Origem filogenetica e potencial de virulencia de Escherichia coli pertencente a microbiota intestinal de humanos sadios

Origem filogenetica e potencial de virulencia de Escherichia coli pertencente a microbiota intestinal de humanos sadios

Título alternativo Phylogenetic origin and virulence potential of Escherichia coli belonging to the intestinal flora of healthy humans
Autor Santos, Mario Victor Malerbo dos Autor UNIFESP Google Scholar
Resumo O genero Escherichia pertence a familia Enterobacteriaceae e a especie Escherichia coli coloniza a camada mucosa do colon do ser humano e de varios animais numa relacao de comensalismo. Entretanto, algumas cepas adquiriram atributos para virulencia dividindo a especie em tres grupos: E. coli comensais, E. coli patogenicas intestinais ou diarreiagenicas (DEC) e E. coli patogenicas extra-intestinais (ExPEC). As ExPEC podem causar infeccao em qualquer sitio extra-intestinal, sendo frequentes as do trato urinario, meningites, sepse e pneumonias em humanos, e a colibacilose aviaria. As ExPEC possuem mais de 40 fatores associados a virulencia, incluindo adesinas e invasinas, sistemas de aquisicao de ferro, capsulas polissacaridicas e toxinas. Seu potencial para causar doencas extra-intestinais esta diretamente relacionado a imunidade do hospedeiro. Assim como ha diferentes graus de imunodepressao hospedeira, tambem havera diferentes potenciais de virulencia bacteriana. Embora haja consenso sobre a origem fecal das amostras que causam infeccoes urinarias, ainda resta a duvida sobre o nicho das ExPEC ser o trato intestinal humano, ou se sao patogenos adquiridos do meio ambiente como acontece com os varios patotipos de E. coli diarreiogenica. O objetivo deste trabalho foi conhecer em qual extensao amostras de E. coli com potencial de virulencia e marcadores de resistencia a antimicrobianos estao presentes na microbiota intestinal de individuos sadios. Foram analisadas as fezes de 91 individuos de ambos os sexos entre zero e 90 anos de idade. Foram isoladas cinco colonias presuntivamente caracterizadas como E. coli, utilizando-se os meios de EPM, MILI e citrato de Simmons, somando um total de 455 colonias que foram caracterizadas quanto: a presenca de 17 marcadores geneticos de virulencia (frequentes em amostras de bacteremia), a origem filogenetica, a classificacao como ExPEC e o perfil de resistencia a alguns antimicrobianos. Trinta e um (34%) individuos apresentaram todas as cinco colonias identicas quanto a todas as caracteristicas analisadas; outros 53,8 % apresentaram predominancia (tres ou mais) de colonias identicas, mostrando que as caracteristicas bacterianas encontradas nas amostras de E. coli fecais refletem uma populacao colonizadora bem sucedida, considerando que os hospedeiros nao tomaram antibioticos nem apresentaram qualquer sintoma clinico. Em resumo essas caracteristicas foram: predominio dos grupos filogeneticos A e D; presenca de genes de protectinas e sistemas de captacao de Ferro em mais da metade das amostras; presenca de genes de adesinas e invasina em mais de 90% das amostras. Os marcadores geneticos de virulencia sfaDE, papA/C, hra, tsh, iroN, irp2, KpsMTII e ompT foram prevalentes apenas no grupo filogenetico B2 (considerado patogenico). Houve associacao positiva de marcadores somente com os grupos B2 e D, cujas amostras tambem apresentaram o maior potencial de virulencia (numero medio de marcadores igual a 10,6 em B2 e 6,3 em D, contra 4,4 ou menos nos demais grupos filogeneticos). Amostras classificadas como ExPEC (letais em modelo animal) foram detectas em 27 (29,7%) individuos (de todas as faixas etarias), sendo exclusivas ou predominantes em 18 deles. As ExPEC se concentraram nos filogrupos A, B2 e D, mas foram prevalentes e estatisticamente associadas apenas ao Grupo B2 (P < 0,001). Houve tanto prevalencia quanto associacao positiva (P &#8804; 0,01) entre as amostras de ExPEC e a resistencia para os antimicrobianos: sulfonamidas, trimetoprima, amoxacilina e ampicilina. O grupo ExPEC apresentou um numero maior de amostras resistentes a tres ou mais antimicrobianos quando comparado a nao-ExPEC (teste de Fisher bicaudal, P = 0,00004). Estes achados mostram que a grande maioria da populacao estudada, que abrangeu individuos sadios, de ambos os sexos, entre 0 e 90 anos, alberga em sua microbiota intestinal amostras com todas as caracteristicas relatadas para as amostras de E. coli isoladas de infeccoes extra-intestinais. Neste estudo, essas amostras representaram a maioria ou mesmo a totalidade de E. coli colonizando grande parte dos individuos. Alem disso, Em 29,7% dos individuos, essa populacao era de verdadeiras ExPEC as quais, alem do alto potencial de virulencia, apresentaram associacao com a resistencia a tres ou mais dos antimicrobianos estudados
Palavra-chave Humanos
Escherichia coli
Fatores de Virulência
Filogenia
Simbiose
Intestinos/microbiologia
Humanos
Idioma Português
Data de publicação 2011
Publicado em São Paulo: [s.n.], 2011. 104 p.
Publicador Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Extensão 104 p.
Direito de acesso Acesso restrito
Tipo Tese de doutorado
Endereço permanente http://repositorio.unifesp.br/handle/11600/21961

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