resultados mostram que a medida de concentração de catepsina B no soro (≥ 8,1 U/L) é um bom teste diagnóstico apenas para incluir os pacientes portadores de degeneração de disco intervertebral (Acurácia = 84,4%). Ainda, valores de catepsina B ≥ 15,2 U/L foram capazes de incluir (VPP = 82%, Especificidade= 90%), bem como, valores de catepsina B no soro < 15,2 U/L foram capazes de excluir (VPN = 93%, Sensibilidade = 88%) processos inflamatórios de origem bacteriana dos processos inflamatórios de origem não patogênica. Os resultados sugerem que a concentração de catepsina B no soro é um novo marcador diagnóstico fidedigno para a detecção de doenças inflamatórias, sendo possível ainda estabelecer diferentes valores de corte que possibilitam a diferenciação entre doenças inflamatórias de origem patogênica das doenças de origem não patogênica.
Palavra-chave Humanos
Inflamação/diagnóstico
Infecção/diagnóstico
Catepsina B/uso diagnóstico
Marcadores biológicos
Idioma Português
Data de publicação 2013
Publicado em São Paulo: [s.n.], 2013. 231 p.
Publicador Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Extensão 231 p.
Direito de acesso Acesso restrito
Tipo Tese de doutorado
Endereço permanente http://repositorio.unifesp.br/handle/11600/22970

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