Estudo clínico-epidemiológico das infecções da corrente sanguínea hospitalares por estafilococos coagulase-negativos e dos fatores de risco associados a letalidade

Estudo clínico-epidemiológico das infecções da corrente sanguínea hospitalares por estafilococos coagulase-negativos e dos fatores de risco associados a letalidade

Autor Carneiro, Irna Carla do Rosario Souza Autor UNIFESP Google Scholar
Orientador Pignatari, Antonio Carlos Campos Autor UNIFESP Google Scholar
Resumo Nos ultimos dez a quinze anos, os estafilococos coagulase-negativos (ECN), antes considerados apenas microrganismos avirulentos, comensais da pele humana, passaram a ter seu papel patogenico reconhecido como agentes de infeccoes no ambiente hospitalar. Atualmente, assumem importancia nas infeccoes da corrente sanguinea (ICS) nosocomiais e infectam uma variedade de dispositivos medicos proteticos. As ICS por este agente estao geralmente associadas ao uso de dispositivos intravasculares, ocorrendo preferencialmente em pacientes imunodeprimidos e neonatos prematuros internados em unidades de terapia intensiva, idosos e pacientes portadores de neoplasia, correlacionando-se com taxas consideraveis de letalidade. Entretanto, representam uma causa frequente de contaminacao de culturas, constituindo-se, em muitas situacoes, um dilema para o clinico a diferenciacao entre bacteremia verdadeira e um episodio contaminante. O objetivo deste trabalho foi analisar os aspectos clinico-epidemiologicos das ICS por ECN, procurando determinar os fatores de risco associados a aquisicao das ICS e sua diferenciacao dos episodios contaminantes, assim como aqueles relacionados a letalidade. O trabalho foi realizado no Hospital Universitario da UNIFESP-Escola Paulista de Medicina (Hospital São Paulo), no periodo de 01 de janeiro de 1995 a 31 de dezembro de 1996, onde foram estudados 146 episodios de bacteremia hospitalar por ECN em 143 pacientes, sendo 63,3% (93) ICS e 36,4% (53) considerados como contaminacao. Os episodios de ICS foram mais frequentes em pacientes com idade igual ou superior a 40 anos, sendo 33,3% dos pacientes encontravam-se com 60 anos ou mais. Predominaram os grupos de doencas de base nao fatais ou ausentes e de doencas potencialmente fatais (88,2%). As doencas neoplasicas, neurologicas, cardiovasculares e pulmonares foram as enfermidades mais frequentemente diagnosticadas entre os pacientes com ICS. As enfermarias clinicas foram o principal local de ocorrencia das ICS (45,2%), seguidas das unidades de terapia intensiva (adulto, pediatrica e neonatal) (35,5%). O tempo de internacao dos pacientes com ICS foi longo, em media 48,3 dias, sendo significantemente maior do que no grupo com contaminacao, 32,6 dias. As ICS ocorreram mais tardiamente no curso de internacao dos pacientes, 26,7 dias em media , sendo significante se comparado a 12,8 dias entre os episodios contaminantes. A principal fonte de bacteremia foi primaria, sendo indeterminada em 47,3% e tendo como foco o dispositivo intravascular em 17,2%. A fonte pulmonar foi a segunda mais frequente, identificada em 22,6% dos casos. A presenca de dispositivo intravascular, cateter venoso central, ventilacao mecanica, sondagem vesical e o tempo de aparecimento da bacteremia ( apos sete dias de internacao) representaram os fatores de risco relacionados a aquisicao de ICS hospitalar por ECN. A terapia antimicrobiana foi considerada adequada em 76,3% dos episodios, corrigida em 15,1% e inadequada em 8,6%. As especies mais isoladas nas ICS e no grupo de contaminantes foram S. epidermidis e S. haemolyticus. Predominaram as cepas hospitalares resistentes a oxacilina, identificadas em 76,3% dos casos de infeccao verdadeira e 86,8% nos episodios de contaminacao. As variaveis que se associaram independentemente a ocorrencia de ICS, pelo modelo de regressao logistica multipla foram: ventilacao mecanica (OR=7,3), presenca de cateter venoso central (OR=2,86) e tempo de aparecimento da bacteremia (> sete dias de internacao) (OR=2,43). Atraves deste modelo, foi possivel predizer que a probabilidade de um episodio de bacteremia por ECN, que ocorra ate o setimo dia de internacao em um paciente sem cateter venoso central implantado e sem ventilacao mecanica, ser contaminacao e de 68%. Por outro lado, um paciente em uso de cateter venoso central e submetido a ventilacao mecanica, apresentando bacteremia por ECN apos sete dias de internacao, tem 4% de probabilidade de ter feito um episodio de contaminacao. A mortalidade geral dos pacientes com ICS foi elevada, 54,8%. Considerando a evolucao para o obito ate o 14o apos a bacteremia, a letalidade foi de 36,6%. Analisando-se a presenca das variaveis ate o 14o dia, observou-se que a media de idade dos pacientes que morreram, 50,5 anos, foi significantemente maior do que os doentes que apresentaram boa evolucao, 34,6 anos. O obito ocorreu em 51,6% dos pacientes com idade igual ou superior a 60 anos, sendo significante se comparado aqueles situados em faixa etaria inferior a esta. A ventilacao mecanica foi um fator de risco para letalidade nos pacientes estudados. A evolucao para choque septico, assim como o uso previo de antimicrobianos se associaram ao obito nos pacientes estudados. O isolamento de cepas resistentes a oxacilina contribuiu significantemente com a evolucao desfavoravel das ICS. As variaveis que se associaram independentemente com maior letalidade, na regressao logitica multipla foram: choque septico (OR=4,98), antibioticoterapia previa (OR=4,35), resistencia a oxacilina (OR=3,76) idade avancada (igual ou superior a 60 anos) (OR=2,95). O modelo criado demonstrou que um paciente com idade igual ou superior a 60 anos, fazendo uso de algum antimicrobiano previo, ao apresentar um episodio de ICS por ECN resistente a oxacilina e evolui com choque septico, tem uma probabilidade de 89% de morrer em consequencia da bacteremia. Entretanto, a ocorrencia de ICS por ECN sensivel a oxacilina, em paciente internado com menos de 60 anos, que nao esta fazendo uso de antibiotico previamente a bacteremia e nao apresenta choque no curso da ICS, tem uma probabilidade de morte de apenas 3%
Palavra-chave Infecção Hospitalar
Staphylococcus epidermidis
Fatores de Risco
Idioma Português
Data de publicação 1997
Publicado em São Paulo: [s.n.], 1997. 106 p.
Publicador Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Extensão 106 p.
Direito de acesso Acesso restrito
Tipo Dissertação de mestrado
Endereço permanente http://repositorio.unifesp.br/handle/11600/15326

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