A exposição prévia à fumaça de cigarro intensifica as repercussões estruturais e funcionais cardíacas de ratas submetidas a infarto do miocárdio

A exposição prévia à fumaça de cigarro intensifica as repercussões estruturais e funcionais cardíacas de ratas submetidas a infarto do miocárdio

Título alternativo Prior exposure to cigarette smoke enhances the structural and functional cardiac effects in rats subjected to myocardial infarction
Autor Bocalini, Danilo Sales Autor UNIFESP Google Scholar
Orientador Tucci, Paulo José Ferreira Autor UNIFESP Google Scholar
Resumo O tabagismo constitui o principal fator de causa evitavel envolvida com o desenvolvimento de morbidades e mortalidade cardiovasculares. Os efeitos da exposicao a fumaca do cigarro apos infarto do miocardio (IM) foram bem estudados, contudo, pouco se sabe sobre as consequencias para o coracao da exposicao ao fumo antecedendo o IM. O objetivo deste estudo foi investigar a influencia da exposicao previa a fumaca de cigarro nas alteracoes estruturais e funcionais que ocorrem no coracao, em ratos submetidos a cirurgia de infarto do miocardio. Foram utilizadas 188 ratas Wistar-EPM, distribuidas, ao acaso, entre quatro grupos experimentais: CONTROLE (C, n:12) animais que permaneceram alojados durante 16 semanas e em seguida foram submetidos a cirurgia simulada do infarto; FUMANTE (F, n: 10): animais que foram expostos a fumaca de cigarro durante 16 semanas e submetidos a cirurgia simulada do infarto; INFARTADO (IM; n: 62): animais que permaneceram alojados durante 16 semanas e, em seguida, foram submetidos a oclusao permanente da arteria coronaria e FUMANTE INFARTADO (FIM, n: 104): animais que foram expostos a fumaca de cigarro por 16 semanas e submetidos a cirurgia de infarto com oclusao permanente da arteria coronaria. Apos oito semanas sem nenhuma interferencia experimental, foi analisada a funcao cardiaca global oin vivoo por ecocardiografia Doppler, avaliacao hemodinamica, seguida de estudo oin vitroo da mecanica contratil do musculo papilar isolado e avaliacao histopatologica da fibrose intersticial e do volume nuclear do miocito. Diferencas estatisticas foram consideradas significantes quando p < 0,05. A mortalidade peri-operatoria nao diferiu entre os animais infartados (IM: 8%; FIM: 10%), contudo, tanto a area de risco (IM: 48 ± 1,02; FIM: 54 ± 0,66%) quanto a mortalidade nas primeiras 48 horas (IM: 12%; FIM: 33%) foram maiores nos animais do grupo FIM. De maneira similar, o tamanho do IM nos animais FIM (40 ± 1,5 %) foi maior (P< 0,0024) que o grupo IM (32 ± 1,9 %). Apos a exclusao de animais com IM < 35% nao foram observadas diferencas no tamanho do IM (IM: n = 17, 45 ± 1 % e FIM: n = 19, 47 ± 1 %) entre os grupos. Durante as oito semanas de observacao nenhuma rata dos grupos CONTROLE e FUMANTE morreu, contudo, diferencas expressivas (P< 0,0307) foram encontradas entre os grupos IM (14%) e FIM (45%). A analise biometrica indicou que o peso dos atrios (C: 0,106 ± 0,01 mg/g; F: 0,135 ± 0,01 mg/g) e do ventriculo direito (C: 0,61 ± 0,03 mg/g; F: 0,74 ± 0,04; mg/g) dos grupos CONTROLE e FUMANTE foram semelhantes e inferiores (p< 0,05) aos atrios (IM: 0,300 ± 0,006 mg/g e FIM: 0,410 ± 0,21 mg/g) e VD (IM: 0,99 ± 0,06 mg/g e FIM: 1,12 ± 0,08 mg/g) dos grupos IM e FIM, que nao diferiram entre si. Tanto o peso do ventriculo esquerdo (C: 1,96 ± 0,05 mg/g < F: 2,42 ± 0,08 mg/g < IM: 2,67 ± 0,06 mg/g < FIM: 2,90 ± 0,08 mg/g) quanto o das massas cardiacas (C: 2,57 ± 0,05 mg/g < F: 3,25 ± 0,11 mg/g < IM: 3,67 ± 0,10 mg/g < FIM: 4,00 ± 0,12 mg/g) foram diferentes quando se compararam os diversos grupos. A hipertrofia cardiaca foi confirmada apos analise histopatologica, sendo encontrado progressivo aumento do volume nuclear (FIM: 244 ± 5 &#956;m3 > IM: 217 ± 3 &#956;m3 > F: 168 ± 4 &#956;m3 > C: 140 ± 4 &#956;m3) e do teor de colageno (FIM: 6,65 ± 0,31 % > IM: 4,86 ± 0,27 % > F: 3,71 ± 0,29 % > C: 2,44 ± 0,41 %). O grupo FIM cursou com maior dilatacao da camara ventricular esquerda avaliada pela area diastolica (FIM: 58,1 ± 1,5 mm2 > IM: 47,3 ± 1,5 mm2 > F: 24,2 ± 0,5 mm2 = C: 27,6 ± 0,5 mm2) com prejuizo acentuado na fracao de encurtamento da area transversa (FIM: 16 ± 1 % < IM: 21 ± 1 % < F: 55 ± 2 % = C: 62 ± 1 %). Essas repercussoes foram acompanhadas de alteracoes nos valores medios da derivada positiva maxima (F: 10.610 ± 410 mmHg/s > C: 8.663 ± 242 mmHg/s > IM: 6.054 ± 374 mmHg/s > FIM: 4.742 ± 294 mmHg/s) e no trabalho sistolico (F: 0,843 ± 0,164 gAm.bat-1.kg-1 = C: 0,858 ± 0,164 gAm.bat-1.kg-1 > IM: 0,567 ± 0,136 gAm.bat-1.kg-1 < FIM: 0,449 ± 0,141 gAm.bat-1.kg-1) em situacao basal. Apos sobrecarga de pressao, o trabalho sistolico indexado (CONTROLE: 72 ± 2 % > FUMANTE: 29 ± 9 % > IM: -16 ± 10 % > FIM: -46 ± 5 %) diferiu entre os grupos, caracterizando depressao da funcao ventricular dos grupos FUMANTE, IM e FIM em relacao ao grupo CONTROLE (p< 0,01). Os prejuizos na tensao desenvolvida do grupo FIM (0,40 ± 0,04 g/mm2/mg) foi mais acentuado que o grupo IM (0,71 ± 0,05 g/mm2/mg) e ambos foram inferiores (p < 0,001) aos grupos CONTROLE (1,27 ± 0,10 g/mm2/mg) e FUMANTE (1,04 ± 0,07 g/mm2/mg) que nao diferiram entre si. Contudo, tanto a +dT/dt (FIM: 3,25 ± 0,36 g/mm2/mg/s < IM: 6,16 ± 0,58 g/mm2/mg/s < F: 9,90 ± 0,73 g/mm2/mg/s < C: 15,60 ± 0,76 g/mm2/mg/s) quanto a udT/dt (FIM: 1,70 ± 0,20 g/mm2/mg/s < IM: 4,24 ± 0,39 g/mm2/mg/s < F: 7,07 ± 0,70 g/mm2/mg/s < C: 10,95 ± 1,51 g/mm2/mg/s) dos grupos FUMANTE, IM e FIM foram inferiores (p< 0,001) aos valores verificadas no grupo controle. A avaliacao da contracao pos-pausa nos permitiu avaliar de forma indireta a participacao das proteinas SERCA2 e trocador Na+/Ca2+ durante processo de contracao e relaxamento. Os dados correspondentes a area abaixo da curva foram estatisticamente diferentes (p< 0,01) entre os grupos IM (727 ± 185) e FIM (379 ± 38) e ambos foram inferiores aos grupos CONTROLE (3.363 ± 350) e FUMANTE (3.004 ± 667) que nao diferiram entre si. Estes resultados sugerem reducao na atividade da SERCA2 e/ou acentuacao da atividade da proteina trocadora Na+/Ca2+. Ademais, os coeficientes de inclinacao das retas das relacoes estiramento-tensao desenvolvida foram diferentes entre todos os grupos (C: 0,080 ± 0,001 g/mm2/mg/%Lmax > F: 0,051 ± 0,005 g/mm2/mg/%Lmax > IM: 0,026 ± 0,004 g/mm2/mg/%Lmax > FIM: 0,009 ± 0,001 g/mm2/mg/%Lmax) sugerindo comprometimento do mecanismo de Frank-Starling no musculo remanescente dos animais dos grupos F, IM e FIM. O conjunto de dados apresentado no presente estudo indica que a oclusao coronaria que se segue a exposicao a fumaca de cigarro aumenta a area de risco, o tamanho do IM, a mortalidade aguda, compromete a sobrevida a longo prazo e intensifica o remodelamento cardiaco
Palavra-chave Animais
Feminino
Tabaco
Infarto do miocárdio
Disfunção ventricular
Exposição por inalação
Poluição por fumaça de tabaco
Ratos Wistar
Idioma Português
Data de publicação 2012
Publicado em São Paulo: [s.n.], 2012. 141 p.
Publicador Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Extensão 141 p.
Direito de acesso Acesso restrito
Tipo Tese de doutorado
Endereço permanente http://repositorio.unifesp.br/handle/11600/22001

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