Mulheres negras e profissionais da Enfermagem: quando o invisível torna-se visível e dizível

Mulheres negras e profissionais da Enfermagem: quando o invisível torna-se visível e dizível

Título alternativo Black Women and Professional Nursing: when the invisible becomes visible and sayable
Autor Lima, Beatriz de Souza Autor UNIFESP Google Scholar
Orientador Brêtas, Ana Cristina Passarella Autor UNIFESP Google Scholar
Instituição Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Pós-graduação Saúde Coletiva – EPM
Resumo Este estudo qualitativo teve como objetivo compreender o significado de ser mulher e negra para as profissionais de Enfermagem trabalhadoras em um hospital de alta complexidade; conhecer a relacao que estabelecem entre o processo Saúde-doenca e a categoria raca/etnia durante o cuidado de si e do outro e; apreender o que conhecem sobre as politicas publicas de Saúde destinadas as mulheres negras. A apresentacao das narrativas foi sistematizada em tres eixos tematicos: (1) Mulher e negra: encantamentos e desencantamentos, (2) Modos e costumes na pratica do cuidado: ser e estar saudavel, (3) Politicas inclusivas do Sistema Unico de Saúde. As questoes de genero estao cada vez mais presentes nas sociedades tidas como democraticas, no limite as desigualdades entre homens e mulheres remontam um passado longinquo marcado pelo forte apelo religioso e pela formacao de um corpo fisico e comportamental feminino. No seculo XV os esparsos estudos cientificos, destinados a Saúde da mulher baseavam-se nas diferencas anatomo-fisiologicas existentes entre o homem e a mulher, ou seja, na condicao reprodutiva representada pelo ciclo menstrual e a gravidez. O recrudescimento das questoes sexistas e o fortalecimento do movimento feminista estimularam discussoes acerca da chamada sociedade patriarcal e machista, pois a mulher tinha sua participacao politica e economica controlada. As mulheres negras somavam a tais demandas a questao racial, pois a mesma atuava como impeditivo a sua insercao igualitaria na sociedade brasileira. Apesar do poder medico sobre os corpos, nos percursos da historia brasileira as praticas de cura, o conhecimento do corpo e a ligacao do ser biologico com o dominio da natureza subexistiram e deram vitalidade e forca dos povos negros e indigenas. A construcao social e historica do corpo feminino no Brasil sofreu forte influencia da religiao crista, assim nas decadas de 30, 50 e 70 as politicas publicas destinadas as mulheres baseadas no ciclo gravidico puerperal. Desta forma suas questoes especificas atreladas as demandas sociais e aos estudos desenvolvidos, constroem um espaco de elaboracao e execucao de servicos e assistencia em Saúde. O SUS se apresenta como politica de Estado com legitimidade constitucional, por meio dos seus principios doutrinarios e organizacionais o SUS se constitui um sistema publico singular. Dentre as conquistas que o SUS trouxe para a populacao brasileira, destacamos o principio da Equidade, que se coloca como paradigma das acoes de Saúde no SUS por conta de uma avaliacao historica feita pelos seus proponentes e executores da sua politica, onde a chave de leitura reside na constatacao da disparidade social construida pela persistencia do racismo. Sao multiplas e diferenciadas as formas como os aspectos sociais, economicos, politicos e culturais interferem na Saúde das pessoas e comunidades. Soma-se a tal cenario de desqualificacao e invisibilidade a condicao de ser mulher, pois, atrelado a assimetria racial ainda encontramos forte sexismo entre homens e mulheres. Para as narradoras entrevistadas, tais elementos estao presentes em seu cotidiano social, exigindo, portanto, uma contundente postura - por serem mulheres e negras. A equidade racial na Saúde exige desenvolvimento da chamada cidadania, urge que a participacao social nos equipamentos de Saúde seja estimulada, pois as politicas inclusivas devem emergir do cotidiano social das mulheres negras, tais demandas sao os sentidos perceptiveis de suas vidas. Cabe ressaltar que as questoes sexistas sao combatidas quando o empoderamento feminino se fortalece, ou seja, na inclusao da mulher em distintos espacos sociais. Estas conquistas conferem um cenario de autonomia e saber politico. Com a criacao do SUS, e das secretarias especificas a Saúde da populacao negra, as mulheres negras iniciam um arduo processo de inclusao e empoderamento. As narradoras apresentaram em suas falas o desconhecimento por tais politicas, bem como sua operacionalidade. E desafiador em tempos democraticos cujos direitos fundamentais aos cidadaos se encontram em processo de consolidacao, atentar aos caminhos inclusivos. Uma sociedade pautada na igualdade de direitos e na equidade exige uma identidade etnica cultural forte e coesa

This qualitative study aimed to understand the meaning of being female and black for nursing professionals working in a hospital of high complexity; know the relationship established between the health-disease category and race / ethnicity for self care and another, learn what they know about public health policies aimed at black women. The presentation of the narratives was systematized into three themes: (1) Women and black, enchantment and disenchantment, (2) Manners and customs in the practice of care: being and healthy, (3) Inclusive policies of the National Health System gender issues are increasingly present in democratic societies considered, the limit inequalities between men and women go back a long past marked by strong religious appeal and the formation of a physical body and feminine behavior. In the fifteenth century the sparse scientific studies, for women's health were based on anatomical and physiological differences between men and women, the reproductive condition represented by the menstrual cycle and pregnancy. The resurgence of sexist issues and the strengthening of the feminist movement spurred discussions about the so-called patriarchal and sexist, because women had their political and economic control. Black women such demands amounted to a racial issue, because it acted as a deterrent equal to its insertion in Brazilian society. Despite the medical power over their bodies, in the paths of Brazilian history healing practices, knowledge of the body and the connection of the biological being with the mastery of nature and gave subexistiram vitality and strength of black and indigenous communities. The social and historical construction of the female body in Brazil was strongly influenced by the Christian religion, so in the 30, 50 and 70 public policies aimed at women based on pregnancy and childbirth. Thus their specific issues linked to social demands and studies, build a space for development and implementation of services and health care. The SUS is presented as a state policy to constitutional legitimacy,through its organizational and doctrinal principles the NHS is a public system is singular. Among the achievements that brought the NHS for the Brazilian population, we emphasize the principle of equity, which arises as a paradigm of health in the SUS due to a historical assessment made by its proponents and implementers of policy, where the key to reading lies in the realization of social disparity built by the persistence of racism. Are multiple and diverse ways in which social, economic, political and cultural influence the health of people and communities. Added to this scenario invisibility disqualification and the condition of being a woman, therefore, tied to racial asymmetry still found strong sexism between men and women. For the interviewed narrators, such elements are present in their everyday social life, thus requiring a forceful stance - because they are women and blacks. The racial equity in health requires the development of so-called citizenship, urges that social participation in health facilities is encouraged, as inclusive policies should emerge from the daily social life of black women, such demands are perceived sense of their lives. It should be noted that the issues are addressed when the sexist female empowerment is strengthened, the inclusion of women in different social spaces. These achievements provide a backdrop of political autonomy and learn. With the creation of SUS, and specific health departments of the black population, black women begin an arduous process of inclusion and empowerment. The narrators present their speeches in ignorance by such policies, as well as its operation. It's challenging at times democratic citizens whose fundamental rights are in the process of consolidation, pay attention to the ways inclusive. A society that seeks equal rights and fairness in the daily life of the population requires a strong ethnic identity and cultural cohesion.
Assunto Mulheres
Enfermeiras
Grupo com Ancestrais do Continente Africano
Enfermagem
Políticas Públicas
Idioma Português
Data 2011
Publicado em LIMA, Beatriz de Souza. Mulheres negras e profissionais da Enfermagem: quando o invisível torna-se visível e dizível. 2011. 95 f. Dissertação (Mestrado) – Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo. São Paulo, 2011.
Editor Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Extensão 95 p.
Direito de acesso Acesso restrito
Tipo Dissertação de mestrado
URI http://repositorio.unifesp.br/handle/11600/21806

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Tamanho: 557.6Kb
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