Serviços de saúde mental para crianças e adolescentes: recomendações para o planejamento de políticas públicas de saúde mental

Serviços de saúde mental para crianças e adolescentes: recomendações para o planejamento de políticas públicas de saúde mental

Título alternativo Mental health services for children and adolescents: recommendations for the planning of public policies on mental health.
Autor Graeff-Martins, Ana Soledade Autor UNIFESP Google Scholar
Orientador Mercadante, Marcos Tomanik Autor UNIFESP Google Scholar
Instituição Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Resumo Introduction There is clear evidence of social and economic impact of mental health disorders started in childhood and adolescence and of the inefficiency of health systems to deal with the problem in most countries. Public policies based on epidemiological data are urgently needed to promote greater access to services, coordination among the various sectors that receive children and adolescents with mental health problems and regular funding for systems. One of the key issues to be studied for planning policies in mental health of children and adolescents is access to mental health services and related factors. Objectives The aims of this study are: to review research findings on the prevalence of mental health services use by children and adolescents and factors associated; to describe the methodological problems of studies and propose a conceptual model to be used in future research; to estimate the prevalence of mental health services use and associated factors in a community sample of students; and to identify factors associated with the presence of components of mental health and the pattern of referral of students with problems in educational institutions from four localities in a state of southeastern Brazil. Recommendations for public policies on mental health for children and adolescents will be done. Methods 1) A systematic review of articles in the literature was performed, to identify studies that reported the prevalence of mental health services use in non-referred samples of subjects up to 18 years old. 2) A stratified random sample of 6986 students was assessed regarding mental health service use in school and out of school, sociodemographic factors, different levels of exposure to the attack, probable psychiatric diagnosis and having talked to parents, teachers and religious leaders about the attack. 3) Responsibles for all special schools and a random sample of regular schools in four areas of Rio de Janeiro State were interviewed about the presence of mental health professionals or procedures in the institutions and associated factors. Results 1) 174 full-text articles were examined, and 56 studies were included in this review. Great variability of mental health services use prevalence rates ! 5 was found. Factors related to services use were listed. 2) 17.1% of the sample had used mental health services, more in schools than out. Mental health service use in school was associated to having talked to teacher about the attack. Mental health service use out of school was associated to direct exposure to the attack, previous exposure to traumatic events, probable diagnosis of major depressive disorder and posttraumatic stress disorder and having talked to teacher and religious leader about the attack. 3) The presence of mental health professionals or procedures in schools seems to be associated to the area in which the institution is located, are more often found in nurseries and pre-schools and institutions that have professionals or procedures of other sectors of care (general health, justice and welfare). Referrals of students with mental health problems occur more frequently in schools with professionals or procedures of mental health, to the resources of the institution. Conclusions It is possible to establish a conceptual model for research on mental health services use by children and adolescents, and some methodological guidelines are suggested. Public policies on mental health of children and adolescents should include measures to promote training of professionals who are in frequent contact to children and adolescents, as teachers, pediatricians, family physicians, nurses, etc., and public awareness campaigns on children and adolescents mental health. The provision of mental health services in school environment should also be considered.

Introdução Existem claras evidências do impacto social e econômico dos transtornos de saúde mental iniciados na infância e na adolescência e da ineficácia dos sistemas de saúde para lidarem com o problema até o momento, na maioria dos países. É urgente o estabelecimento de políticas públicas embasadas por dados epidemiológicos que promovam maior acesso a serviços de qualidade, coordenação entre os diversos setores que recebem crianças e adolescentes com problemas de saúde mental e financiamento regular para o funcionamento do sistema. Uma das questões fundamentais a ser aprofundada para o planejamento de políticas na área de saúde mental de crianças e adolescentes é o acesso a serviços e os fatores relacionados. Objetivos Revisar os achados de pesquisas acerca da prevalência de uso de serviços de saúde mental por crianças e adolescentes, e os fatores associados ao uso. Descrever os problemas metodológicos dos estudos e propor um modelo conceitual para ser utilizado em pesquisas futuras. Estimar a prevalência de uso de serviços de saúde mental e os fatores associados em uma amostra comunitária de estudantes. Identificar os fatores associados com a presença de componentes de saúde mental e o padrão de encaminhamento de alunos com problemas em instituições de ensino de quatro localidades de um estado da região sudeste do Brasil. A partir dos resultados, fazer recomendações para o planejamento de políticas públicas de saúde mental para crianças e adolescentes. Métodos 1) Busca sistemática de artigos na literatura que relatassem prevalência de uso de serviços de saúde mental em amostras não-referidas de sujeitos até 18 anos. 2) Uma amostra estratificada e aleatória de 6986 alunos foi avaliada quanto ao uso de serviços de saúde mental na escola e fora da escola, fatores sócio-demográficos, níveis de exposição ao atentado ao World Trade Center, provável diagnóstico psiquiátrico e ter falado com pais, professores e líderes religiosos sobre o ataque. 3) Foram entrevistados os responsáveis por todas as escolas especiais e por uma amostra aleatória das escolas regulares de quatro localidades do Rio de Janeiro. Por meio de uma entrevista estruturada, foi constada a presença de profissionais ou ações de saúde mental nas instituições e possíveis fatores associados. Resultados 1) Foram examinados 174 artigos na íntegra e 56 foram incluídos na revisão. Foi observada grande variabilidade nas taxas de prevalência de uso de serviços de saúde mental. Os fatores relacionados ao uso de serviços foram listados. 2) 17.1% dos alunos fizeram uso de serviços de saúde mental, mais na escola do que fora. Uso de serviços de saúde mental na escola está associado a ter falado com o professor sobre o atentado. Uso de serviços de saúde mental fora da escola está associado à exposição direta ao atentado, exposição prévia a eventos traumaticos, provável diagnóstico de depressão maior ou transtorno de estress póstraumático e a ter falado com o professor e com líder religioso sobre o atentado. 3) Componentes de saúde mental em escolas parecem estar relacionados à localidade em que a instituição está situada, serem mais frequentemente encontrados em creches e pré-escolas e em instituições que possuem componentes de outros setores de cuidado (saúde geral, justiça e assistência social). Os encaminhamentos dos alunos com problemas de saúde mental ocorrem mais nas escolas com componentes de saúde mental, para recursos da própria instituição. Conclusões É possível estabelecer um modelo conceitual para a pesquisa de uso de serviços de saúde mental por crianças e adolescentes, e algumas orientações são sugeridas quanto aos métodos. Políticas públicas na área de saúde mental de crianças e adolescentes devem incluir medidas que promovam o treinamento de profissionais que têm contato frequente com crianças e adolescentes, como professores, pediatras, médicos de família, enfermeiras, etc.; e campanhas de conscientização do público sobre os problemas de saúde mental de crianças e adolescentes. A provisão de serviços de saúde mental no ambiente escolar também deve ser considerada.
Palavra-chave Serviços de saúde mental
Acesso aos serviços de saúde
Políticas públicas
Criança
Adolescente
Mental health services
Health services accessibility
Public policy
Child
Adolescent
Idioma Português
Data de publicação 2010-04-28
Publicado em MARTINS, Ana Soledade Graeff. Serviços de saúde mental para crianças e adolescentes: recomendações para o planejamento de políticas públicas de saúde mental. 2010. Tese (Doutorado) - Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), São Paulo, 2010.
Publicador Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
Extensão 190 p.
Direito de acesso Acesso aberto Open Access
Tipo Tese de doutorado
Endereço permanente http://repositorio.unifesp.br/handle/11600/10077

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