Pulsoterapia com calcitriol oral no tratamento do hiperparatireoidismo secundário severo em pacientes mantidos em hemodiálise

Pulsoterapia com calcitriol oral no tratamento do hiperparatireoidismo secundário severo em pacientes mantidos em hemodiálise

Autor Lobão, Rosélia Ribeiro dos Santos Autor UNIFESP Google Scholar
Orientador Draibe, Sergio Antonio Autor UNIFESP Google Scholar
Resumo O objetivo desse trabalho foi avaliar a resposta de pacientes hemodialisados e portadores de um severo hiperparatireoidismo secundario, tratados com pulsoterapia com calcitriol por um periodo de 10 meses, visando tambem identificar as complicacoes do tratamento e os possiveis fatores implicados na falencia do mesmo. O criterio de inclusao de pacientes no protocolo foi um PTH-intacto acima de 8 vezes o seu limite superior (acima de 560 pg/ml), associado a um fosforo ≤ 6,5mg/dL e calcio total ≤ 10,1mg/dL e produto Ca x P ≤ 60, que nao apresentassem previamente tratamento com vitamina D ou paratireoidectomia ou doenca ossea por aluminio. Estudamos 17 pacientes, em tratamento por hemodialise, sendo 13 do sexo feminino e 4 do masculino, com idade mediana de 43 anos. O principal diagnostico da IRC foi hipertensao arterial (9 pacientes). O tempo de IRC variou de 22 a 192 meses e o tempo de hemodialise entre 22 e 132 meses. Apenas 2 pacientes haviam previamente sido tratados com CAPD. Os pacientes eram sintomaticos do ponto de vista da OR e, na epoca apresentaram IMC mediano de 21.4 kg/m2. Na fase inicial do protocolo 15 pacientes faziam uso de carbonato de calcio como quelante de fosforo. Em relacao ao metabolismo de calcio e fosforo, na fase inicial, 5 pacientes apresentaram valores do calcio serico total abaixo do limite inferior da normalidade, enquanto que hiperfosfatemia ocorreu em 12 deles. A fosfatase alcalina total e o PTH - intacto estiveram elevados em todos os pacientes, na fase inicial. A anemia esteve presente em 100% dos casos estudados. A administracao do calcitriol foi bem tolerada pelos pacientes na fase estudo. A dose mediana pos-dialise foi de 1,5 µg e no maximo igual a 2,5 µg. Nessa fase nao foi observado hipercalcemia como complicacao, entretanto observamos 37 episodios de hiperfosfatemia. O carbonato de calcio foi largamente utilizado como quelante de fosforo e a dose mediana diaria foi de 4,5 gramas. Entre outras, observamos correlacoes positivas e significantes entre o fosforo inicial com PTH final, do PTH e da fosfatase alcalina finais com a dose acumulada do calcitriol, entre o IMC com a fosfatase alcalina inicial. Ao final do tratamento 11 pacientes apresentaram reducao de pelo menos 50% do PTH inicial e tambem evoluiram com melhora clinica, e foram chamados de respondedores (grupo R), enquanto 6 deles foram resistentes a pulsoterapia com calcitriol, sendo chamados de nao-respondedores (grupo n-R). Essa diferenca de resposta a pulsoterapia com calcitriol oral, nao foi consequente a dose de vitamina D utilizada, visto que esses dois grupos de pacientes utilizaram doses cumulativas semelhantes de calcitriol oral e, tambem do carbonato de calcio. Entretanto, apresentaram diferencas no comportamento do calcio total, fosforo, fosfatase alcalina e do PTH. Em relacao ao comportamento do calcio total, os pacientes n-R presentaram aumento significativo dos seus valores, entretanto nao reduziram significantemente o PTH e a fosfatase alcalina total, diferentemente do que ocorreu com os pacientes do grupo R. Esse resultado sugeriu que o calcio total nao explicou a refratariedade dos pacientes ao tratamento com calcitriol. Embora nao significantemente, o grupo n-R apresentou niveis elevados do PTH e da fosfatase alcalina ja no inicio e manteve-se elevado durante todo o estudo. Todavia, no grupo R o tempo mediano necessario para que o PTH reduzisse em 50% do seu valor inicial, foi de 6 meses. Analisando os dois grupos quanto a presenca ou nao de aumento das glandulas paratireoideanas, nao encontramos diferencas significativas pela ultrassonografia, embora esse aumento estivesse presente em 50% dos pacientes do grupo n-R. O comportamento do fosforo nos dois grupos foram significantemente diferente. A fosfatemia dos pacientes do grupo n-R foi significativamente maior que o grupo R na fase inicial. De fato, o grupo n-R associou-se com valores iniciais de fosforo ≥ 5 mg/dL e tambem com produto Ca x P ≥ 52. A refratariedade a pulsoterapia com calcitriol oral ocorreu esse estudo independentemente da dose de vitamina D e tambem da calcemia. Por outro lado, ha sugestoes de que o fosforo tenha desempenhado um papel importante na resistencia ao calcitriol. A presenca de uma correlacao positiva entre o fosforo inicial com PTH final reforca essa hipotese. Em conclusao, a pulsoterapia oral com calcitriol foi efetiva no tratamento do hiperparatireoidismo secundario severo, de pacientes hemodialisados. A hiperfosfatemia inicial constitui um bom indicador de nao resposta a pulsoterapia. Alem disso, durante o tratamento com vitamina D, a hiperfosfatemia foi frequentemente observada. Nos pacientes respondedores, o tempo mediano necessario para reduzir o PTH em 50%, foi de 6 meses
Palavra-chave Insuficiência renal crônica
Hiperparatireoidismo secundário
Calcitriol
Fósforo
Idioma Português
Data de publicação 1997
Publicado em São Paulo: [s.n.], 1997. 65 p.
Publicador Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Extensão 65 p.
Direito de acesso Acesso restrito
Tipo Dissertação de mestrado
Endereço permanente http://repositorio.unifesp.br/handle/11600/15319

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