Ressecção da estenose traqueal pós-intubação com reconstrução da traqueia por anastomose laringo, crico ou traqueotraqueal: análise clinica e cirúrgica

Ressecção da estenose traqueal pós-intubação com reconstrução da traqueia por anastomose laringo, crico ou traqueotraqueal: análise clinica e cirúrgica

Author Forte, Vicente Autor UNIFESP Google Scholar
Graduate program Cirurgia - EPM
Abstract Análise retrospectiva de 250 doentes com estenose traqueal pós-intubação (226 após intubação orotraqueal e 24 após traqueostomia). Estes doentes foram submetidos à ressecção de um segmento cilíndrico de traquéia, seguida de anastomose laringo, crico ou traqueotraqueal. Do sexo masculino eram 146 e do feminino 104; leucodénnico 206, melanodénnico 40 e xantodérmico 4; a idade variou de 6 meses a 76 anos, a média 35,6 e a mediana 32,0 anos. Crianças (até 12 anos) eram 31(12,4%) e adultos 219 (87,6%). As indicações mais freqüentes para intubação foramo trauma crânio-encefálico 88 (35,2%) e as complicações pulmonares em doentes submetidos a operação cardíaca 61(24,4%). Os doentes ficaram intubados por algumas horas (3, 5, 6 e 8 horas) até 90 dias, média 13,3 e mediana 10,0 dias. Os períodos de intubação mais freqüentes foram: horas até 7 dias - 78 (34,5%) e 7 — I 14 dias - 70 (31,0%) dias. Foram operados com sinais de insuficiência ventilatória (todos sem traqueostomia) - 80 (32,0%) doentes. Tratados como diagnóstico de asma - 17 (6,8%) doentes. Cicatriz hipertrófica ou queloideana, na cervicotornia, foi mais freqüente no grupo melano/xantodénnico - 24 (57,1%) do que nos leucodérmicos - 88 (45,6%), mas a diferença não foi significante. A planigrafia linear foi indicada em 203 (81,2%) doentes e a laringotraqueoscopia para os 250 doentes. Na planigrafia, medíamos (em centímetros)o comprimento da estenose e calculávamoso percentual de ressecção traqueal. Com essas medidas, as estenoses foram classificadas em curtas, intermediárias e longas. Esta classificação foi importante, porque permitiu prever as dificuldades operatórias e como evitá-las. Estes exames mostraram que 167 (66,8%) tinham apenas estenose traqueal, 79 (31,6%) estenose traqueal com estenose da laringe (a maioria subglótica) e 4 (1,6%) estenose traqueal com fistula traqueoesofágica. Dos 79 doentes com estenose laringotraqueal, 64 (25,6%) foram operados no mesmo ato cirúrgico, assim como os 4 com fistula traqueoesofágica. A maioria, 171 (68,4%), das estenoses traqueais estava localizada no 1/3 proximal, 12 (4,8%) tinham estenoses duplas (juntas ou separadas) e 9 (3,6%) doentes tinham re-estenoses (doentes operados em outros Serviços). Com tratamentos prévios, 82 (32,8%) doentes, a maioria submetida à dilatação da estenose e à colocação de um Tubo T. Os outros tratamentos foram: traqueoplastia, laringoplastia, laser, tnicrocirurgia, aritenoidectomia, retirada de gianulomas. A spectos operatórios - A maioria foi operada por via cervical - 236 (94,4%). Em centímetros a estenose variou de 0,5 a 8,0cm; a maioria, 177 (70,8%), mediu de 2 a 5cm, a média foi 3,5cm e a mediana 3,5cm. Em percentual de traquéia ressecada, a menor foi 4,2%, a maior 70,3%, a média 30,3% e a mediana 29,2%. A estenose com 20 — I 40% (classificada como intermediária) foi a mais freqüente: 159 (63,6%) doentes. Para aliviar a tensão de aproximação em 9 (3,6%) doentes, foi necessário descer a laringe (técnica de Montgomery).o diâmetro interno da estenose variou de 2 a Smm, mediana 4,0mm. Nos doentes com estenose laringotraqueal, 64 (26,4%), foram realizadas ressecções parciais da cricoide em 23 (9,2%), ressecção ampliada da cricoide em 16 (6,4%) e alargamentos (com cartilagem traqueal ou costa!) anterior, posterior ou ambas em 25 (10%). Os doentes com estenose laringotraqueal tiveram os mesmos resultados cirúrgicos dos com estenose traqueal isolada. A maioria, 206 (82,4%), não teve nenhuma complicação. As complicações, 44 (17,6%), foram: mantidos intubados na UTI - 10 (4,1%), infecção da cicatriz operatória - 9 (4,0%), deiscê ncia (pequena) da anastomose - 4 (1,6%), pneumotórax - 3 (1,2%), osteonnelite estemal + mediastinite - 2 (0,8%), hematoma cervical - 1 (0,4%) e atelectasia do lobo superior direito - 1 (0,4%). Os óbitos foram 10 (4,0%). A anastomose traqueal foi controlada com laringotraqueoscopia e todos os doentes realizaram no mínimo 1, ao redor do 140 pós-operatório.o período de observação variou de 1 mês a 27 anos, média 60,9 meses e mediana 43,5 meses. Os resultados cirúrgicos foram classificados (baseados na clínica e na endoscopia) em: Excelente - doentes com anastomose traqueal perfeita, Bom - anastomose com re-estenose até 20%, Regular - A nastomose com re-estenose de 20-1 40% e Mau - anastomose com reestenose > 40%. Os resultados cirúrgicos agrupados foram: Excelente/Bom (doentes assintomáticos) - 212 (87,6%) e Regular/Mau (doentes sintomáticos) - 20 (8,3%). Com a correção das re-estenoses, em uma segunda operação,o número de doentes com resultado Excelente/Bom passou para 94,7%. As crianças (até 12 anos) tinham, significantemente, mais estenoses da laringe simultâneas com a traqueal do que os adultos. Os resultados cirúrgicos das crianças não foram diferentes dos adultos. Os doentes com intubação orotraqueal tiveram mais estenoses no 1/3 prmdmal, enquanto que os com traqueostomia mais no 1/3 médio e distai, mas estes resultados não foram significantes. Não houve diferença estatística nos resultados cirúrgicos obtidos com as anastomoses laringo, crico e traqueotraqueal ou com os obtidos nas estenoses classificadas como curta, intermediária e longa. Os resultados foram significantemente melhores quandoo doente foi operado na primeira vez do que na segunda (re-estenose). A análise da etiopatogetúa dos insucessos (re-estenose) mostrou que: - os resultados foram piores e significantes, quanto mais próxima (até 4 meses) da intubação orotraqueal foi realizada a ressecção da estenose. Provavelmente esses doentes foram operados com processo inflamatório agudo na área da estenose. - os resultados cirúrgicos foram, significantemente, piores no grupo de doentes com cicatriz hipertrófica ou queloideana. Provavelmente, a maior produção de tecido fibrófico favoreceu a maior incidência de re-estenoses. - os doentes operados no 20 período (1980 — 1 1990) tiveram resultados cirúrgicos significantemente melhores do que os do 10 período (1969 — I 1980). Certamente, os piores resultados do 10 período foram decorrentes de erros técnicos. Concluímos que a ressecção da estenose traqueal seguida de anastomose laringo, crico e traqueotraqueal foi eficaz, com pequena morbimortalidade.
Keywords Intubação Intratraqueal
Estenose Traqueal
Cirurgia Geral
Laringe
Laringoestenose
Language Portuguese
Date 1996
Published in FORTE, Vicente. Ressecção da estenose traqueal pós-intubação com reconstrução da traqueia por anastomose laringo, crico ou traqueotraqueal: análise clinica e cirúrgica. Tese (Livre-Docência) - Escola Paulista de Medicina, Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo, 1996.
Publisher Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Extent 206 p.
Access rights Open access Open Access
Type Professor's thesis
URI http://repositorio.unifesp.br/handle/11600/13622

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